Márcia Santos: “Por ser um destino “fora da caixa” prevejo um futuro bonito para o turismo do Senegal”
‘Aqueles que Amam Viajar’, foi uma das sete agências de viagens que participaram na famtrip ao Senegal organizada pela Soltrópico, com o apoio da TAP Air Portugal. Os últimos minutos em terras senegalesas foram aproveitados para uma conversa com Márcia Santos, sócia gerente desta agência de viagens de Corroios.
Por Fernando Borges
Sei que esta foi a sua estreia no Senegal, o que encontrou foi ao encontro das expectativas que trazia, ou não?
Gostei bastante, as expectativas que trazia foram ultrapassadas. Para dizer a verdade, eu trazia algumas expectativas, não muito altas, mas tinha muita curiosidade em conhecer este país, e gostei bastante. Estava à espera de um destino africano, tipo Cabo Verde, e talvez por isso as expectativas foram largamente superadas. Fazendo esta comparação, acho que Cabo Verde já está mais comercial e achei o Senegal mais autêntico, mais selvagem, inclusive a nível de praias. Há ainda uma certa virgindade, o que faz com que veja este aspeto muito apelativo para alguns clientes que ainda procuram aquele destino fora da caixa, fora do comum.
Que importância têm para um agente de viagens as famtrips como esta?
São extremamente importantes. Primeiro, porque nós, ao termos conhecimento do destino, conseguimos vender muito mais e podemos aconselhar aquilo que vivenciamos, e isso é muito importante, tanto a nível de hotelaria, como a nível de tours, a nível da praia, de tudo, inclusive sobre o povo, a sua cultura, a sua forma de viver.
Falando em tours, qual irá utilizar para cativar o seu cliente a vir até ao Senegal?
Sem dúvida o safári que fizemos à Reserva Bandia. Gostei imenso, considero que é mesmo obrigatório realizá-lo, sendo uma proposta irrecusável para quem vem a África e tem o sonho de fazer um safári mas não tem budget suficiente para ir para uma Tanzânia, ou para um sítio mais longínquo,
Para além dos safáris sem dúvida que conhecer a cultura senegalesa, visitar Dakar e respirar a sua intensa vibração e multiculturalidade, conhecer as aldeias mais tradicionais para perceber melhor a cultura deste povo e as suas origens, o que é muito importante, com os seus ancestrais valores familiares e sociais, e que acaba por ser um choque de realidade. E claro, obrigatoriamente a ilha de Gorèe, esse lugar icónico e testemunho intenso de um dos capítulos mais negros da História da Humanidade, a do tráfico de escravos, um lugar que faz parte da lista de Património Mundial da UNESCO.
Entre os sete hotéis visitados, quais é que se enquadram mais no gosto do turista português, naquilo que eles mais procuram quando pensam em férias?
Tendo em conta que os hotéis mais procurados pelos portugueses são os familiares com o sistema Tudo Incluído, sem dúvida que o Royal Horizon Baobab, um resort com toques de romantismo e exotismo, em cima da praia que se abre a tranquilas lagoas com os seus bungalows muito bem inseridos entre jardins e palmeiras, ideal para relaxar e desfrutar do ambiente envolvente que nos recorda que estamos em África. Outro é, sem dúvida, o Riu Baobab, na zona de Pointe Sarène, num estilo diferente, um complexo composto por vários blocos de edifícios, sendo estes os que considero mais indicados para este tipo de clientes.
Se falarmos a nível de casais ou de quem quer explorar a ilha e viver mais intensamente este país, apostaria no Africa Queen, um hotel muito elegante, diria mesmo que quase um boutique hotel, em Somone, assim como no Movenpick Resort Lamantin Saly, um verdadeiro paraíso tropical que combina tradição africana e modernidade que, por estar inserido entre uma natureza intensa, faz com que sintamos que estamos em África. Nenhum destes funciona em Tudo Incluído, tendo apenas como opção a meia-pensão, sendo por esta razão mais tranquilos e ideais para quem, como já disse, deseja realizar passeios durante o dia ou parte dele, e depois à noite já poderem jantar no hotel.
“Em termos de segurança, senti-me sempre muito segura, podendo mesmo afirmar que é um destino para todo o tipo de pessoas, de turistas, quer seja um casal, quer seja uma família com crianças de qualquer idade”
Há pouco disse-me que já há algum tempo que vende o destino Senegal. Tem notado algum crescimento na procura deste destino?
Como disse há pouco, há cada vez mais quem procure destinos “fora da caixa”, com mais autenticidade, não tão comerciais, sendo notório que o Senegal é um destino em progressiva procura, e acredito que essa procura irá crescer bastante, que o destino terá um “futuro bonito”.
Duas das questões que muitas vezes são colocadas por quem viaja para um destino de certa forma desconhecido, estão relacionadas com a segurança e com a gastronomia. Como é que viu o Senegal nestes dois pontos?
Na realidade são dois pontos muito importantes e que levam a que me coloquem muitas vezes essas questões. Em termos de segurança, senti-me sempre muito segura, podendo mesmo afirmar que é um destino para todo o tipo de pessoas, de turistas, quer seja um casal, quer seja uma família com crianças de qualquer idade.
Em termos gastronómicos, encontrei uma comida boa, variada e muito baseada no peixe e arroz, que pela forma diferente como o fazem, achei delicioso, e estou certa de que agradará aos portugueses. E o facto de se encontrarem influências da África Negra, magrebina, francesa e até portuguesa, faz com que a oferta gastronómica acabe por ir ao encontro de todos os gostos e paladares.
O Turisver viajou para o Senegal a convite da Soltrópico, operador turístico do Grupo Newtour.


