Miguel Albuquerque: “Se compararmos com alguns destinos, como Maiorca, por exemplo, o nosso turismo não é massificado”
Em declarações ao Turisver à margem de um evento promovido esta quarta-feira, 25 de fevereiro, pela Associação de Promoção da Madeira, na BTL, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, garantiu que o turismo da Madeira não está massificado e que a aposta está a ser feita no turismo de qualidade.
Quais são as perspectivas do Governo da Madeira para 2026 em termos de turismo?
Nós atingimos um pico no turismo em 2025. Em 10 anos, mais do que duplicámos o RevPAR, os proveitos, o número de turistas e de dormidas, ou seja, duplicámos todas as variáveis de crescimento turístico. Agora o grande desafio que se coloca para nós é o de melhorarmos a qualidade da oferta, melhorarmos o serviço, melhorarmos o produto, e melhorando o produto ter um preço sempre mais elevado, no sentido de garantirmos maior rendimento com a contenção da massificação turística.
Uma questão que se coloca muito tem a ver com os constrangimentos do aeroporto da Madeira. O que é que está a ser feito para que esses constrangimentos sejam reduzidos?
Se analisarmos o número de voos e de operações, nós neste momento trabalhamos com mais de 40 companhias aéreas, com dezenas e dezenas de destinos, isso significa que o aeroporto tem alguns condicionamentos, mas não são condicionamentos extraordinários.
Se pensarmos nos aeroportos do Norte da Europa ou mesmo dos Estados Unidos, há sempre condicionamentos, como acontece com os nevões. O que nós estamos neste momento a fazer é tentar realizar um estudo sistemático sobre as condições da operacionalidade do aeroporto com ventos, adequando essa operacionalidade aos desenvolvimentos técnicos do século XXI. Ou seja, nós fizemos um estudo de limite de vento no início de 1960, com um avião de 1945, e neste momento o que estamos a fazer é uma adaptação das condições da operacionalidade em função das condições de vento, porque sendo as condições de operação técnica as mesmas, tanto os aviões como os desenvolvimentos tecnológicos são completamente diferentes.
Demora algum tempo, a termos a fiabilidade das condições técnicas para podemos afirmar com toda a segurança que podemos operar em determinados momentos. Isso é o que está a ser feito neste momento.
A Madeira ainda tem espaço para acrescer a nível da oferta hoteleira?
Nós neste momento não temos uma massificação. Se compararmos com alguns destinos, como Maiorca, por exemplo, o nosso turismo não é massificado. Nós temos um programa de ordenamento turístico que acaba em 2027 e em que nem sequer atingimos o limite do número de camas que estava previsto, mas a nossa ideia é, na revisão que estamos a fazer, dar um grande enfoque na qualidade e nas tipologias de hotéis de design e de alta qualidade.
Portanto, o que nós pretendemos neste momento é uma aposta fundamental no luxo, na qualidade, no upgrade, aliás, temos um programa complementar que se chama UPGRADE, e esse upgrade é transversal a todas as áreas conectadas com o turismo.
Desde logo, uma harmonização entre os residentes e o turismo, o que sempre aconteceu na Madeira. Não podemos ter dissonância entre a vivência dos cidadãos e os fluxos turísticos. Uma melhoria estética, uma melhoria funcional dos espaços reservando os ecossistemas patrimoniais e os ecossistemas naturais, e garantindo que o turismo continua a ser algo que é bem acolhido pelo residente.
Nós não podemos ter situações de saturação. E é nesse sentido que nós aprovámos agora um programa que já está em execução, com 27 medidas, chamado UPGRADE.
Fala-se que o casamento do Cristiano Ronaldo irá acontecer na Madeira. Que impacto irá ter para a região e para o turismo madeirense?
Se isso acontecer é ótimo, mas não temos essa certeza.



