Newtour/MS Aviation acusa SATA Holding de impedir discussão da estratégia para a Azores Airlines com os trabalhadores
“O futuro da Azores Airlines está preso num colete de forças, criado pela Administração da SATA Holding”, afirma o consórcio em comunicado, sublinhando que a atitude da SATA ”só pode ser entendida como uma manobra” que visa “impedir a privatização”.
Em comunicado emitido na sexta-feira, 24 de outubro, o agrupamento Newtour/MS Aviation, único interessado na privatização da Azores Airlines, considera “inaceitável” e a “bloqueadora” a atitude do Conselho de Administração da SATA Holding, S.A., que, segundo o consórcio, “tem erguido sucessivos condicionalismos ao diálogo” e “impedido os trabalhadores de conhecerem a verdadeira situação da empresa”.
Após ter visto recusado o seu pedido de “autorização formal” para dialogar com os trabalhadores, sindicatos e seus representantes, a Newtour/MS Aviation, acusa a Administração da SATA de “impedir uma conversa factual e transparente entre quem trabalha na empresa e quem a quer adquirir”, uma atitude que o consórcio entende como “uma manobra”.
Segundo o consórcio, o Conselho de Administração “sabe, desde a primeira hora, que o diálogo franco e honesto é condição essencial do Agrupamento para a apresentação de uma proposta e, ao não autorizar o diálogo, não só esconde a realidade da companhia aérea como nega aos trabalhadores o direito de conhecerem o Projeto Estratégico do Agrupamento”.
“Desta forma, o Conselho de Administração tem contribuído para alimentar a desinformação, disseminada com maior intensidade ao longo das últimas semanas”, acusa o agrupamento.
O consórcio admite que a assinatura do compromisso de confidencialidade impede “conversas, negociações, condições e qualquer outro facto ou informação relacionado com a transação que não seja público, bem como qualquer informação desenvolvida de forma independente pelo beneficiário [Agrupamento Newtour/MS Aviation], ou em seu nome, no âmbito da transação, independentemente de ter sido divulgada antes, após ou na data do presente compromisso de confidencialidade” mas assegura que “tem respeitado a reserva que um processo desta natureza exige, nunca foi partilhar informação com estranhos, mas sim com os trabalhadores da Azores Airlines, a quem não pode ser negado o direito à verdade”.
O consórcio entende, por isso, que “o futuro da Azores Airlines está preso num colete de forças, criado pela Administração da SATA Holding, com o objetivo aparente de impedir a privatização. E essa responsabilidade deve ser assumida”, lê-se no comunicado.
Afirmando continuar empenhado em “apresentar uma solução sólida, convicto de que tal só será possível com verdade e transparência porque só assim se conquista a confiança dos trabalhadores” o grupamento Newtour/MS Aviation afirma que “o tempo das desculpas acabou. Ou se trabalha, em conjunto, para salvar a Azores Airlines – o que implica abertura ao diálogo – ou ficará claro, aos olhos de todos, quem não quer que a companhia aérea tenha futuro”.

