Madeira vai entrar num “novo ciclo” de gestão do território em 2026, avançou Eduardo Jesus
Na abertura da 21ª Convenção da GEA, no Funchal, o secretário Regional do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, centrou a sua intervenção na comparação entre o que era o Destino Madeira em 2015 e o que é hoje. Falou do caminho percorrido e do “novo ciclo” de gestão do território que se iniciará em 2026.
Na sua intervenção, o governante madeirense destacou o peso que a actividade turística tem na economia da região: “O turismo corresponde a 30% do nosso PIB e mais de 20% da população está diretamente envolvida com este setor”, disse, sublinhando que estes valores que foram conseguidos “com muito trabalho”.
Defendendo que, no turismo, “é preciso olhar para a frente, definir um caminho, ter uma visão, e é preciso trabalhar” Eduardo Jesus afirmou que “foi isso que a Madeira fez” quando, em 2015, definiu uma estratégia e atualizou o plano de ordenamento do turismo.
Nessa altura, recordou, foram definidas metas para o crescimento da oferta de camas na hotelaria, com a fasquia a ser colocada nas 40 mil, sendo que, segundo o governante, resistir à tentação de aumentar esse número “não é fácil” e tem mesmo levado a que a região recuse investimento. Ainda assim, a Madeira conta hoje com um total de 70 mil camas, mais do dobro das que existiam há 10 anos mas “não foi o alojamento tradicional que nos trouxe aqui, foi o alojamento local”, uma modalidade de alojamento que o secretário regional defendeu porque “permitiu a reabilitação urbana” recuperando edifícios abandonados, com a vantagem acrescida de ter possibilitado “uma descentralização muito grande da atividade turística”.
No entanto, para “não matar a galinha dos ovos de ouro”, foi feito um estudo de gestão do território nas 54 freguesias, no sentido de identificar quais as que já atingiram o limite do seu crescimento e as que ainda apresentam capacidade de evolução, permitindo “compatibilizar o alojamento local com o alojamento tradicional”. Ao mesmo tempo, a Câmara do Funchal decidiu suspender a atribuição de novas licenças para unidades de alojamento local em prédios de habitação urbana no Funchal.
Criação da Marca Madeira “deu uma grande visibilidade” ao destino
Eduardo Jesus referiu-se também à promoção do destino, recordando que há 10 anos, “80% do orçamento da promoção da Madeira estava na Direção Regional de Turismo e respondia por 20% das origens do turismo da Madeira”. Agora, está concentrada na Associação de Promoção e o valor foi duplicado: “Hoje o Governo Regional investe cerca de 16 milhões de euros por ano na promoção e é a APM que promove”, enquanto a Direção Regional se “afirmou na área da animação do território, e a regulação do mercado”, disse, referindo ainda a importância da criação da Marca Madeira que “deu uma grande visibilidade” ao destino.
Citou ainda a importância do trabalho feito ao nível da captação de novas rotas aéreas, que aumentou a acessibilidade à região – “hoje temos a maior conectividade que a Madeira alguma vez registou”, sublinhou – e teve um papel importante em chamar à região “novos públicos”, nomeadamente mais jovens.
“No dia em que um destino turístico não conseguir manter este equilíbrio entre aqueles que nos visitam e o bem estar dos que residem, o destino está condenado”
Olhando para o futuro, o secretário Regional do Turismo da Madeira avançou que “o ano de 26 vai ser um ano bastante importante, não diria de uma revolução, mas de uma grande alteração no modelo em que gerimos o território” porque “interessa-nos que a experiência aqui na Madeira seja a melhor”.
Nesse sentido, disse, “desenvolvemos e está em curso neste momento um programa que se chama Upgrade Madeira”, que “tem a ver com a forma como o turismo se relaciona com os residentes”, com a melhoria do conforto dos residentes face à atividade turística e com a qualificação experiência.
No âmbito do Upgrade Madeira “há uma bateria de medidas que já estão a ser implementadas”, sendo que uma delas residiu no lançamento da nova campanha de sensibilização “Explora. Respeita. Preserva.”, que tem a ver com a mensagem de explorar o território com responsabilidade. “É um conjunto de mensagens mais curtas que vamos passando a quem nos visita para alertar para os hábitos, para os costumes, para os comportamentos que são habituais aqui na Madeira, dando também uma mensagem para os residentes que nós estamos a cuidar da forma como somos visitados”.
Para Eduardo Jesus, “é preciso este equilíbrio” porque “no dia em que um destino turístico não conseguir manter este equilíbrio entre aqueles que nos visitam e o bem estar dos que residem, o destino está condenado”.
Turisver na Madeira a convite da GEA

