“O nosso objetivo número um é Portugal”, afirma o secretário de Estado do Turismo de Minas Gerais
Apresentar o destino Minas Gerais e os seus atrativos é o objetivo de uma ação que decorre em Lisboa onde, esta quarta feira, Minas reuniu uma centena de convidados, incluindo agentes de viagens e operadores turísticos. O Turisver falou com o secretário de Estado de Turismo e Cultura de Minas Gerais, Leônidas Oliveira que afirmou o desejo de chegar aos 100 mil turistas lusos em 2023.
Começava por lhe perguntar o que é que Minas Gerais tem para oferecer aos turistas portugueses?
Nós temos vários atrativos, no entanto, creio que conhecer um pouco mais da História de Portugal no Brasil seja um grande atributo, visto que de herança portuguesa colonial nós temos o maior sítio barroco do mundo, que é Ouro Preto, que foi o primeiro centro histórico brasileiro a receber a denominação de Património Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO, temos Diamantina e mais de 100 cidades que são património histórico nacional. Temos a Via Liberdade, que é uma grande rota que liga o Rio de Janeiro à capital [Brasília] passando por mais de 300 cidades, através da qual é possível ficar a conhecer desde a capital do império às cidades barrocas coloniais de Minas Gerais, à cidade de Belo Horizonte que tem um circuito cultural com mais de 40 atrativos e um Património Cultural da UNESCO que é o conjunto Arquitetónico da Pampulha.
A Via Liberdade tem como referência a estrada nacional BR 40 que foi a primeira rodovia do Brasil feita por D. Pedro II. Tudo isto com uma envolvente natural de grande riqueza. São milhares de cachoeiras, montanhas – a Serra do Espinhaço também é Património Natural da UNESCO. Depois há a gastronomia que também nos une, enquanto cultura e forma de receber. É interessante ver as alterações que foram introduzidas por Minas Gerais na cultura popular, como é o caso da caretagem que trouxemos para este evento, que tem origem no careto de Portugal mas é uma dança de transe africana que junta os orixás africanos.
A TAP tem um voo direto para Minas. Têm garantias de que a operação vai continuar e pode crescer?
Vai continuar e pode crescer pois o voo está muitas vezes lotado pelo fluxo de turistas. O governo de Minas tem um gabinete especial para a atração de investimentos, nomeadamente para o incremente de voos e oferecemos muitos benefícios. Já estamos em conversações com a TAP, o Invest Minas, que está connosco no evento e é a nossa agência de desenvolvimento, está a tentar isso. No entanto, nós temos o aeroporto de São Paulo a 40 minutos e depois temos os aeroportos do Rio e de Brasília, ou seja, a conectividade direta está praticamente esgotada mas é possível ir tranquilamente a Minas Gerais através das ligações com esses aeroportos.
Além disso, chegando ao Rio de Janeiro, pode ir-se de carro facilmente até Minas Gerais, fazendo a rota Via Liberdade em que se concentra 70% do património histórico tombado do Brasil, além de nove Patrimónios da Humanidade pela UNESCO, três no Rio, quatro em Minas e Brasília.
Minas Gerais é um destino competitivo em ternos de preço com outros destinos do Brasil?
Muito. Nós temos uma herança de vários hotéis que foram construídos 17 hotéis em Belo Horizonte para a Copa do Mundo e para a Olimpíadas, pelo que a rede hoteleira é muito potente. Já nos destinos históricos temos pequenas pousadas mas somos um estado que está crescer o dobro da média nacional no turismo – em fluxo de turistas perdemos apenas para o Ceará.
Da história à natureza passando pela cultura e pelas termas
Em termos de natureza, Minas Gerais tem um verdadeiro mundo…
Absolutamente. Temos uma enorme riqueza ambiental, são milhares de cachoeiras, temos 19 parques naturais, nove deles na Via Liberdade. Temos montanhas, para turismo de aventura, uma paisagem exuberante: o Brasil tem cinco biomas, nós temos três: a mata atlântica, o serrado e a catinga.
A dimensão do estado de Minas…
É do tamanho da França.
Isso torna difícil aos turistas escolherem onde hão de ir. Se estivesse a viver em Portugal e tivesse 12 dias para ir visitar Minas Gerais, qual era a sua opção?
Iria a Belo Horizonte, a capital, que tem uma vida cultural muito agitada e um Património da Humanidade modernista, que é a Pampulha. A hora e meia de distância temos Ouro Preto, Mariana e o centro do Barroco mineiro. Iria também à Serra do Cipó que enquanto destino de natureza é de uma beleza absoluta: fica no interior do estado, a cerca de hora e meia da capital e quando se chega ao cimo da cordilheira há uma praia de areias brancas e cachoeiras. Em resumo, Belo Horizonte é um bom destino para se ir porque a distâncias curtas tem muito para conhecer.
Nesses 12 dias eu iria também visitar as cidades termais, no sul de Minas. Temos 12 estâncias termais de águas minerais, águas sulfurosas… há hotéis belíssimos da época do império. Para se ter uma ideia, em Poços de Caldas, que é uma cidade termal, a água sai a 47 graus e é arrefecida para colocar nas piscinas, há um hotel – o Palace Hotel – com 400 quartos. Curioso é que Poços de Caldas é uma cidade que nasceu a partir do hotel, é a única cidade brasileira que não nasceu a partir da igreja.
“No próximo ano gostaríamos de chegar aos 100 mil turistas portugueses mas acho que vamos superar”
São conhecidos os números relativos aos turistas portugueses que visitam Minas Gerais?
Não temos dados oficiais muito recentes, os últimos que temos são de 2017 que foi o ano em que batemos o recorde de turistas portugueses e Portugal foi o segundo emissor, logo a seguir à Argentina, com 60 a 70 mil turistas.
Apesar de não termos os números oficiais, acredito que o número terá tido uma queda enormíssima durante a pandemia mas o esforço que estamos a fazer agora é não só de retornar àqueles números mas incrementá-los.
Disse-me que já tinham atingido os 60 – 70 mil turistas portugueses. Qual é o vosso objetivo em termos do mercado português?
Para o próximo ano queremos incrementar esse número em 50%, o que é uma meta ousada, ou seja, no próximo ano gostaríamos de chegar aos 100 mil turistas portugueses mas acho que vamos superar.
Partindo desta iniciativa que estão a realizar hoje [quarta feira, 7 de setembro] em Lisboa, o que é que vão fazer a seguir em matéria de promoção?
Nós estivemos aqui em novembro e fizemos um jantar da gastronomia mineira para 100 pessoas do trade. Foi aqui que lançámos o projeto “Minas para o Mundo”, depois rodámos o mundo promovendo Minas e regressámos hoje com 162 mineiros que estão aqui para celebrar o bicentenário da Independência e mostrar a sua cultura, com a orquestra, com os caretos, os quilombos…
Neste momento, o Invest Minas está a fazer reuniões empresariais para atrair investimentos, nomeadamente em rede hoteleira. O nosso objetivo número um é Portugal porque Portugal tem outra questão muito importante que é a de ser a porta do mineiro para a Europa. Estamos muito conectados com Portugal porque vocês são o fenómeno do momento em turismo e as valências são as mesmas: gastronomia, património histórico, natureza, vocês têm o mar e nós temos milhares de cachoeiras.
Os estados brasileiros têm usado muito a estratégia do “one shot”, ou seja, vêm a Portugal fazem um grande evento e depois nunca mais voltam. Vocês têm alguma estratégia?
Temos, aliás este é o segundo momento da estratégia “Minas para o Mundo” e o terceiro vai ser na BTL, onde vamos estar com um stand e nos próximos anos vão ser várias as atividades que vamos fazer com Portugal, temos um planeamento para os próximos quatro anos e que já começou há um ano, ou seja, vamos ter Portugal como foco pelo menos durante cinco anos. Também queremos fazer um trabalho de marketing com o trade, com a imprensa, com influenciadores, para que possam ir conhecer Minas e a partir desse olhar ajudem a vender o destino em Portugal.
Qual é a melhor época para se ir a Minas Gerais e usufruir do que tem para oferecer?
Nós temos um país tropical mas Minas, porque está no centro, tem um dos melhores climas do país, mais amenos. Viajar para Minas entre setembro e novembro é muito bom porque estamos na primavera, embora o mês de julho atraia muito os europeus, apesar de nós estarmos no inverno, mas não é um inverno muito frio, a temperatura média anual de Belo Horizonte é de 22 graus.


