Orçamento da Visit Azores para 2026 é de 8 M€. Empresários estão insatisfeitos e alertam para quebras no turismo
Aprovado na passada segunda-feira, 22 de dezembro, o Plano e Orçamento da Visit Azores para 2026, conta com um total de 8,02 milhões de euros. Empresários da região já alertaram para a escassez do orçamento para a promoção, num momento em que a situação do turismo dos Açores não é positiva.
Presença nos mercados emissores, desenvolvimento das acessibilidades aéreas e comunicação institucional, e consolidação da notoriedade internacional do destino Açores, são os pilares em que assenta o plano estratégico da Associação Visit Azores para 2026, que conta com um orçamento de 8,02 milhões de euros, uma verba que, segundo a Associação poderá ser alavancada “através de fundos comunitários” que permitam o reforço de ações estratégicas “em alinhamento com as orientações regionais e europeias”.
Em comunicado enviado à agência Lusa, referido por vários meios de comunicação, Para Luís Capdeville, presidente da Associação, refere que o plano e orçamento 2026 “reflete a visão de um turismo que promove, protege e valoriza os Açores”.
No entanto, associações empresariais dos Açores não perfilham deste otimismo, alertando para a escassez de recursos para a promoção turística, num momento em que, ao contrário do que se passa no resto do território nacional, o turismo dos Açores não vive um bom momento, apresentando quebras nos fluxos turísticos, nomeadamente ao nível dos turistas nacionais.
Em comunicado enviado esta sexta-feira, 26 de dezembro à agência Lusa, citado em vários órgãos de comunicação, a direção da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), alerta que “a situação atual do turismo nos Açores não é positiva, uma vez que vem registando quebras a nível do número de hóspedes e de dormidas, divergindo pela negativa em relação ao que se verifica no país e, muito em especial, na Madeira”.
Neste sentido, manifesta a sua “profunda preocupação e discordância” relativamente à “continuada insuficiência de recursos financeiros” atribuídos à Visit Azores, considerando que “o sucesso do turismo nos Açores necessita de uma atenção especial, de visão pública estratégica, de meios financeiros adequados e concretos e ainda de maior conjugação e concertação entre entidades públicas e os agentes económicos”.
A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores manifesta ainda a sua preocupação relativamente a uma série de situações que podem agravar a conjuntura da atividade turística na região, nomeadamente “o anunciado fim da operação da Ryanair”, “a incerteza” relativamente ao processo de privatização da Azores Airlines e o futuro das ligações da TAP aos Açores no cenário de privatização da companhia aérea.
Para a direção da CCIA este contexto exigiria “uma outra visão, eficiência e meios financeiros mais volumosos” para o turismo nos Açores, compatíveis com o seu peso no Produto Interno Bruto (PIB) da região.
Casas Açorianas: Verbas para a promoção “devem ser ampliadas”
Também a Casas Açorianas – Associação de Turismo em Espaço Rural está preocupada com as verbas para a promoção e com a descida do número de turistas e dormidas nos Açores, defendendo por isso, em declarações ao Turisver, que as verbas para a promoção têm que “ser vistas como um investimento” e “devem ser ampliadas”.

“As verbas com que o Governo Regional está a dotar as entidades que fazem promoção têm vindo a diminuir, e na nossa visão isso é um erro”, afirma Gilberto Vieira, presidente da Associação, defendendo que os Açores “precisam de mais promoção e de novos mercados emissores”. Além disso, sublinha, é também “necessário reforçar as ações promocionais junto do mercado nacional, que continua a ser o principal para os Açores, mas que está claramente em queda desde há meses”. Ora, para que todo este trabalho possa ser feito, “o Governo não pode reduzir o dinheiro para a promoção, pelo contrário”, alerta, acrescentando que o orçamento da Associação Visit Azores para a promoção deveria “ser reforçado”.
O presidente da Casas Açorianas destaca, também, motivos de preocupação que justificariam um reforço das verbas promocionais, como “a queda no número de hóspedes e dormidas verificada nos dois últimos meses” face ao período homólogo do ano passado, e “a descida do mercado nacional, que já se regista desde há vários meses”. Uma situação “amplamente preocupante” uma vez que “o mercado nacional é o nosso principal mercado emissor de turistas”.
Neste sentido, Gilberto Vieira defende que “a que a Visit Azores tem de estar atenta a estas situações que, na sua opinião “têm que ter uma resposta rápida” por serem “negativas para o turismo dos Açores, de uma forma geral” e “para a gestão das unidades de alojamento, em particular”, para o que, “evidentemente, têm que existir verbas disponíveis”.


