Nuno Aleixo: Nortravel cresce em voos charter e “em termos da oferta para a Europa, em voos regulares, também vamos crescer”
Com o catálogo para 2026 já publicado, Nuno Aleixo, diretor-geral da Nortravel, falou ao Turisver das principais alterações face ao ano passado em termos de produto charter, em que as novidades são os voos Porto-Tirana e Lisboa-Malta, mas também no produto regular, tanto para circuitos europeus como para as grandes viagens. Os cruzeiros Nortravel e as ilhas portuguesas também foram tema de conversa.
Nuno, vamos começar por falar do produto charter da Nortravel. Que alterações há face ao ano passado?
Em relação ao ano passado há um acréscimo acentuado de operações charter, principalmente para a zona do Adriático. Em 2024 tivemos a operação do Porto para Dubrovnik, operação essa que suspendemos em 2025 devido aos elevados preços praticados pela hotelaria na Croácia na época que fazemos a operação charter. Isso levou-nos a fazer a operação em voos regulares com a Ibéria, mas obviamente que por não se tratar de um voo direto, o destino foi penalizado.
Para 2026 percebemos que a partir de Tirana, um aeroporto alternativo ao de Dubrovnik, nós conseguiríamos apresentar países da Europa fora da União Europeia que têm uma grande apetência no nosso mercado. Então colocámos o voo Porto-Tirana e a partir de Tirana fazemos os circuitos europeus e também as estadias no Adriático.
Para além disso, retomamos o voo que tínhamos feito em 2024 para Malta, com a grande novidade de ser à partida de Lisboa. Em 2024 essa operação era feita do Porto e este ano estamos com a parceria com a TAP, que é importante porque a TAP deu-nos a abertura, em 2026, de podermos fazer algumas operações com eles e no Grupo Ávoris, para além de Malta, temos outras operações também feitas para a Travelplan.
Portanto estas são as duas grandes novidades para 2026.
Em relação aos charters de Cabo Verde, mantemos obviamente a Ilha do Sal, com um reforço em 5 semanas no período alto de verão, onde passamos a oferecer dois voos à partida do Porto. De Lisboa temos a garantia dos allotments, em parceria com a TAP para o Sal e para a ilha da Boavista. Além disso, temos o Porto-Boavista, em que a novidade para 2026, é também ser um voo charter com a TAP, neste caso partilhado com outros operadores.
Sendo assim, a Nortravel cresce em termos de oferta charter?
Correto, crescemos em oferta em relação aos voos charter, mas salientava que em termos da oferta para a Europa, em voos regulares, também vamos crescer, principalmente com os reajustes que fizemos em alguns destinos. Na Europa já não temos muito mais por onde crescer, mas temos realmente a grande facilidade de podermos, com estes voos, continuar a oferecer os produtos que nos caracterizam os circuitos e, obviamente, complementados com as estadias.
Outra das novidades que têm este ano é na área dos cruzeiros, em que passam a operar com a Costa Cruzeiros. Como é que foi pensada a oferta de cruzeiros para este ano?
Isto muitas vezes é um pouco como os charters que nós fizemos do Adriático e de Malta: parámos um ano e todo o mercado sentiu falta daquele produto. Foi exatamente o que aconteceu com os cruzeiros, em 2024 fizemos a operação com a MSC, em 2025 parámos a operação porque considerámos que os resultados não tinham sido satisfatórios.
Foi-nos lançado o repto em 2025 pela Costa Cruzeiros, conversámos com a companhia, pelo dinamismo que a própria Costa Cruzeiros tem com o Grupo Ávoris em Espanha, e considerámos que poderíamos fazer uma parceria interessante para 2026, não de uma forma tão exposta, nem com tanto produto como já tivemos, mas apostando nos dois produtos que mais procura têm no conceito do cruzeiro Nortravel, com o guia acompanhante, com todas as excursões incluídas em cada porto onde param e também o pacote de bebidas.
Identificámos que o Norte Europa, os Fiordes, é sempre um atrativo muito grande para qualquer cruzeirista, como é o Mediterrâneo, com a possibilidade de voar para Atenas e chegar a Istambul. Portanto, estas foram as apostas e estamos muito felizes com os resultados, e claro que, muitas vezes, um ano de saudades cria um novo atrativo e faz crescer bastante a procura.
Em termos de circuitos também têm novidades. Tínhamos começado pelos da Europa…
Nós, na Europa, temos a novidade que referi, o charter do Porto para Tirana, que nos permite fazer três circuitos. Um que é o ‘Paisagens Balcãs’, que fazemos a partir da Albânia, onde vamos ao Kosovo e fazemos o Montenegro. Tratando-se dos Balcãs, uma região montanhosa, temos que ter atenção porque se trata de um destino fora da União Europeia, onde as infraestruturas rodoviárias não são semelhantes às que encontramos cá, por exemplo.
Depois temos outros dois circuitos que vão ao norte da Grécia e fazemos uma das cidades mais importantes da Grécia, que é Salónica, e depois temos um circuito mais temático que é o ‘Alexandre o Grande’, que é na Albânia, na Macedónia e na Grécia. Pelas primeiras reações do mercado, tem sido absolutamente fantástico em vendas e estamos muito felizes com os resultados.
Também naquela região, temos uma parceria com um operador italiano com quem já trabalhámos há muitos anos, que tem clientes de turismo religioso para Portugal, e então fizemos uma parceria num voo charter da Catânia para o Porto que é ocupado dois terços por esse operador, e um terço por nós, e nós aproveitamos para fazer o circuito da Sicília.
Para os clientes do voo de Lisboa-Malta, para além da programação específica do destino Malta, temos dois circuitos, o ‘Maravilhas de Malta’, e o ‘Malta-Sicília’.
Estas operações charter permitiram-nos ter uma capacidade de resposta semanal nas épocas mais altas, porque com companhias regulares nem sempre era possível termos tantos lugares.
Produto para Itália e para a Polónia foi reestruturado
Queria salientar que reestruturámos o destino Itália depois do ano Jubileu, que foi um ano muito complicado e muito complexo de trabalhar devido à grande procura que o destino teve, e assim para 2026 conseguimos reajustar o produto. Estamos a ter um excelente feedback de reservas para a Itália, pusemos um produto ‘Itália Essencial’ um pouco mais em enxuto em termos de serviços, mas que está a ter uma aceitação boa porque também consegue atingir aquele cliente que quer um pouco de liberdade em algumas coisas.
Também restruturámos a nossa oferta na Polónia porque sentíamos que o destino, nos últimos anos, estava a sofrer um pouco com a proximidade à Ucrânia, portanto fizemos uma separação do norte e do sul do país. Assim, passamos a oferecer um circuito de Gdansk e Varsóvia mais pequeno e depois fazemos outro de Varsóvia com Cracóvia.
Para além disso continuamos a nossa aposta nos minicircuitos, em que este ano introduzimos um para Bruxelas e Bruges.
Quais os destinos de aposta este ano para as grandes viagens?
A China é a grande aposta. Em 2025, colocámos no mercado três produtos regulares para a China, embora não tinham 100% das características Nortravel em circuitos exclusivos, mas tivemos uma surpresa muito agradável em termos da recetividade do mercado. Vendemos muitos passageiros e isso permitiu-nos, em 2026, reprogramarmos a China com um circuito com as características Nortravel. Mantemos as partidas semanais nos voos regulares mas selecionámos seis datas para as quais constituímos grupos e saímos com as características Nortravel. As vendas estão a correr muito bem, e é uma das novidades deste ano.
Para que se entenda bem a diferença, o que é que são as “características Nortravel”?
É o cliente ter sempre o mesmo guia desde o primeiro dia até ao último, o grupo de passageiros ser constituído pelas mesmas pessoas, também do primeiro ao último dia, regra geral as refeições estão todas incluídas, portanto, estamos a falar de um conceito de uma viagem fechada. Isto apesar de, em alguns circuitos europeus, já termos começado a dar alguma liberdade, mas quando as refeições não estão incluídas, o guia acompanha os clientes a um lugar onde possam ter várias opções.
É um serviço exclusivo, que para além de ser uma viagem, é uma partilha de experiências e de convívio entre os passageiros. Tanto aplicado na Europa, como aplicado nas ilhas portuguesas, como aplicado nas grandes viagens, é este o conceito Nortravel.
“O que começámos a oferecer em 2025 na Madeira, avançámos para os Açores, para a Ilha de São Miguel, no final do ano passado e já abrimos para a Ilha Terceira, são os “Essências das Ilhas”, ou seja, circuitos com o conceito Nortravel, feitos em carrinhas, em full days, ocupamos o tempo das pessoas. O cliente escolhe o hotel que bem entende, tem flexibilidade de horários de aviões na ida e na volta, permite sair todos os dias e com dois participantes tem sempre garantida a sua viagem com um guia acompanhante nas visitas”
Em relação à oferta para as ilhas portuguesas, há novidades?
Em relação às ilhas portuguesas, e embora não seja uma novidade que saia em brochura, temos vindo a sentir que o aumento das ligações aéreas de várias companhias faz com que as pessoas tenham uma maior flexibilidade de viagem e optem muitas vezes pelo fly and drive, que é um produto que nós não comercializamos.
O que começámos a oferecer em 2025 na Madeira, avançámos para os Açores, para a Ilha de São Miguel, no final do ano passado e já abrimos para a Ilha Terceira, são os “Essências das Ilhas”, ou seja, circuitos com o conceito Nortravel, feitos em carrinhas, em full days, ocupamos o tempo das pessoas. O cliente escolhe o hotel que bem entende, tem flexibilidade de horários de aviões na ida e na volta, permite sair todos os dias e com dois participantes tem sempre garantida a sua viagem com um guia acompanhante nas visitas.
Correu-nos muito bem na Ilha da Madeira, permitiu-nos dar um leque de oferta de hotelaria muito grande ao cliente, porque estamos conectados com a Welcomebeds, e entretanto, também nos permitiu levar este conceito de oferta para a Ilha de São Miguel e agora para a Ilha Terceira.
Atentos à evolução do mercado, reforçámos a nossa posição nos circuitos com guia acompanhante, mas também complementámos com estes produtos regulares, que têm estado a crescer.
Quanto ao produto das grandes viagens, o que é que se destacou o ano passado que vos tenha permitido alargar este ano o leque de partidas?
O ano passado o grande destaque, embora seja na Europa, foi a Turquia, onde tivemos um crescimento muito acentuado. A segurança que o país dá aos turistas, a diversidade cultural, permitiu-nos crescer e estamos a ver o mesmo crescimento este ano, embora a Turquia em 2026 tenha ficado um pouco mais cara, mas nós temos as ligações aéreas com a Turkish Airlines, que é uma parceria muito importante.
Outro dos destinos que se destacou, embora a Nortravel não tivesse programas específicos para a Expo de Osaka, foi o Japão, que teve um crescimento muito acentuado e outro destino que também cresceu bastante para nós foi a Índia.
Depois, destaque também para o circuito ‘À descoberta de Cabo Verde’, que é muito característico. Nós vendemos as estadias na Ilha do Sal e na Ilha da Boavista, mas fazemos Santo Antão, São Vicente e Santiago, que é muito interessante para grupos entre 15 a 20 pessoas, que fazemos uma vez por mês, e aí sim caracteriza o destino que é a Cabo Verde com as condições que a Nortravel dá em termos de circuitos.


