“O sal e a pimenta” de um verão que deixou tempo para boas conversas
Neste verão – com mais tempo disponível, porque como me dizia alguém “o que se vendeu, está vendido, o que não se vendeu… pouco há a fazer” – foram sobrando uns tempinhos para uns almoços de reflexão sobre o nosso turismo, ou para marcar presença em “sunsets” que dão sempre azo a umas boas conversas. Alguns temas puxados à liça foram comuns nestas conversas – então vamos lá partilhar.
Quem esteve mais na ribalta este verão, nas conversas entre as gentes do turismo, foi Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comercio e Serviços, uma personalidade sempre, sempre, presente, em inaugurações, em reuniões, e em muitos outros eventos nem que seja apenas para ter uma ‘entrada por saída’, que o mesmo é dizer, para apertar mãos e sair às pressas porque outro evento o aguardava e havia ainda uns bons quilómetros a percorrer, como aconteceu nas comemorações do 25º aniversário do Grupo Osiris.
Esta postura de “estar em todas”, como se costuma dizer, do secretário de Estado do Turismo (esta é a parte do seu cargo que mais interessa às gentes do setor) é sempre muito elogiada nas conversas e, segundo alguns, tem muito a ver com os anos que passou na presidência da Turismo Centro de Portugal, em que era necessário “agradar” aos 100 presidentes das Câmaras Municipais que compõem a região e aos empresários turísticos, pequenos ou grandes, que (quase) exigem a presença do seu presidente em todas as iniciativas que promovem.
Mas como as moedas têm sempre duas faces, também as avaliações a Pedro Machado começam a ter a face positiva, e muito elogiada, e a face negativa que é a falta do dito trabalho de secretária, tantas vezes indispensável para o bom andamento do turismo.
É neste contesto, e face à forma como o ano turístico tem decorrido, que surgem os comentários sobre o “silêncio ensurdecedor”, em torno da Estratégia Turismo 2035, desde praticamente o final do ano passado, quando o SET datou a apresentação. Vale recordar que a ET 2035 teve a sua primeira sessão pública de discussão no dia 3 de outubro de 2024 – talvez por ironia – no MUDE, e depois teve sessões em diversas cidades do país, incluindo as Regiões Autónomas. Aliás, o documento, como disse atrás, chegou mesmo a ter a sua apresentação publicamente prometida para o dia 18 de dezembro de 2025, pelo próprio SET, no congresso da APAVT, em Macau.
Mas esta não é a única matéria que por certo ‘entope’ a secretária de Pedro Machado, já que a revisão da Lei 33 (conhecida como Lei das Regiões de Turismo) anunciada pelo SET em junho de 2025 no Vê Portugal Fórum de Turismo Interno: “temos uma Lei 33 que está em revisão”, disse então – e já lá vão 15 meses.
Também a revisão do RJET, vulgarmente referida como Lei hoteleira ou Lei dos empreendimentos turísticos, prometida para “os próximos dias” em novembro do ano passado, na celebração do aniversário da ADHP, aguarda dias melhores.
Igualmente a aguardar melhores dias desde há quase dois anos, está o Estatuto do Agente de Viagens, anunciado aos jornalistas, pelo próprio Pedro Machado, em novembro de 2024 como tendo entrado na Assembleia da República para aprovação …
Para não ser considerado “maldizente” sobre o trabalho desenvolvido, fico-me por aqui, até porque o título desta peça é o verão. E pode bem ser que estes e outros dossiers estejam talvez a aguardar por tempos mais invernosos, até porque a ‘rentrée’ turística e política está ainda a dar os primeiros passos e vêm por aí vários eventos de “peso” no turismo.


