Necessidade de segurança fortalece as viagens organizadas, afirma o presidente da DRV
Na abertura da conferência anual da Associação Alemã de Viagens (DRV), na passada sexta-feira, em Ponta Delgada, nos Açores, o presidente da entidade destacou a resiliência da indústria de viagens e a importância das viagens organizadas como fator estabilizador num mundo afetado por tensões geopolíticas.
O aumento dos preços da energia, a pressão inflacionária e as incertezas económicas estão a mudar o comportamento do consumidor. Levando-o a tomar decisões de forma mais consciente, nomeadamente quando se trata de viajar, referiu o presidente da Associação Alemã de Viagens (DRV), na abertura da conferência anual da entidade associativa, que decorreu em Ponta Delgada (Ilha de São Miguel, Açores), na passada sexta-feira, 17 de abril.
“Os viajantes buscam segurança para o seu dinheiro, confiabilidade no planeamento e suporte em caso de imprevistos”, afirmou Albin Loidl, destacando que “isso aumenta a importância dos pacotes de viagens organizados. Pacotes turísticos e consultoria personalizada estão a tornar-se cada vez mais relevantes”, afirmou.
O responsável frisou ainda que “o futuro das agências de viagens não reside na competição de preços, mas sim na sua especialização”, pelo que “as viagens individuais e complexas continuam a ser a área em que a consultoria profissional oferece um verdadeiro valor agregado.
As tensões geopolíticas que marcam a actualidade e as incertezas económicas, foram referidas pelo presidente da DRV, sublinhando que, perante estas situações, o setor das viagens enfrenta desafios consideráveis. Ainda assim, deixou claro que “o desejo dos alemães de viajar permanece forte”.
Referindo-se directamente aos conflitos atuais, especialmente a guerra no Médio Oriente, Loidl afirmou que estão a ter um impacto notável nas viagens internacionais e a causar incerteza em todo o mundo. “A experiência mostra que essas crises têm um efeito moderador de curto prazo no comportamento de viagem. No entanto, não estamos a ver um declínio estrutural na procura”, diz o presidente da DRV.
Mas ainda que a procura viagens permaneça forte, os padrões de reserva estão a alterar-se, uma vez que ”as reservas estão a materializar-se mais tarde“. No entanto, no caso de a situação geopolítica verificar uma desescalada, “uma estabilização e uma recuperação nas reservas são mais prováveis do que um declínio sustentado na atividade de viagens”, afirmou.
O responsável enfatizou, também, a importância social do turismo, já que em muitas regiões do mundo, o turismo é uma importante fonte de receita. “Viajar não é um luxo em sentido estrito – viajar é um fator estabilizador num mundo globalmente interconectado”, explica o presidente da DRV. Neste sentido, uma queda no turismo tem repercussões diretas na estabilidade económica e no desenvolvimento social, e, portanto, em sociedades inteiras.
Apesar dos desafios atuais, a DRV considera o setor resiliente e bem posicionado. Além dos riscos geopolíticos, das incertezas económicas e dos elevados custos, as novas tecnologias, os modelos de negócios inovadores e o ainda forte desejo de viajar oferecem enormes oportunidades. “A mudança não é apenas um desafio – a mudança é, acima de tudo, uma oportunidade”, concluiu o presidente da DRV.


