Newtour/MS Aviation afirma ter “uma visão estratégica para o dia seguinte à compra” da Azores Airlines
A estratégia “para o dia seguinte” passa por “alterar o modelo de negócio e gestão” porque “não se pode mudar de acionista para deixar tudo na mesma”. Afirmando-se disponível para implementar essa nova “visão estratégica”, o consórcio alerta, no entanto, que ela de nada servirá “sem apoio para a implementar”
Numa nota difundida esta quinta-feira. 18 de setembro, o consórcio recorda que a Azores Airlines tem prejuízos acumulados de 486 milhões de euros, situação indicadora de que “o problema da empresa não é conjuntural, mas sim estrutural”, precisando, por isso, de uma transformação que o “Agrupamento Newtour/MS Aviation está disponível para liderar”, garantindo mesmo “tudo fará para devolver à companhia aérea a estabilidade necessária, o prestígio que merece e a sustentabilidade indispensável para competir num setor altamente exigente”.
Em troca, o consórcio “pede aos trabalhadores um apoio ativo à transformação”, garantindo mesmo que o futuro da SATA “depende” deste “compromisso colectivo”.
“Não se pode mudar de acionista para deixar tudo na mesma”, sublinha o consórcio, justificando que “não é com as soluções de sempre que se garante o futuro que a SATA, os trabalhadores e os açorianos, em geral, merecem e precisam”.
“A SATA precisa, urgentemente, de estabilidade operacional para recuperar a confiança do mercado”, o que implica “uma gestão profissional” e “independente” que “coloque os interesses da companhia acima de tudo”, mas precisa, também, de adequar a rede de rotas à frota, ajustar a manutenção e “otimizar os recursos humanos, através de um planeamento mais rigoroso, equitativo e transparente na utilização das tripulações, e de uma formação planeada, integrada e capacitada”, lê-se na nota divulgada.
“A SATA tem de ajustar a atividade à sua capacidade operacional. É esse o caminho para uma empresa sustentável, que preste um melhor serviço aos clientes, que garanta estabilidade aos trabalhadores. E nada disso se consegue sem alterar o modelo de negócio e gestão”, afirma o Agrupamento, afirmando ter “uma visão estratégica para o dia seguinte à compra da SATA – se esse dia chegar“, a qual já foi transmitida à SATA Holding e aos sindicatos.
Porque “de nada serve uma estratégia robusta sem apoio para a implementar”, a Newtour/MS Aviation faz notar que “É decisivo que pilotos e pessoal de cabine digam se estão contra ou a favor e esclareçam todas as suas dúvidas”. O Agrupamento aguarda, assim, a decisão definitiva dos trabalhadores, para avançar (ou não) para a provatização.
“Compete aos trabalhadores – e só a eles – analisar e decidir se a companhia aérea tem ou não viabilidade futura”, afirma ainda o consórcio, recordando que “a urgência na tomada de posição não é uma imposição do Agrupamento” mas sim “da própria SATA, que não aguenta por muito mais tempo ter 15% da faturação em prejuízo, e decorre dos compromissos assumidos pelo Governo da Região Autónoma dos Açores junto da União Europeia”.
A Newtour/MS Aviation lembra ainda, na nota difundida, alguns dados dos relatórios e contas entre 2022 e 2024, que contextualizam os problemas da companhia: aumento de 25% no número de trabalhadores, com subida de 61% na despesa com o pessoal; aumento de 466% com acordos de pré-reforma; mais 70% de despesa com serviços externos; gastos com ACMI a aumentarem de 4,4 milhões para 28 milhões de euros, sem gerarem valia estrutural para a empresa – para citar apenas alguns dos dados.


