“O Turismo português não pode crescer mais sem ter um novo aeroporto”, alertou Francisco Calheiros
O novo Aeroporto de Alcochete “que teima em não descolar”, a privatização da TAP e a ferrovia foram alguns dos 10 desafios elencados por Francisco Calheiros na sessão de abertura da Conferência do Dia Mundial do Turismo, esta segunda-feira, dia 29, em Tróia.
Numa intervenção em que começou por falar da necessidade de estabilidade governativa e em que afirmou que “todos queremos que o Turismo continue a ser uma prioridade estratégica nacional”, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal instou o Governo a assegurar “condições políticas estáveis que permitam a execução de projetos-chave para o Turismo e para o País”.
Entre estes está o novo aeroporto de Alcochete, um dossier que continua aberto e que “teima mesmo em não descolar”. “Já lá vamos com longos meses de silêncio. E nada. Infelizmente, as minhas expectativas começam a confirmar-se. Passa o tempo e nada anda. Estou mesmo em crer que não vou ver o aeroporto de Alcochete”, afirmou.
Porque “o novo aeroporto não pode entrar em funcionamento sem as infraestruturas básicas que têm de existir”, levará muitos anos até que entre em funcionamento, pelo que deixou um novo alerta sobre o tema: “Uma coisa é certa, o turismo português não pode crescer mais sem ter um novo aeroporto”, até porque “o aeroporto da Portela está esgotado e o penso rápido das obras de melhoramento não é solução, porque melhoram as condições, mas não fazem aumentar a sua capacidade”.
Já sobre a TAP, recordou a sua importância para o turismo e para o país e embora tenha enaltecido o facto de o processo de reprivatização ter sido já iniciado porque a companhia aérea portuguesa “não pode continuar orgulhosamente só e isolada no mercado”, lembrou que a Confederação “defende uma privatização a 100% e não prescindimos de afirmar que continua a ser imprescindível que o consórcio internacional que fique a gerir a TAP, garanta desde logo o hub de Lisboa e as ligações aéreas especiais às ilhas e aos países da CPLP”.
Ainda no que toca aos transportes, Francisco Calheiros criticou o facto de o plano ferroviário nacional estar “envolto no silêncio”: “A ferrovia é uma necessidade do País e seria sem dúvida uma solução de mobilidade que muito beneficiaria o Turismo”, afirmou, defendendo que “bastaria a Alta Velocidade Lisboa/Porto e Lisboa/Madrid e libertaríamos cerca de 40 voos diários da Portela”.
Por isso, concluiu: “Bem faria o Governo em nos explicar o que está a ser feito neste sentido. Que obras estão em curso; que outras irão avançar; que prazos estão estipulados para que o País veja finalmente cumprido o Plano Ferroviário”.


