Num ano que ainda é uma incógnita Nuno Anjos considera que “o mercado tem de começar a aprender a viver sem tantas campanhas”
Com as vendas para o destino Corfu a estarem dentro do perspetivado, o Viajar Tours está “acima do ano passado” nas vendas globais da sua programação para este verão, afirmou ao Turisver o diretor comercial do operador, Nuno Anjos, que frisa, no entanto, que dado o sucesso das campanhas de reservas antecipadas ainda “estamos na expectativa para ver se o crescimento que tivemos até agora é ou não um falso crescimento”.
Corfu é o destino novidade que o Viajar Tours tem para este ano. Como é que estão as vendas?
Estão dentro daquilo que perspetivávamos, por aquilo que conhecemos o destino, por aquilo que sentimos que era a procura, mesmo de outros mercados, sobre o destino. E também pelo próprio nome de Corfu, que faz com que seja um destino apetecível.
É uma ilha bastante apelativa, uma ilha pequena, fácil de conhecer, fácil de descobrir, e com muitos pontos à volta que fazem com que seja muito procurada, não só pelo que oferece ao turista, mas por exemplo, o facto de ter as ilhas de Paros e Antiparos, e a Albânia ali ao lado, também faz com que seja um destino bastante apelativo para o mercado.
São opcionais que não estamos a vender, mas que os clientes quando chegarem ao destino podem comprar essas excursões.
Muitas dos clientes que viajam no verão, vão com foco no sol e praia. Como é que são as praias em Corfu?
Existe uma praia no sul que é a melhor da ilha, a praia de Agios Georgios, que é lindíssima, é daquelas que perfaz todo o imaginário. Mas quanto a mim, as praias mais a norte, que são praias em enseadas, tanto no lado esquerdo da ilha como no lado oeste, que são as praias de Paleokastritsa, ou do lado direito, as praias das Baías de Dassia, por exemplo, são praias lindíssimas, extraordinárias. Podem ter algumas pedrinhas, sim, mas estamos a falar de ilhas vulcânicas, portanto, se não tivessem pedrinhas era anti natura.
São praias magníficas, com umas águas ótimas, e além das águas, com uma envolvência, proporcionada pelas tavernas gregas, que estão em cima, à beira da água, e que fazem com que uma pessoa possa passar ali um dia inesquecível.
A hotelaria que vocês programam em Corfu, fica nas praias? Que tipologias de hotéis é que programam?
Sim, todos os hotéis ficam nas praias, com regimes de alojamento que vão do pequeno almoço até ao tudo incluído.
Em termos de tipologias, programamos hotéis desde os duas estrelas, e aí eu falo de um hotel que é o Dassia Beach, que é aquele hotel com o preço mais simpático, e que é um hotel corretíssimo dentro da classificação que tem, tem bons quartos, bom atendimento, as pessoas são simpaticíssimas, além de que tem uma ótima localização, a cerca de 10 ou 15 minutos do centro da cidade de Corfu. Por exemplo, se uma pessoa quiser ir para o oeste da ilha, até às praias de Paleokastritsa, está a cerca de meia hora, a meia hora também do norte da ilha, para as praias de Acharavi, e a cerca de 30, 40 minutos a sul da ilha, para as praias de Agios Georgios, por exemplo.
Então é um sítio bastante central, em que o hotel tem uma localização que para mim é muitíssimo boa, mesmo porque está também ao lado da Marina de Kontokali, que é a maior marina da ilha, um sítio bastante internacional, muito giro, mas claro que existe alojamento para todos os bolsos.
No entanto, os agentes de viagens terão que ter o cuidado de informar os seus clientes de que este não é um voo direto, não é assim?
Certo. Este voo faz triangulação com o destino de Puglia no regresso. Ou seja, os clientes têm o voo direto na ida, e no regresso têm uma paragem de cerca de 50 minutos, em Puglia, no aeroporto de Brindisi, para uma paragem técnica e para a saída e entrada de passageiros.
“Muito sinceramente, acho que o mercado tem de começar a aprender a viver sem tantas campanhas. Tanto é que, nesta altura, aquilo que nós, Viajar Tours, estamos a fazer, é não adotar esse nome de campanha, mas sim a falar de uma oferta. Estamos a fazer ofertas com alguns parceiros e essas ofertas são refletidas dentro da reserva e não enquanto campanha por si só”
Deixando Corfu, como é que estão as vendas, no geral, agora que estamos na segunda metade de abril?
Estão acima do ano passado, no entanto há que notar que, para este ano, as vendas da Black Friday, correram muitíssimo bem. Depois, dentro dos outros dois grandes períodos de venda, que foi o Mundo Abreu e a BTL, houve, por parte do mercado, algumas campanhas dentro da sinalização mínima de 50 euros por reserva dos pacotes que as pessoas estavam a adquirir. Isso fez com que muito daquele mercado que apenas reservava quando recebia o IRS, pudesse ter efetuado aí as suas reservas, pelo que o crescimento que seria espectável para esta altura do ano poderá não se efetivar. Ou seja, estamos ainda na expectativa para ver se o crescimento que tivemos até agora é ou não um falso crescimento.
Se assim for, ainda se podem esperar campanhas?
Muito sinceramente, acho que o mercado tem de começar a aprender a viver sem tantas campanhas. Tanto é que, nesta altura, aquilo que nós, Viajar Tours, estamos a fazer, é não adotar esse nome de campanha, mas sim a falar de uma oferta. Estamos a fazer ofertas com alguns parceiros e essas ofertas são refletidas dentro da reserva e não enquanto campanha por si só. Há que mudar este estigma e há que preservar aquilo que são as reservas antecipadas e, aí sim, criar as tão procuradas campanhas. Nesta altura, acho que têm de ser consideradas as ofertas e não as campanhas.
Se pudesse dizer aos agentes de viagens, ‘temos aqui um destino que é excelente, que já estão habituados a vender connosco, façam favor, agora vendam porque nós ainda estamos abaixo daquilo que perspetivávamos’ qual era o destino que escolhia?
Onde ainda houver disponibilidade, porque nesta altura o mês de agosto está bem vendido. Dentro dos meses de junho e julho, ainda existe disponibilidade em praticamente todos os voos, e dentro desses meses, eu não posso estar a destacar nenhum destino porque à parte de Djerba, do Monastir e do Saidia, nós depois temos outros quatro destinos que são os chamados “os quatro magníficos”, em que cada um deles tem uma forma de viver, uma forma de estar extraordinária, e que são destinos únicos no mercado, que é o caso de Corfu, de que já falámos, o caso de Creta também, nas ilhas gregas, e depois a parte de Itália, que é a inesquecível Sardenha e a inigualável região de Puglia.
São destinos muito próprios, únicos, mas também muito difíceis de trabalhar, até por aquilo que é a procura que existe por parte de outros mercados. E provavelmente é por isso mesmo que nós somos os únicos a continuar a ter esses destinos. Se as pessoas ainda procuram por algum destino de férias dentro dos meses de maio, junho e julho, então, quer dentro dos quatro magníficos, quer no Saidia, no Djerba e na Tunísia continental, ainda há disponibilidade.
Depois há as partidas de final de época, que já serão em setembro, que também estão para se vender, não é?
Estão para se vender, mas nesta altura, mesmo as partidas de setembro, não estão assim tão más quanto isso, e já existem algumas que até estão fechadas.
Onde vocês sofrem mais concorrência, não é nos “quatro magníficos” mas no Norte de África, nomeadamente para Saidia e para os destinos na Tunísia. Como é que convivem com essa concorrência?
Até agora tem sido pacífica, é claro que são destinos que vivem pelo preço, não tanto Djerba, mas mais para Monastir e Saidia é um combate, no entanto, por exemplo o Monastir à partida de Lisboa está com uma ocupação bastante aceitável, do Porto é que está um bocadinho abaixo, e Saidia creio que está a ser uma agradável surpresa e as pessoas estão, neste ano de 2026, de regresso.
Dizia que estes eram destinos de preço. Isso tem a ver com alguma desvalorização do próprio destino?
Não é desvalorização. São destinos mais próximos, em que a proximidade leva a que as pessoas possam crer que existe um menor preço, podemos comparar, por exemplo, com o Porto Santo, que está também muitíssimo perto do continente mas onde o preço médio está altíssimo. No entanto, hoje em dia, estamos a ver que os clientes estão com tendência de procurar muito o curto e médio curso e não tanto o longo curso para fazerem as suas férias.
“A instabilidade é fulcral, hoje em dia. Existe muita volatilidade naquilo que é a procura das reservas face àquilo que vai acontecer no Médio Oriente e há muitas pessoas que, muito provavelmente, não considerariam ir para a Grécia ou para a Itália neste ano mas que, devido à instabilidade que se está a viver, estão a considerar e estamos a verificar um aumento nas reservas para estes destinos”
Isso tem a ver com a instabilidade geopolítica e económica que se está a viver ou já é uma tendência que vem de anos anteriores?
A instabilidade é fulcral, hoje em dia. Existe muita volatilidade naquilo que é a procura das reservas face àquilo que vai acontecer no Médio Oriente e há muitas pessoas que, muito provavelmente, não considerariam ir para a Grécia ou para a Itália neste ano mas que, devido à instabilidade que se está a viver, estão a considerar, e estamos a verificar um aumento nas reservas para estes destinos.
Essa instabilidade também provoca um forte aumento do preço do combustível e do combustível aéreo o que poderá levar os operadores a terem que fazer ajustamentos de preço face àquilo que as companhias aéreas os exigem, não é? Como é que está a decorrer, está a ser pacífico?
Está a haver alguma dor de cabeça, não por causa de um determinado aumento que possa existir mas por causa da própria volatilidade do mercado em que, numa semana o preço está a subir e na outra o preço está a descer. O problema é devido às exigências do mercado dos combustíveis dentro do jet fuel, que faz com que seja preciso existir provisões para o abastimento dos aviões e, em alturas em que o preço está a descer e nós estamos a aplicar preços, ou melhor, suplementos de combustível, é perfeitamente normal que o mercado possa olhar com alguma desconfiança para aqueles preços que estão a ser aplicados. No entanto, o mercado está a viver um momento em que uma notícia que foi dada há cinco minutos pode logo causar impacto sobre as reservas que tinham sido feitas há meia hora.
Nesta altura os operadores já estão quase todos a falar e a esboçar os seus projetos para o final do ano. Nos últimos anos, o Viajar Tours habituou o mercado a que a sua programação seja toda na base dos voos regulares. É essa a perspetiva também para este ano?
Nesta altura ainda posso dizer que estamos a tentar fazer uma ou outra operação em voo especial mas ainda não está nada concretizado. É uma vontade nossa, porque vemos que existe procura para esse tipo de produto, mas nesta altura ainda não podemos adiantar nada.
Na perspetiva de avançarem para algum charter, vão fazê-lo sozinhos ou será uma participação conjunta com outros operadores?
Existem duas hipóteses que poderão ser partilhadas e uma outra hipótese que poderá ser exclusiva do Viajar Tours.


