José Santos reivindica “mais autonomia” para a promoção dos destinos turísticos regionais
Num encontro com jornalistas, esta segunda-feira, o presidente do Turismo do Alentejo defendeu que a região precisa de criar uma marca global para estar mais presente nas decisões dos mercados internacionais, e pediu maior autonomia para a promoção turística regional.
“A trajetória do Alentejo é de muita qualidade. Qualidade significa um preço alto, é verdade. E esse é uma oportunidade que temos”, afirmou José Santos, sublinhando, no entanto, que para se afirmar nos mercados internacionais e estar mais presente nas decisões globais, quer do consumidor, quer do operador, a região precisa ainda de criar uma marca global. “Acho que esse é o próximo desafio que nós temos”, disse, precisando que “o Alentejo tem que ser conhecido no mundo com uma frase”.
Mas há outros desafios, que passam pela participação da região em várias feiras internacionais, que em alguns casos está vedada devido às regras impostas pelo Turismo de Portugal. E exemplifica: “Quando nós hoje olhamos para as feiras como a Pure [Life Experiences] ou como a Duco [Travel Summit], qual é o destino de ter mais hotéis inscritos? É o Alentejo, temos lá 12, 15 hotéis”. No entanto, frisou, “nós não podemos ir à Duco, porque o Turismo de Portugal não nos permite”.
É por isso que José Santos quer ver os destinos regionais com maior autonomia para a sua promoção turística. “Os destinos turísticos regionais têm de ter autonomia para a sua promoção, porque cada um tem o seu ciclo de desenvolvimento, tem a sua vocação”, sustenta, afirmando que “não podemos ficar presos numa teia nacional”.
Embora não sabendo quando haverá um novo ciclo de discussão da contratualização da promoção externa, o presidente do Turismo do Alentejo fez questão de dizer que já transmitiu ao secretário de Estado do Turismo e ao presidente do Turismo de Portugal que “tem que haver mais autonomia para os destinos regionais”.
Falando enquanto presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA), José Santos diz que as suas palavras devem ser entendidas não como uma reclamação, mas sim como um pedido, porque a ARPT é uma associação empresarial, privada, e como tal deve dar eco das necessidades dos seus associados.
A propósito lembrou que a contratualização da promoção externa em vigor remonta a 2004, e embora o modelo tenha sito “melhorado e amadurecido” não foi ainda revisto, esperando que o modelo possa evoluir no sentido “dar mais liberdade aos destinos regionais e às suas estratégias” embora tenha de estar presente um racional nacional.
Revisão da Lei nº33 “é importante, mas não é urgente”
Aproveitando o tema da autonomia das regiões, o Turisver quis saber se o facto de a revisão da Lei nº 33 ainda não ter visto a luz do dia, pode ser um entrave à possibilidade de as regiões terem uma maior independência. Em resposta, o presidente do Turismo do Alentejo garantiu que a Lei 33 “é importante, mas não é urgente”, adiantando que foi já apresentada uma proposta aos presidentes das regiões, à qual estes já reagiram tendo mesmo apresentado uma contraproposta que “estará certamente a ser analisada pelo Gabinete do secretário de Estado e pelo Turismo de Portugal”.
Existência de ERTs e ARPTs “tem vantagens e desvantagens”
Sobre o facto de cada região ter duas entidades – Entidade Regional de Turismo e Agência Regional de Promoção Turística – José Santos referiu que “o modelo atual tem vantagens e desvantagens” embora as vantagens se possam ir diluindo. Exemplificando com a nova legislação da contratação pública, que considerou ser muito mais flexível, disse que “as ARPTs têm de seguir exatamente o mesmo nível, porque elas acabam de ser mais financiadas pelo Estado do que por receitas privadas”.
Embora as ERTs e a ARPTs tenham as mesmas “dores de cabeça” e o mesmo nível de flexibilidade, considerou que “a vantagem, no caso das ARPTs, é “terem alguma otimização de custos” e que a integração da promoção externa nas ERTS poderia causar alguma instabilidade no trabalho das ARPTs.
Por isso reiterou que considera mais urgente a revisão da contratualização externa do que a revisão da Lei nº 33, embora esta seja importante para dirimir questões que estão “completamente desatualizadas” na lei atual, sintetizou.


