Nível de confiança no Turismo atinge o 2º valor mais elevado para o último trimestre do ano
A última edição do Barómetro do Turismo do IPDT revela que o setor do turismo entra no último trimestre do ano com um nível histórico de confiança e com perspetivas muito positivas para o Natal e Fim de Ano, período que habitualmente reforça a dinâmica da atividade turística.
Em outubro, o nível de confiança no setor do turismo fixou-se nos 83,2 pontos, o segundo mais elevado de sempre registado num 4.º trimestre, desde 2010 e apenas superado pelos 83,3 pontos obtidos registados em dezembro de 2016.
Contudo, os comentários dos profissionais apontam preocupações estruturais como o crescimento acelerado da oferta, sobretudo em Lisboa e Porto, que poderá não encontrar correspondência na procura durante a época baixa; a crescente perceção de insegurança em áreas urbanas e a falta de resposta na operação aeroportuária, com particular incidência no aeroporto de Lisboa; e ainda o risco de perda de rentabilidade dos projetos hoteleiros, face ao aumento da capacidade instalada.
Perspetivas para o Natal e Fim de Ano
Relativamente às perspetivas para a época de Natal e Fim de Ano, os profissionais do setor que responderam ao inquérito do IPDT, antecipam uma quadra natalícia com bons resultados, tanto no mercado interno como externo. A maioria dos respondentes aponta para um ligeiro crescimento no número de hóspedes e dormidas, com um crescimento mais expressivo nas receitas, indicador que reflete uma valorização da oferta turística e maior predisposição para o gasto por parte dos turistas.
De acordo com as respostas obtidas, o mercado interno deverá manter um desempenho muito próximo do verificado no mesmo período de 2024. A maioria dos profissionais antecipa estabilidade no número de turistas (51%) e no número de dormidas (50%). No entanto, 47% dos respondentes projetam um aumento das receitas face ao mesmo período de 2024.
No que se refere aos mercados externos, as projeções apontam para uma forte concentração cinco mercados principais: Espanha (89%), Reino Unido (80%), França (64%), Estados Unidos da América (61%) e Alemanha (50%), confirmando assim a relevância dos mercados europeus de proximidade.
Apesar de menos expressivos, mercados como Brasil (45%) e Países Baixos (30%) mantêm-se relevantes, seguidos por Irlanda, Canadá e Itália, que surgem como mercados complementares com margens de crescimento.
1º semestre de 2026
Para o primeiro semestre de 2026 as perspetivas do painel de respondentes são maioritariamente positivas. O destaque vai para a expectativa de uma redução da carga fiscal (-12 pontos), apontada como a principal mudança face ao mesmo período do ano anterior.
Os indicadores com previsões mais favoráveis incluem o investimento privado (44 pontos), a atividade do turismo (43 pontos) e a procura turística externa (37 pontos) e interna (26 pontos).
“Apesar deste cenário positivo, subsistem sinais de alguma cautela, nomeadamente em relação à rentabilidade das empresas (2 pontos), que se mantém nos mesmos níveis de 2025, e ao ligeiro aumento previsto do endividamento (12 pontos), que poderá estar associado à intensificação dos investimentos em curso no setor”, assinala o IPDT.
António Jorge Costa, presidente do IPDT, sublinha: “Atingir o segundo valor mais elevado de confiança desde 2010, num quarto trimestre, revela um setor que se desenvolve e projeta com visão estratégica. Este resultado reflete uma maturidade crescente dos agentes turísticos, capazes de gerar valor durante todo o ano. Os resultados do Barómetro do Turismo para o Natal e Ano Novo 2025 são disso exemplo, sendo esperados valores recordes ao nível das receitas turísticas.”

