O Xénio de ‘Melhor Diretor Comercial’ foi para Pedro Ribeiro que considera “muito importante ser reconhecido entre os pares”
Pedro Ribeiro, profissional que dispensa apresentações, venceu o prémio Xénios 2026 na categoria de Melhor Diretor Comercial/Marketing e Vendas. O Turisver falou com o diretor comercial do Grupo Vila Galé para saber do significado de mais este prémio e para abordar um pouco das suas funções profissionais, que se dividem entre Portugal e Brasil.
Já com uma longa carreira, acaba de ser distinguido pela Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal, com o prémio Xénios 2026 de Melhor Diretor Comercial/Marketing e Vendas. O que é que representa para si esta distinção, depois de tantos anos de carreira?
É sempre muito bom receber estes prémios, ainda mais este, da ADHP – é a terceira vez que ganho -, que é um prémio atribuído por uma associação de diretores de uma área de que eu também faço parte. Realmente é muito importante ser reconhecido entre os pares. Acaba por ser o único prémio que existe em Portugal em que as pessoas são distinguidas a título individual, pelo seu desempenho profissional, então é um momento em que os profissionais desta área são valorizados e são distinguidos pelo seu desempenho ao longo plano.
Hoje está mais fácil desempenhar as suas funções, ou é mais difícil neste mundo complicado?
Nem mais fácil nem mais difícil, é simplesmente diferente. Há 30 anos o relacionamento pessoal entre o diretor comercial e os vários canais de distribuição era muito importante, ou seja, havia um contacto pessoal e diário com todos os nossos canais, com todos os nossos clientes, com os operários turísticos, com as empresas de incentivo, com os agentes de viagens, e hoje em dia esse contacto já não é tão regular nem tão constante. Devido às tecnologias, devido às conexões digitais, muitas vezes as coisas vão-se desenrolando ao longo do ano sem exigir aquele contacto pessoal que antes era necessário. Numa indústria como a nossa, que é feita por pessoas e para pessoas, existem áreas, alguns segmentos de mercado, em que a distribuição continua a ser muito importante e há ainda um toque humano neste relacionamento e na forma como interagimos para promover os nossos produtos. Mas é diferente, simplesmente é diferente.
Como é trabalhar a área comercial e de vendas dos dois lados do oceano Atlântico
Está num grupo português mas que é internacional. Quando olha para o Brasil, que é onde o grupo tem mais unidades depois de Portugal, há muitas diferenças na forma de trabalhar nesta área lá e cá?
Há algumas diferenças na forma como hoje em dia a distribuição já está consolidada. A Vila Galé, no mercado interno brasileiro, e até mesmo em termos de distribuição internacional, tem hoje em dia 99% da contratação feita com preços dinâmicos e com conexão via channel manager, e aqui em Portugal ainda estamos muito longe de conseguir fazer isso. É um passo que foi conseguido no Brasil, onde os operadores mudaram a sua filosofia de trabalhar e adaptaram-se muito a esta forma de distribuição, e essa é a maior diferença que existe.
Depois temos a grande dependência que o Brasil, apesar do aumento que o mercado internacional teve neste último ano, tem do mercado interno, situação que em Portugal não temos tanto, trabalhamos com mercados muito mais diversificados e com fluxos muito mais constantes e estáveis do que o Brasil.
Pode colocar-se aqui uma pergunta: quem aprende com quem?
Aprendemos em ambos os sentidos, ou seja, há excelentes profissionais no Brasil, pessoas muito bem formadas tecnicamente, e em Portugal, obviamente, temos uma estabilidade e um conhecimento de muitos anos dos mercados internacionais, que o Brasil não tem tanto, mas em termos de distribuição podemos dizer que de um lado para o outro o conhecimento circula e é muito interessante quando vêm ideias de um lado e do outro que nos ajudam realmente a crescer.
Chegando a este ponto da sua carreira, o que é que ainda quer fazer mais, profissionalmente?
Continuo a ter esta paixão pela área comercial, gosto de promover os hotéis Vila Galé, continuo a ser muito motivado por este crescimento que o grupo tem, de haver muitos hotéis a serem construídos, com muitos hotéis a abrir, e a empresa a ter um desenvolvimento regular e constante, e continuo a ter esta paixão por promover Portugal e por este relacionamento Portugal-Brasil. O que tenho como objetivo é continuar a desempenhar funções nesta área.
Para além da internacionalização, tem três experiências diferentes nos hotéis da Vila Galé em Portugal: os hotéis que oferecem o produto sol e praia, os hotéis de cidade, e as unidades no interior. Como é que estas três ofertas se conjugam em termos promocionais?
Definimos recentemente uma nova estratégia, segmentámos a nossa forma de trabalhar e de promover, criámos uma área dentro do departamento comercial só para o MICE e o Corporate, criámos uma área para o lazer, e uma outra para grandes contas.
Cada uma destas áreas tem uma pessoa responsável, que lidera uma equipa, e desta forma segmentámos um pouco, não de forma regional face à localização dos hotéis, mas em termos de segmentos de mercado, até porque todos estes segmentos acabam por estar presentes em praticamente todas as nossas unidades.
“O Grupo Vila Galé é a minha terceira empresa, sempre trabalhei para empresas 100% portuguesas e talvez por isso penso que as nossas marcas, se forem bem trabalhadas, conseguem competir com essas grandes marcas internacionais, trazendo um cariz de portugalidade, como a Vila Galé consegue transmitir nos mercados onde está, e levar essa portugalidade também para o Brasil”
Está no segundo maior grupo hoteleiro 100% português. Nos últimos anos temos assistido à chegada, quer de marcas, quer de investimento estrangeiro na hotelaria em Portugal. Como é que se convive com isso?
Convive-se de uma forma positiva e acho que, de alguma forma, a entrada dessas marcas traduz um pouco o reconhecimento da marca Portugal como destino turístico. Hoje em dia há um grande interesse de empresários de grandes países do mundo em estarem presentes em Portugal.
O Grupo Vila Galé é a minha terceira empresa, sempre trabalhei para empresas 100% portuguesas e talvez por isso penso que as nossas marcas, se forem bem trabalhadas, conseguem competir com essas grandes marcas internacionais, trazendo um cariz de portugalidade, como a Vila Galé consegue transmitir nos mercados onde está, e levar essa portugalidade também para o Brasil. Conseguimos, de uma forma realmente ativa e com grande pressão em termos de trabalho comercial, estar ao nível dessas grandes marcas internacionais.
Como é que está a olhar para tudo o que está a acontecer no mundo, e a influência, positiva ou negativa, que isso pode ter para o turismo em Portugal?
A curto prazo é negativo, ou seja, a curto prazo o que estamos a ter nesta primeira semana, são essencialmente cancelamentos, quer do mercado asiático, quer do mercado do Médio Oriente, quer mesmo do próprio mercado americano.
Em termos futuros, olhando para o que aconteceu há muitos anos, na primeira guerra do Golfo, os fluxos europeus viraram-se essencialmente para Portugal. Vamos ver se isso acontece, está a começar a haver alguns sinais, pelo menos no segmento MICE, de alguns grupos que estavam para ir para a Ásia, ou que estavam marcados para o Médio Oriente, a pedirem cotações, e isso para nós é positivo.
Eu penso que em termos de médio prazo, vai realmente trazer uma intensificação da procura, mas a curto prazo vamos sofrer um pouco durante os primeiros dois meses.


