José Santos apresentou Plano de Atividades 2026 com mais dinheiro e mais produtos para colocar o Ribatejo “no mapa”
O presidente da ERT do Alentejo e do Ribatejo, José Santos, esteve esta quinta-feira em Lisboa para apresentar o Plano de Atividades do Turismo do Ribatejo de 2026, no qual irá ser investido mais de meio milhão de euros, incluindo ações direta ou indiretamente alocadas ao Ribatejo.
Ao todo, disse José Santos, o Plano de Atividades do Turismo do Ribatejo de 2026 significa um investimento superior a meio milhão de euros, com as verbas que lhe serão direta ou indiretamente alocadas em 2026, a representarem um reforço do orçamento da ordem dos 150 mil euros.
O Plano visa, segundo o presidente da ERT, três objetivos estratégicos: promoção e notoriedade no mercado interno, dar a conhecer a oferta aos agentes comerciais e operadores e inscrevê-la na promoção internacional. Para os cumprir, a Entidade Regional de Turismo definiu quatro eixos que vão ser trabalhados de forma autónoma no plano de atividades do próximo ano: notoriedade da marca, estruturação do produto turístico, apoio à comercialização, no desenvolvimento de novos produtos, e apoio à captação e promoção de eventos que promovam o Ribatejo.
“(…) vai haver uma novidade: uma campanha específica, contratada com uma agência de Madrid, para trabalhar a promoção nos territórios transfronteiriços na Andaluzia e na Extremadura. “Pela primeira vez, esse plano tem um eixo específico para o Ribatejo”
No eixo da notoriedade da marca, incluem-se duas campanhas publicitárias que vão ser contratadas até ao final do ano e que vão incidir nos períodos off-season, de transição entre época baixa e época alta.
Embora não sejam uma realidade nova- “nós temos feito campanhas com mensagens específicas para o Ribatejo e componente publicitária, out-of-home, campanha digital”, referiu José Santos – vai haver uma novidade: uma campanha específica, contratada com uma agência de Madrid, para trabalhar a promoção nos territórios transfronteiriços na Andaluzia e na Extremadura. “Pela primeira vez, esse plano tem um eixo específico para o Ribatejo”, salientou, explicando que “um pouco na lógica do mercado interno alargado, vamos conteúdos específicos do Ribatejo, o é uma novidade na nossa promoção”.
Também neste eixo está integrada a participação em feiras, tendo destacado a BTL e Feira Internacional de Artesanato, a realização de press trips e viagens de influenciadores, bem como a publicação de materiais editoriais sobre o Ribatejo em vários órgãos de comunicação.Está também prevista a criação, em 2026, da figura dos Embaixadores do Ribatejo.
O eixo da estruturação do produto turístico tem a ver essencialmente com rotas e percursos turísticos, estando prevista a requalificação da Rede de Percursos Pedestres da Lezíria do Tejo. De acordo com o presidente da ERT, “o objetivo, a prazo é ter um festival de percursos pedestres no Ribatejo, como já temos no Alentejo”, um trabalho que “no próximo ano vai avançar”.
Neste eixo está igualmente incluído o apoio à dinamização dos Centros de Cycling – “temos trabalhado essencialmente com a Chamusca e com Coruche, já com alguns resultados práticos (…) e estamos recetivos a outras iniciativas para a criação destes centros”, bem como os Roteiros Literários. Neste caso, “vamos inscrever no nosso orçamento um trabalho de criar a Rede de Alojamentos Literários do Alentejo e do Ribatejo”. Recordou, a propósito que, no final deste mês, será realizado o 1º Congresso de José Saramago, na Azinhaga, que a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo está a patrocinar, e que levará ao Ribatejo os 15 maiores especialistas de José Saramago no Brasil.
Além disso, está incluída neste eixo a atualização e melhoria da sinalética dos Caminhos de Santiago, à semelhança do que aconteceu este ano com os Caminhos de Fátima.
Pretende-se igualmente alargar a oferta ao nível do Turismo industrial, atualmente muito centrada em Rio Maior. Neste sentido, avançou que a ERT está a tentar que a fábrica da Compal, em Almeirim, entre neste roteiro, bem como algumas fábricas ligadas à cortiça no concelho de Coruche, uma vez que “o turismo industrial é um conjunto de motivações que está a ganhar alguma predominância especialmente no mercado nacional, mas que para o mercado internacional nos permite muito enriquecer os programas e os circuitos”. Até ao final do ano irão ser lançados guias do turismo industrial na região, em português e inglês.
Em projeto está, também, a criação de experiências turísticas à volta do Montado, um produto que poderá também enriquecer a oferta turística do Ribatejo.
“Temos, no Ribatejo, excelentes DMCs que trabalham muito bem o recetivo e temos que nos aproximar dessas DMCs para lançarmos e promovermos os novos produtos no Ribatejo”, um trabalho que, disse, “já começou com a Rota dos Vinhos do Tejo”
O eixo do apoio à comercialização tem a ver com os incentivos ao desenvolvimento de novos produtos, tratando-se de ações mais transversais, onde é trabalhado tanto o Alentejo como o Ribatejo. Aqui se inere o investimento na linha de ação Ribatejo Tours, bem como o apoio à promoção do MICE, segmento para o qual o Ribatejo dispõe de várias instalações; bem como campanhas cooperadas com os operadores para promoção de novos produtos e itinerários.
Segundo José Santos, “temos no Ribatejo excelentes DMCs que trabalham muito bem o recetivo e temos que nos aproximar dessas DMCs para lançarmos e promovermos os novos produtos no Ribatejo”, um trabalho que, disse, “já começou com a rota dos vinhos do Tejo”.
Já no eixo do apoio à captação e promoção de eventos, José Santos começou por sublinhar que está provado que “o Ribatejo pode captar eventos internacionais, mas que também a nível nacional tem eventos importantes, como a Feira Nacional do Cavalo. “Nós temos estado presentes em eventos que ativam muito a marca do Ribatejo, como o Festival Nacional de Gastronomia, Feira Nacional da Agricultura e Feira Nacional do Cavalo, onde, disse, a ERT “precisa de ter uma presença mais ativa”. Por isso, a ERT irá ter nesta feira, em 2026, “um stand de dimensão internacional”.
Além destes eventos de maior dimensão ligados à gastronomia e ao turismo equestre, mas também ao enoturismo, há igualmente “eventos de nicho” para os quais a ERT está a olhar, pretendendo integrá-los no seu calendário de eventos.
“Para haver turistas tem que haver alojamento e ele não abunda na região, como aliás sublinhou José Santos, recordando que no ano passado a ERT promoveu um “roteiro de investimento” em que trabalhou com os municípios de Santarém, Alpiarça e Coruche, que tinham identificadas oportunidades de investimento que não estavam trabalhadas”
Objetivo do Plano é, sem dúvida, fazer aumentar o número de visitantes e turistas no Ribatejo, mas trata-se de um objetivo algo às ‘cegas’ já que o INE não publica esses números, uma lacuna que o presidente da ERT pretende ver dirimida.
Para haver turistas tem que haver alojamento e ele não abunda na região, como aliás sublinhou José Santos, recordando que no ano passado a ERT promoveu um “roteiro de investimento” em que trabalhou com os municípios de Santarém, Alpiarça e Coruche, que tinham identificadas oportunidades de investimento que não estavam trabalhadas. Nesse âmbito foram elaborados “dossiers de investimento que definam um tempo, uma vocação uma estimativa de investimento e um pequeno plano de mercado” que foram apresentados a grupos hoteleiros de variadas dimensões. A partir daí, no entanto, o trabalho teria que decorrer da parte dos municípios.
Por isso, a informação de que dispõe o presidente da ERT do Alentejo e do Ribatejo não é muita, como ele próprio frisou em resposta a uma questão colocada pelos jornalistas. Ainda assim, adiantou que está em construção o hotel do Grupo Vila Galé na Quinta da Cardiga, Golegã, um projeto que considerou “essencial para um território que tem apenas 4 hotéis de 4 estrelas”. Ainda assim, José Santos acredita que possam aparecer novos produtos hoteleiros que alavanquem a região, especialmente para a promoção no mercado internacional.
Entretanto, a ERT deverá avançar no próximo ano com novos “roteiros” no sentido de ajudar os municípios a captarem novos investimentos na área da hotelaria.

