Mercedes Lasso sentiu “algo especial” por São Miguel do Gostoso e criou a charmosa Mi Secreto Pousada & Spa
Espanhola, nascida em Bilbao, quis o destino que durante uma viagem a Natal, Mercedes Lasso visitasse São Miguel do Gostoso, um lugar que considerou “especial” e onde, desde logo, quis ter uma casa. O sonho concretizou-se e foi mais além, dele nascendo a Pousada Mi Secreto.
O que a motivou a investir nesta pousada em São Miguel do Gostoso?
Há cerca de 20 anos, viajámos para Natal, e quando chegámos aqui a São Miguel do Gostoso gostei muito deste lugar, senti que tinha alguma coisa especial – não era maravilhoso, mas era especial-. Naquela altura estava tudo à venda, não havia estrangeiros, não havia praticamente ninguém. Tempos depois comprei o terreno, queria fazer uma casa para mim e para a minha família. Só que o Dr. Wink, da escola de kitesurf, tinha um evento com muita gente vinda da Europa e pediu-me para alugar a casa para os poder alojar.
Eu já tinha vontade de fazer uma pousada, mas não era a hora, portanto, deixámos os quartos para eles, e a partir daí decidi começar com a pousada em setembro de 2009, mas desde então modificámos tantas coisas que hoje a pousada já não tem nada a ver com o que era naquela altura.
Começámos com sete quartos, agora nós temos 22 quartos/suites, uma vila privada e três quartos, tudo o cliente procura encontrar num alojamento de qualidade como um restaurante, um Spa e vamos expandir futuramente.
Que tipo de turista é que procura a vossa pousada?
Depende um pouco da época, na época das férias escolares, vêm fundamentalmente, famílias, quando há escola, quem nos procura são clientes, muitos casais que vem para descansar. Depois, entre setembro e novembro, vêm os europeus, especialmente para fazer kitesurf porque este é um “spot”, ótimo e há aqui a escola, e também para o windsurf. Mas acima de tudo, este é um lugar para ter sossego e relaxar.
Nestes 20 anos, como é que se tem desenvolvido São Miguel do Gostoso?
Eu acho que o problema aqui é que a prefeitura não aceita que se viva do turismo, portanto, não investem na criação de infraestruturas para melhorar a oferta turística e isso é um problema. É só ver o caminho que temos até aqui, tinha que ser uma coisa mais organizada, mais limpa, com melhores ruas.
A Mercedes é de nacionalidade espanhola?
Sou espanhola, sim, sou de Bilbao.
Os mercados que procuram a Mi Secreto Pousada & Spa
E o mercado espanhol, chega aqui?
Nós começámos a trabalhar com o mercado europeu, mas depois da pandemia começaram a chegar principalmente turistas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os europeus vêm mais para fazer kitesurf, sobretudo os alemães.
O mercado português não é significativo para vocês?
Não, mas penso que é devido ao Vila Galé Touros, que é um hotel português e os clientes portugueses preferem ficar lá. Mas também é outro tipo de turismo, mais de massas e nós somos um hotel boutique, quase familiar, pomos atenção e cuidado em tudo o que é serviço ao cliente, por exemplo temos um café da manhã com uma oferta totalmente diferente, do habitual, uma mistura entre o brasileiro e o europeu.
O turista que venha para aqui para descansar, que não queira mesmo sair, tem alguma forma de fazer aqui as suas refeições?
Claro que sim, servimos o café da manhã, almoço e jantar, e todos os dias servimos um chá, com café e bolinhos, para todos os hóspedes às quatro da tarde, que está incluso na diária.
Isso é muito britânico…
Eu gosto de tratar os hóspedes como gosto que me tratem a mim, e a meio da tarde um cafezinho com um bolinho é sempre gostoso.
Já percebi que a sua paixão é a pousada, os seus investimentos são aqui na pousada, sempre em melhorias. Não está a pensar em novos projetos?
Eu trabalhei muito até há três anos, altura em que me aposentei. Trabalhava no sector da saúde, em Espanha, e vinha aqui a cada três meses, não tinha tempo para mais nada.
Agora que me aposentei, quero gozar a vida, quem dirige a pousada é a minha filha, eu faço desenho, planos de arquitetura, jardim, mas tudo o que é gestão, faze a filha e a gerente. Estou aqui para gozar a vida, saborear as conversas, ‘curtir’ as minhas plantas, já não quero trabalhar mais.


