Marca Alentejo está hoje “associada a qualidade”, afirmou Vítor Silva no II Congresso de Turismo do Alentejo
Na abertura do 2º Congresso do Turismo do Alentejo, Vítor Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo e da Associação Regional de Promoção Turística, sublinhou o valor que tem hoje a marca Alentejo, prestando homenagem aos muitos que contribuíram para que a região se impusesse no panorama do turismo nacional e internacional.
Na abertura do 2º Congresso de Turismo do Alentejo que decorre em Beja sob o tema “Alentejo “Destino Sustentável? O Amanhã é agora”, Vítor Silva, presidente da ERT e da ARPTA, começou por enfatizar que “o turismo no Alentejo, como o turismo em Portugal, é um caso de sucesso” e que, se bem que não tivesse sido sempre assim, “hoje podemos dizer que o Alentejo é um destino turístico tanto a nível nacional como em muitos mercados internacionais”.
Recordou, a propósito, que “o Alentejo, no princípio do século, era uma marca a nível nacional mas não era propriamente um destino”. E era uma marca que, em Portugal e para os portugueses, andava muitas vezes “associada a algumas anedotas que normalmente nos qualificavam como pessoas não muito inteligentes e não muito amigas de trabalhar”, referiu.
Passados pouco mais de 20 ano sobre o início do século, tudo mudou: “Hoje é o contrário”, afirmou Vítor Silva, sublinhando que “hoje essa marca [Alentejo] está associada a valor que tem a ver com a qualidade. Exemplificou dizendo que atualmente, quando se fala em qualquer coisa do Alentejo juntam-se sempre qualificativos positivos: “por exemplo, os vinhos do Alentejo são muito bons, a gastronomia do Alentejo é a melhor, as pessoas do Alentejo são as pessoas que mais e melhor sabem viver a vida, os produtos do Alentejo, o queijo, o chouriço, o azeite, as terras do Alentejo são do melhor”.
“Tudo mudou em muito poucos anos e nós próprios às vezes não temos a consciência disso e, mais importante, não temos orgulho naquilo que hoje somos”, continuou o presidente do Turismo do Alentejo, afirmando que “nós somos uma região com um grande valor e com grandes potencialidades, feita todos os dias por pessoas que têm um grande valor, até porque têm poucos meios e têm feito coisas extraordinárias”.
Para Vítor Silva, apesar de não haver uma data concreta que marque o arranque do turismo no Alentejo, ela pode ser associada ao momento em que a região se afirma através da constituição de duas entidades: a Entidade Regional de Turismo e a Agência Regional de Promoção Turística. Ainda assim, frisou, “o turismo já tinha começado antes, talvez não com uma estratégia bem sucedida” mas “o turismo tem de ter memória e nós temos de ter memória daqueles que antes ainda de termos uma estratégia definida para o território já pensavam no turismo e no território”.
Porque há que ter memória, o responsável prestou, durante a sua intervenção, homenagem a algumas figuras da atividade turística na região, que considerou pioneiras e que contribuíram para que o turismo no Alentejo seja hoje aquilo que é.
“Há algumas pessoas que ainda no século passado foram pioneiras para que o turismo do Alentejo começasse a ter uma base para se posicionar”, afirmou, recordando que “já antes de o Alentejo ser um destino turístico já o Restaurante O Fialho em Évora era um destino turístico. O Alentejo ainda não era conhecido e já vinham pessoas do estrangeiro para comer no Restaurante Fialho, do nosso amigo Manuel Fialho que já não está entre nós mas é bom que nos lembremos destas pessoas”.
Outro dos pioneiros recordados foi João Andrade Santos, que foi presidente da Região de Turismo de Évora “aquela que era a mais dinâmica e que nós, a Planície Dourada de que eu era presidente, e as outras regiões do Alentejo, íamos um pouco a reboque”, contou, destacando ainda que “com ele e com o próprio Manuel Fialho, fomos fundadores da Agencia de Promoção Turística do Alentejo, no princípio de 2004”.
Referiu também Ana Barbosa, fundadora da primeira associação nacional de empresas de animação turísticas, que se veio a fundir-se com uma associação de congressos e eventos formando o que é hoje a APACATE e que considerou ser “a primeira pessoa que percebeu que as empresas de animação turística eram fundamentais para coser o tecido turístico de uma região, para não ser vender só uma noite ou duas noites”.
Destacou, também, “um homem muito importante, Francisco Zambujinho que está aqui entre nós nesta sala, faz parte da direção da Agência de Promoção.” E que “abriu o primeiro hotel rural que existiu no Alentejo ainda no século passado”.
Vitor Silva terminou a sua intervenção dando os números disponíveis que demonstram o enorme crescimento do Alentejo dos últimos 13 anos, período entre os dois Congressos de Turismo do Alentejo.
Foto: ©AlexGaspar


