Na Conferência da AHETA Pedro Costa Ferreira reafirmou que “este meu quinto mandato já está decidido que é o último”
O presidente da APAVT respondia assim a Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve, que moderou um painel em que participaram as associações do setor, e em que se referiu a Pedro Costa Ferreira como “penta presidente” por estar já a cumprir o seu 5º mandato à frente dos destinos da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo.
“+30 anos de governação colaborativa: perspetivas e concertações” foi o tema de um dos painéis da conferência “Turismo + 30” realizada pela AHETA na passada quinta-feira, no Algarve Marriott Salgados Golf Resort & Conference Center, em Albufeira . Moderado por Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve, o painel teve como intervenientes os presidentes de oito associações do setor que falaram das mudanças verificadas nos últimos 30 anos e dos desafios futuros.
Neste painel, Paulo Águas dirigiu-se ao presidente da APAVT como “penta presidente” por estar à frente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo há 5 mandatos sucessivos. Um ‘quase repto’ que Pedro Costa Ferreira não deixou passar ‘em branco’, aproveitando para esclarecer que este seu quinto mandato está a terminar e que será mesmo o último: “(…) está a acabar, e não é uma questão dos estatutos, este meu quinto mandatojá está decidido que é o último”, fez questão de frisar.
Sobre as alterações com maior impacto na atividade das agências de viagens ao longo das últimas três décadas,Pedro Costa Ferreira escusou-se a classificá-las como boas ou mais, preferindo dizer que “há evolução do mundo e com essa evolução nós temos desafios e temos que encontrar as respostas para esses desafios”.
Elegeu depois três grandes evoluções que marcaram estas três décadas, nomeadamente, “a expansão brutal da internet, que trouxe toda a informação para as mãos do consumidor; a liberalização do espaço aéreo, que trouxe muito mais concorrência e baixou de forma drástica o preço das viagens, que vieram por isso para a zona quase de um commodity; e a explosão económica na Ásia, que provocou, ela própria, uma explosão do turismo a nível mundial”.
Estas três evoluções fizeram, segundo Pedro Costa Ferreira, com que “há 50 anos as agências de viagens fossem absolutamente imprescindíveisquando se falava de uma viagem” enquanto “hoje não é assim” por que a concorrência passou a desenvolver-se ao longo da cadeia de valores, o que “é uma característica muito especial deste setor”.
“Muitos de nós, ou das empresas desses subsetores, podem trabalhar com o mesmo cliente e podem disputá-lo, e isso é quase único, e as agências de viagens que eram imprescindíveis começaram hoje a ter absoluta necessidade de criar valor, como todos os outros intervenientes económicos”, disse, defendendo que, nesta necessidade de criar valor, o setor “não se tem portado mal”.
De acordo com dados de 2023 de um estudo realizado pela EY Parthenon para a APAVT, o valor económico da distribuição turística estava nos 7,8 mil milhões de euros, representando 2,8% do VAB nacional, ou seja, “representa 16 vezes o VAB de AutoEuropa”
Tanto assim é que, de acordo com dados de 2023 de um estudo realizado pela EY Parthenon para a APAVT o valor económico da distribuição turística estava nos 7,8 mil milhões de euros, representando 2,8% do VAB nacional, ou seja, “representa 16 vezes o VAB de Autoeuropa”.
Voltando a responder a uma questão do moderador do painel, que recordou que o presidente da APAVT afirmara recentemente que os principais desafios para 2025 seriam os preços na hotelaria, Pedro Costa Ferreira esclareceu que “o problema não são os preços altos, não é isso que está em causa”, o que está em causa é que os preços altos devem ter a ver com a qualidade de serviço e “aí é que vemos alguns problemas para o futuro” sendo que o maior “tem a ver com a mão de obra, com a formação”, o que se relaciona também com o facto de a maioria da mão de obra ser imigrante e de, no caso especifico do Algarve, com a “falta de mobilidade interna”.


