Novo Aeroporto de Lisboa em Alcochete vai custar até 8,9 MM€ e deverá abrir “a partir de 2035”
O novo Aeroporto de Lisboa (Aeroporto Luís de Camões, em Alcochete) vai representar um investimento entre 7,9 a 8,9 mil milhões de euros, a preços de 2024, segundo o relatório técnico da ANA, apresentado esta quarta-feira, que aponta a entrada em funcionamento da nova infraestrutura “a partir de 2035”.
De acordo com os documentos apresentados, a construção da nova infraestrutura aeroportuária que irá servir Lisboa e substituir o Aeroporto Humberto Delgado, deverá iniciar-se em 2029, para ficar concluída até 2033, altura em que começarão os testes. A entrada em funcionamento do Aeroporto Humberto Delgado está prevista “a partir de 2035”, data que representa uma antecipação face ao prazo anteriormente previsto que apontava para 2037.
“O relatório técnico permite-nos avaliar com um pouco mais de precisão os faseamentos da realização das obras, a duração e identificar melhor a faixa de custos de construção do projeto”, afirmou o presidente da comissão executiva da ANA, Thierry Ligonnière, durante a apresentação que teve lugar esta quarta-feira, 22 de julho, no Centro Cultural de Belém, intitulada “Expansão e modernização do sistema aeroportuário nacional: ligar Portugal ao Mundo”.
Até ao início da construção, em 2029, há ainda vários trâmites a cumprir. Assim, a ANA – Aeroportos de Portugal deverá entregar, ainda este mês, o Estudo de Impacto Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente. Depois, até janeiro de 2027, terá que apresentar o relatório financeiro, seguindo-se a conclusão da candidatura à construção do novo aeroporto, até janeiro de 2028.
A ANA / Vinci Airports, concessionária dos aeroportos, prevê financiar o projeto através da emissão de dívida no valor de 7 mil milhões de euros, propondo igualmente que as taxas aeroportuárias cobradas no Aeroporto Humberto Delgado tenham um aumento progressivo a partir j+a deste ano e até 2030, tendo também em vista o financiamento da nova infraestrutura.
No relatório, a concessionária também propõe o prolongamento do contrato de concessão até 2092, ou seja, mais 30 anos do que o previsto, para assegurar o reembolso do investimento.
56 milhões de passageiros / ano, podendo crescer até aos 85 milhões
Quando iniciar operações, o novo aeroporto terá capacidade para processar 56 milhões de passageiros por ano, no entanto, a infraestrutura permitirá acompanhar o crescimento da mobilidade aérea em Portugal nas próximas décadas, com desenvolvimento até 85 milhões de passageiros.


De acordo com os documentos da ANA, o projeto prevê duas pistas na fase inicial, 64 portas de embarque, 72 pontes de embarque em contacto, um terminal de passageiros com cerca de 500.000 m² e soluções tecnológicas orientadas para a otimização das operações e para a melhoria da experiência do passageiro.
A 20 minutos do Centro de Lisboa por ferrovia
Com a abertura da linha de alta velocidade e da ligação dedicada ao aeroporto que está prevista para 2034, o novo aeroporto ficará a cerca de 20 minutos do centro de Lisboa, segundo foi avançado esta quarta-feira na sessão de apresentação da nova infraestrutura.
“O Aeroporto Luís de Camões será servido por uma ligação ferroviária de alta velocidade, com um serviço shuttle direto ao centro de Lisboa em cerca de 20 minutos, através da Terceira Travessia do Tejo”, garante a concessionária que no relatório técnico apresentado esta quarta-feira frisa que a nova estação será servida por quatro linhas e três plataformas, com ligações diretas de longo curso a várias regiões do país, e uma redução de cerca de 30 minutos nos tempos de viagem para o Algarve e o Alentejo.
Além da ferrovia e da terceira Travessia do Tejo, está prevista a construção de 250 quilómetros de novas estradas e a requalificação de mais de 50 quilómetros da rede existente.
Investimentos na Portela continuam
Entretanto, a ANA prossegue o Programa de Investimentos em curso e previstos para a modernização das infraestruturas aeroportuárias da rede portuguesa. Entre os principais projetos incluem-se, em Lisboa, a ampliação do Terminal 1, a nova placa de estacionamento de aeronaves, a área de controlo de fronteiras e expansão do Terminal 2; no Porto, a renovação integral da pista, o novo Centro de Controlo das Operações Aeroportuárias e a modernização do terminal; bem como projetos de expansão e modernização em Faro, renovação dos terminais nos Açores e na Madeira.
“A entrega do Relatório Técnico de Engenharia representa uma etapa importante na preparação do futuro aeroporto de Lisboa e confirma o cumprimento do calendário previsto”, afirma Nicolas Notebaert, CEO da VINCI Concessions e presidente da VINCI Airports, citado em comunicado.
O responsável sublinha ainda que “em paralelo, continuamos a desenvolver o programa de investimentos nas atuais infraestruturas aeroportuárias do país, com o objetivo de reforçar a capacidade, a eficiência operacional e a qualidade de serviço da rede portuguesa.
“A VINCI Airports continuará a colocar a sua experiência técnica, operacional e financeira ao serviço do desenvolvimento de infraestruturas aeroportuárias modernas, competitivas e sustentáveis, capazes de responder à evolução da mobilidade aérea, apoiar a conectividade do território e contribuir para a transição ambiental do setor”, conclui.
Já Miguel Pinto Luz ministro das Infraestruturas e Habitação, afirmou: “Sonhámos durante 50 anos com um novo aeroporto e hoje estamos a cumpri-lo. Estamos a investir mais de 400 milhões nos aeroportos de hoje e no aeroporto Luís de Camões de amanhã, para construir um Portugal que cresce, ligado de norte a sul e das ilhas ao mundo, e que abre as suas portas a 40 milhões de passageiros.”


