Ministro do Ambiente alertou a indústria do golfe e recebeu logo a resposta
Em entrevista à agência Lusa, o ministro do Ambiente, alertou os empresários da indústria do golfe para se salvaguardarem, investindo “naquilo que lhes permite ter água” porque se começar a faltar água para consumo das pessoas o Governo irá aplicar “as restrições que forem necessárias”. Os empresários do setor já reagiram às declarações do governante.
Apesar de não estarem, para já, previstas quaisquer restrições ao consumo de água, o ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, disse esta segunda feira à agência Lusa que “vamos ter que nos habituar a viver com menos água, todos, as atividades agroindustriais também, os setores económicos, e temos todos que olhar para aquilo que são as oportunidades que temos”
“Não vale a pena, quem promove determinado tipo de investimentos ou infraestruturas, não ter em consideração que a água é um recurso escasso”, sublinhou o governante, deixando claro que quem investe sem ter em conta a escassez de água pode ter consequências.
Sempre que há seca, a problemática dos campos de golfe é tema que fica em cima da mesa e desta vez não foi exceção, com o ministro a pedir aos empresários da indústria de golfe que olhem para o território e se salvaguardem. “Setores económicos que precisam de água é bom que invistam naquilo que lhes permite ter água, que é captações no mar, águas reutilizáveis, aproveitar a eficiência… têm mesmo de o fazer, não é uma questão de escolha”, afirmou.
CNIG aceita investir quando todos, incluindo o Estado, o fizerem
As declarações do ministro tiveram de imediato resposta por parte dos industriais do golfe. Em declarações à TSF, Luís Correia da Silva, presidente do CNIG – Conselho Nacional da Industria do Golfe, começou por explicar que o total de campos em Portugal não representa mais de 2.500ha de área regável e que, ao contrário de muitas indústrias “as empresas de campos de golfe já há muitos anos que desenvolvem as melhores práticas na redução dos consumos de água e na tentativa de utilização de água de outras fontes que não as tradicionais”.
Por outro lado, acrescentou, “constroem lagos para rega, recuperam água da drenagem e há um princípio muito interessante do ponto de vista dos campos de golfe que é contrário à agricultura ou a qualquer outra atividade, é que quanto menos a relva crescer menos custo temos em a cortar”.
Luís Correia da Silva revelou também que o golfe tem tido dificuldade em usar água tratada dos esgotos: “Só há uma ETAR no país, que é no Algarve, que produz água reciclada para um campo de golfe porque todas as outras ETARs pelo país inteiro, mais ou menos próximas de campos de golfe, até agora ainda não disponibilizam água para ser utilizada”.
Deixou ainda a garantia que o setor está pronto a investir mas só o fará quando outras atividades, incluindo do Estado, o fizerem. “Se houver necessidade de investir em soluções alternativas, isso tem que ser distribuído por todas as entidades e por todas as indústrias, incluindo a administração pública e as autarquias”, afirmou.
Também o presidente da Federação Portuguesa de Golfe (FPG), Miguel Franco de Sousa, defendeu, em declarações à Lusa, que “a maioria dos campos de golfe têm sistemas de rega altamente modernos”, que permitem “não gastar qualquer gota de água que não seja absolutamente necessária”. Embora reconhecendo que há ainda alguns campos que “carecem de requalificação dos seus sistemas de rega”, isso é “uma ínfima parte”, pois “a esmagadora maioria e, em particular no Algarve, onde o problema é maior, os campos têm sistemas de rega e drenagem já muito bons”, que permitem um mínimo de consumo de água.
Os campos de golfe do Algarve, frisou Miguel Franco de Sousa, “consomem apenas 6,4% do total de água consumida nesta região. O setor que mais consome é o agrícola, com quase 57%”, pelo que, defende, o “golfe não é o ‘elefante na sala’” e “não deixa o país em seca”.
O responsável chamou ainda a atenção para o impacto socioeconómico do golfe no Algarve, onde “representa cerca de 13% do valor acrescentado bruto, em resultado dos 500 milhões de euros de impacto direto induzido na economia da região, gera cerca de 17 mil postos de trabalho, que são mantidos ao longo de todo o ano, (…) e emprega diretamente duas mil pessoas”.


