Meliá reestrutura operações em Cuba e abandona gestão de 15 hotéis
Em comunicado emitido esta quarta-feira, a cadeia hoteleira espanhola anuncia que abandona a exploração de 15 dos 34 hotéis que tem em Cuba devido às tensões económicas e geopolíticas. A decisão tem “efeitos imediatos”.
A Meliá Hotels International explica que a decisão se deve “à necessidade urgente de garantir um nível mínimo e ordenado de operações, em consonância com o nosso sentido de responsabilidade corporativa”.
De acordo com o comunicado da cadeia hoteleira, a medida agora tomada vem na sequência de uma decisão previamente anunciada a 26 de maio, data em que foi já comunicada aos propietários dos hotéis e que é agora confirmada.
Tomada com “um profundo sentido de responsabilidade”, a decisão é “consequência de uma conjugação de circunstâncias imprevistas fora do controlo da Meliá, que impactaram significativamente o funcionamento, a legalidade e a segurança dos serviços prestados por estes hotéis”, justifica a cadeia hoteleira.
“Considerando os acontecimentos e as circunstâncias que se desenrolam no contexto geopolítico, social, jurídico e económico da República de Cuba, a Meliá Hotels International informa que, no âmbito da sua contínua avaliação de riscos, decidiu rescindir imediatamente a prestação de serviços de gestão e marketing, bem como a transferência da utilização das suas marcas hoteleiras” para 15 dos hotéis que gere em Cuba, sob várias das suas marcas.
A medida abrange as seguintes unidades hoteleiras: Gran Hotel Bristol Habana Vieja Membro da The Meliá Collection; Innside Catedral Habana; Meliá Buena Vista; Meliá Cayo Santa María; Meliá Jardines del Rey; Meliá Las Dunas; Meliá Península Varadero; Paradisus Los Cayos; Paradisus Princesa Mar; Paradisus Río de Oro; Paradisus Varadero; Sol Caribe Beach; Sol Cayo Santa María; Sol Río de Luna y Mares; e Sol Varadero Beach.
Segundo a empresa, “o impacto desta decisão é limitado”, uma vez que a grande maioria dos hotéis mencionados está já encerrada e inativa, “devido aos problemas energéticos e à quebra de procura que a República de Cuba tem vindo a enfrentar”.
A Meliá anuncia ainda que está a “ativar e a implementar planos específicos para realizar o desmembramento ordenado destes hotéis”, estando igualmente a ser “implementados protocolos adequados para informar de forma transparente os fornecedores e os clientes”.
A empresa “agradece a compreensão e a confiança de todos os seus stakeholders” e afirma que continuará a acompanhar a evolução da situaçãode Cuba “para reavaliar a sua presença na ilha”.
Esta medida surge numa altura em que os EUA anunciaram estar a preparar o reforço das sanções contra empresas estrangeiras que mantenham relações com entidades ligadas ao conglomerado estatal cubano GAESA, do qual faz parte o Grupo Gaviota, proprietário de grande parte dos ativos turísticos em Cuba.
Refira-se que a decisão da Meliá vem juntar-se a medidas já tomadas por outras cadeias hoteleiras internacionais, nomeadamente a Iberostar, que também deixou de operar 12 dos 18 hotéis em Cuba, igualmente pertencentes à Gaviota, subsidiária hoteleira do conglomerado GAESA. Também a Blue Diamond confirmou a cessação das suas operações na ilha.


