O “ping-pong” entre Carlos Moura (AHRESP) e Cristina Siza Vieira (AHP) na Conferência da AHETA
No painel “+30 anos de governação colaborativa: perspetivas e concertações” da conferência “Turismo + 30” realizada pela AHETA na última quinta-feira, em que intervieram as várias associações do setor, nem tudo foi “pacífico”, com a AHP e a AHRESP a “disputarem” a representatividade da Hotelaria, com argumentos de foram dos números à especialização.
Em causa esteve, como sugeriu o próprio moderador do painel, Reitor da Universidade do Algarve, Paulo Águas, o “H” referente à Hotelaria, que a Associação da Restauração e Similares de Portugal, então ARESP, somou à sua sigla em 2008, quando começou também a representar unidades hoteleiras.
Sobre o acoplar do “H” à sua sigla, o presidente da AHRESP, Carlos Moura, disse que o objetivo foi fazer com que a associação “subisse um degrau”, deixando de ser uma associação simplesmente representativa de restaurantes e similares. “Nós resolvemos começar a subir a escada (…) e o tempo deu-nos razão. O tempo vai continuar a dar-nos razão, porque nós temos mais de 1.500 associados”, afirmou.
“Para que todos saibam, a AHRESP não é só uma associação de tachos e panelas, de restauração e similares,é uma grande associação de alojamento turístico, tem hotéis de 5 estrelas – um dos nossos vice-presidentes é um empresário com um hotel de 5 estrelas -, tem de 4, tem de 3. Tem hostels, alojamento local, resorts, portanto, o tempo deu-nos razão”, vincou.
Opinião diversa tem a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), com a sua vice-presidente executiva, Cristina Siza Vieira, a argumentar que os hotéis que representa têm Food & Beverage, têm restaurantes, ou seja, têm restauração e “nós não vamos pôr um “R” no nome, destacou. Portanto, nós seremos a Associação da Hotelaria de Portugal”, até porque, “não é a restauração que é o nosso core”, justificou.
Para deixar ainda mais clara a sua ideia, Cristina Siza Vieira exemplificou que a AHP considera que “a hotelaria que nós defendemos há 100 anos não é a mesma coisa que o alojamento local” e que não é essa a vocação da AHP: “(…) nós não temos vocação para prestar o tipo de serviço [representar o AL] que a ALEP personifica. A ALEP [Associação do Alojamento Local em Portugal] é especializada no alojamento local, nós não somos”, sustentou.
Para a vice-presidente da AHP trata-se, sobretudo, de uma questão de especialização, e a AHP é especialista na Hotelaria.
A propósito lembrou que a fundação da AIHSA Associação dos Industriais Hoteleiros, Restauração e Bebidas do Algarve, se deveu ao facto de, na altura, existir “uma tutela distante, abstrata, de um centralismo dominante”. Esta questão, afirmou, tem levado, cada vez mais, a AHP a “reforçar, claramente, a presença da associação noutras regiões do país – não que pretenda substituir as associações regionais, mas como associação nacional e especializada, acreditamos que temos algo a dar nesta matéria”, explicou, lembrando que este caminho será ainda mais reforçado neste segundo mandato de Bernardo Trindade à frente dos destinos da AHP.

