Miguel Cymbron: “O mercado nacional será até aquele em que podemos confiar mais”
Em entrevista ao Turisver, Miguel Cymbron, diretor de vendas e marketing do Grupo VIP Hotels, avança que os meses de julho e agosto foram muito positivos para as unidades da rede. O comportamento dos vários mercados e segmentos e as perspetivas que se abrem para os meses mais próximos foram também tema de conversa, bem como o aumento de custos com que a hotelaria está a debater-se.
Como é que está a ser o ano para o Grupo VIP Hotels?
O ano pode dividir-se em duas partes, o primeiro semestre e os dois meses do segundo semestre. No primeiro semestre continuámos em perda relativamente a 2019, apesar da recuperação face ao passado recente, mas os meses de julho e agosto foram muito positivos. Comparando com o mesmo período de 2019, estamos a vender menos mas estamos a vender a preços mais elevados.
São resultados que ficam muito a dever-se ao mercado português, aos mercados da Europa Ocidental, ao Brasil e aos Estados Unidos e também ao Canadá, embora menos.
Citou o mercado dos Estados Unidos. No momento, face à valorização do dólar, este é um mercado ainda mais apetecível?
O mercado americano tem tido uma performance fantástica, muito acima das nossas expectativas. Mesmo sendo nós uma cadeia regional – todos sabemos que o cliente norte-americano tem uma apetência muito grande pelas cadeias e marcas americanas – demos um salto muito significativo e os Estados Unidos são um mercado onde a aposta vai continuar.
A verdade é que não era preciso que o dólar estivesse em paridade ou mais valorizado do que o euro para que Portugal fosse um país barato para os americanos, mas agora ainda está mais barato e sem dúvida que para eles Portugal é um destino fantástico, pela proximidade, pela oferta e pelo custo.
Já nota alguma recuperação no segmento da Meeting Industry?
Já, não só ao nível da Meeting Industry mas também na área corporativa. A área dos eventos também tem vindo a recuperar mas, objetivamente, os meses em que superámos os valores de 2019 foram os dois últimos meses onde, com onde clientes de lazer, sobretudo, individuais, mas também com a reativação dos grupos, que já estão a funcionar muito bem.
O comportamento do vosso hotel nos Açores vai na mesma linha dos de Lisboa?
Nestes meses de verão estará até acima dos nossos hotéis de Lisboa em termos de ocupação, aliás é um hotel onde a ocupação dispara sempre no verão, uma época em que acaba por subir sempre umas posições no ranking de fracturação dos nossos hotéis, mas este ano, o que posso dizer é que tem tido uma performance fantástica.
Mercados asiáticos podem começar a aparecer
Para o pós-verão, e até ao final do ano, a perspetiva é positiva?
Temos uma perspetiva positiva para os meses de setembro e outubro mas os meses de Novembro e dezembro continuam ainda a ser uma incógnita.
Há quem esteja muito preocupado com a reação do mercado nacional no próximo ano. Partilha da preocupação?
Penso que o mercado nacional será até aquele em que podemos confiar mais, muito embora para nós, VIP Hotels, a dimensão do mercado nacional não seja muito significativa.
Também há a perceção de que os mercados asiáticos poderão vir a retomar no próximo ano.
Sim, o mercado japonês, claramente, mas tenho muitas dúvidas quanto ao mercado chinês e era muito importante que retomasse. Mas temos que ter em conta a atualização de preços muito significativa que tem sido feita e não sei como é que vão reagir. O preço não será o maior entrave mas também conta.
O aumento do custo da energia, que tem reflexos na operação hoteleira, está a ser a grande preocupação?
Os custos são uma enorme preocupação porque não são só os da energia, são também os da alimentação e bebidas e os custos com o pessoal. São três mega rubricas que estão a onerar muito a operação e fazem com que a questão das receitas não seja líquida.
De alguma forma, estamos a conseguir passar grande parte desses custos para o preço ao cliente final porque a hotelaria, finalmente, consciencializou-se que não era através do abaixamento de preços que iria conseguir recuperar e acredito que essa situação tenha muito a ver com o facto de nós, antes de iniciarmos a recuperação, termos visto os custos a dispararem. Já antes da guerra havia uma tendência de subida dos custos, nomeadamente ao nível da energia já estavam a acontecer aumento significativos. O mesmo aconteceu ao nível dos custos com o pessoal porque a escassez de mão-de-obra tem criado uma pressão muito grande a esse nível.
Para fazer frente a estes aumentos, há que tentar reduzir custos, nomeadamente através de consumos energéticos e hídricos mais racionais. Que medidas têm tomado neste âmbito? Têm tentado sensibilizar os hóspedes?
A racionalização dos consumos já era uma prática antes dos aumentos de custos da energia e dos problemas com a escassez de água e, claro, também já tentávamos há muito sensibilizar os hóspedes para as boas práticas mas a questão é que o cliente é livre de agir como entender.
Sei que acompanha sempre com muita atenção a promoção turística. Neste momento, a promoção turística de Lisboa está a correr bem?
Neste momento, as coisas estão a correr muto bem. Para o futuro, penso que a principal preocupação que existe é o aeroporto de Lisboa. Não é uma questão de posicionamento do país a nível internacional, que esse, de momento, é bom. A questão está na capacidade de aumentar os fluxos, considerando que a oferta hoteleira não para de aumentar.
O grupo VIP Hotel está a perspetivar novos investimentos, novas unidades hoteleiras?
Tem. Há projetos que já vinham de antes da pandemia, como o do hotel próximo do aeroporto, mas ainda não temos datas. Depois, temos o VIP Executive Marquês Aparthotel que está em remodelação total e deverá entrar em funcionamento no próximo ano, embora também ainda não tenhamos datas. Vai ser uma remodelação integral e será um produto de quatro estrelas com muita qualidade, com 84 apartamentos de 48m2.


