O Grande Hotel de Luso “tem tido constantes adaptações à evolução do turismo”, garante o chairman da empresa, João Diniz
Com um grande foco no mercado nacional, onde tem grande reconhecimento, o Grande Hotel de Luso quer posicionar-se nos mercados internacionais tendo passado a integrar o portefólio da United Hotels of Portugal. Para saber mais sobre este icónico hotel e as perspetivas que se abrem para o futuro, falámos com o presidente do Conselho de Administração, João Diniz.
Hoje em dia, o Grande Hotel de Luso posiciona-se para que segmentos?
O Hotel de Luso é uma unidade hoteleira que se tem afirmado em vários segmentos, desde o turismo de lazer “normal”, digamos assim, o turismo independente, quer nacional, quer internacional, mas muito fortemente no mercado nacional, onde é um hotel muito reconhecido e com uma notoriedade significativa. Tanto assim e, que o mercado nacional é o nosso maior mercado.
Temos muito o segmento de famílias, há uma tradição muito grande de passar de pais para filhos e temos várias gerações de famílias que continuam a visitar o hotel e nós fazemos questão de manter a mesma cultura, quer de serviço prestado, quer de dinâmica hoteleira, quer de decoração.
Depois, o hotel tem um posicionamento muito grande no segmento de MICE, porque é um dos hotéis da região com mais capacidade ao nível de salas para desenvolver eventos corporativos, eventos familiares, tudo o que é evento, pelas suas condições, quer de alojamento, quer de salas para reuniões e auditório, pelo que esta é uma área muito forte.
Na última década, já havia um posicionamento que é histórico, que nasce com o surgimento do Hotel de Luso em 1940, e que tem a ver com o segmento, muito pela existência da piscina olímpica. Esta componente esbateu-se durante alguns anos, mas na última década o turismo desportivo nacional e internacional tem marcado o posicionamento do hotel, usufruindo um pouco da relação que temos com o município, que é detentor das infraestruturas desportivas, quer indoor, quer outdoor. Temos capacidade para multimodalidades, que nos vai posicionando desde o basquete de cadeira de rodas até ao remo, natação, polo aquático, entre outras, triatlo, hóquei em patins, basquete, andebol, entre outras.
É um hotel que está preparado para receber qualquer tipo de atleta, de estágios… desde a alta competição até ao lazer desportivo acolhemos qualquer tipo de evento que se encaixe nas características do hotel.
E continuam a ter as termas?
Não, as termas são à parte. Há uma ligação física mas não passa disso. As termas do Luso pertencem à Central de Cervejas, até ao fim do ano passado nós estivemos diretamente ligados a fazer a gestão das termas, mas agora estão a reformular o modelo de negócio e não sabemos se continuaremos no futuro, vamos ver o que vai surgir. Em função do modelo de negócio que definirem, nós teremos posicionamentos em temos de alternativas que vamos apresentar, e vamos fazer apostas em outras valências de oferta para os clientes.
“Sempre modernizado. Tem tido constantes adaptações à evolução do turismo, basta dizer que é um hotel em que no corpo central, que é o mesmo, onde havia antigamente 185 quartos, hoje existem 117, para responder a uma hotelaria atual de 4 estrelas”
O que é que o vosso posicionamento geográfico, bem no centro de Portugal, permite ao cliente usufruir? Em que é que um cliente que não vai praticar desporto pode ocupar o seu tempo durante três ou quatro dias?
Eu distinguia duas formas de usufruir do hotel nessas tipologias de pessoas que me está a identificar. Por um lado, temos os clientes que já estão ligados ao hotel familiarmente há muitos anos, uma ligação quase umbilical que já vem desde há gerações. Temos este registo quando as crianças passam pelo hotel, quer pela liberdade que têm de usufruir do hotel, quer pelos serviços que disponibilizamos, essencialmente nas épocas de férias escolares, sempre com a animação da mesma equipa – isso é reconhecido e as crianças estão sempre a pedir aos pais para voltar – e os pais sentem que as crianças estão seguras.
Depois, a partir dali, há a capacidade de visitar vários locais, cidades como Coimbra, Aveiro, Viseu… Pode ir ao Porto ou a Santa Maria da Feira. A partir do hotel é fácil ir a qualquer sítio no espaço de meia hora ou 40 minutos, e no verão, em meia hora está-se na praia, e este aspeto da mobilidade é importante para o cliente.
Tudo isto junto tem feito com que a nossa taxa de ocupação tenha vindo a aumentar nos últimos 10 anos. Os clientes que vêm, repetem, gostam da forma de estar, dos serviços que o hotel tem para oferecer, da gastronomia que é diferente da que é oferecida por muita hotelaria que há no país – é uma comida de conforto mas diversificada, baseada em bons produtos e os nossos buffets são muito agradáveis.
No fundo, trata-se de um hotel antigo mas modernizado?
Sempre modernizado. Tem tido constantes adaptações à evolução do turismo, basta dizer que é um hotel em que no corpo central, que é o mesmo, onde havia antigamente 185 quartos, hoje existem 117, para responder a uma hotelaria atual de 4 estrelas.
Mas essa não é a totalidade dos quartos?
Não, são 132, há uma ala que foi construída nos anos 90, assim como as salas de trabalho e a piscina interior. Houve uma grande expansão nos anos 90, depois houve uma modernização em 2010 e outra em 2016-2018.
“Acreditamos que vai ser uma parceria bastante positiva, e tentaremos também dar valor acrescentado àquilo que é a United Hotels, não nos centrando na nossa unidade”
Deram agora um passo em frente na vossa imagem e promoção ao associarem-se à United Hotels para a promoção externa, qual é o objetivo?
Sim, sem dúvida. Isso aconteceu depois de uma reflexão interna significativa sobre o nosso posicionamento comercial e sobre a nossa capacidade de nos promovermos exteriormente. Identificámos como sendo necessário dar um passo, podíamos aumentar a estrutura comercial, mas o adicional de custos em fator humano interno que isso representava não era a política adequada.
Queremos incrementar a nossa presença internacional e foi nessa perspetiva que nos associámos. Na verdade, não procurámos muito, porque esta relação com a United Hotels, em particular com o Alexandre Marto, é uma relação pessoal de longa data, sabemos o quão bem eles trabalham e conheço a equipa comercial deles, em particular a que está dedicada à promoção das suas unidades hoteleiras, também de notoriedade e de renome. Eles reconheceram-nos como uma mais valia e nós reconhecemos como mais valia para nós esta promoção que eles fazem em todo o mundo, e daí esta aposta.
Acreditamos que vai ser uma parceria bastante positiva, e tentaremos também dar valor acrescentado àquilo que é a United Hotels, não nos centrando na nossa unidade, porque acho que é a velha teoria de vermos o 1 mais 1 como 11 e não como 2, portanto, a nossa perspetiva é a de podemos acrescentar-nos mutuamente.
Dizia há pouco que a ocupação do Grande Hotel de Luso tem crescido nestes últimos 10 anos. As perspetivas para este ano são positivas?
Lamentavelmente, tenho uma perspetiva muito conservadora. Depois da pandemia tivemos sempre um nível grande de incerteza, e essa incerteza mantém-se. A nossa expectativa é de crescer, como crescemos mais uma vez no ano passado contra alguma reserva que tínhamos, devido a alguns fatores que poderiam afetar negativamente o hotel, mas curiosamente ultrapassámos 2024, quer em ocupação, quer em resultado. Portanto, estamos em crescendo e estamos expectantes relativamente a 2026, mas neste momento, as perspetivas que vamos tendo mensalmente, não são todas positivas.
Mais uma vez, a nossa aposta será serviço, serviço, serviço, mas o ano vai correr e logo veremos se haverá fatores imponderáveis. O nosso posicionamento mantém-se, o nosso reconhecimento por parte dos clientes também, e pelas consultas que temos até à data mantemos uma expectativa positiva, embora sempre com alguma reserva.


