Jorge Rebelo de Almeida: “Tem sido feita uma sucessão grande de disparates” na gestão da TAP
“A TAP não tem sido bem gerida”, lamentou quarta feira, dia 12, o presidente do Grupo Vila Galé durante um encontro com a imprensa. Sem apontar o dedo a ninguém de forma específica (“não sei quem é o culpado, se a gestão ou o ex-ministro”) afirmou que na gestão da TAP tem sido feita uma “sucessão grande de disparates” e que lhe “faz pena ver a falta de jeito” ´com que a companhia tem sido gerida.
Confessando que o tema TAP “é um assunto de que me custa muito falar”, o presidente do Grupo Vila Galé admitiu estar “em desacordo profundo com grande parte do que se está a passar na TAP”, apontando que “dá-me ideia que tem sido feita uma sucessão grande de disparates”.
As discordâncias de Jorge Rebelo de Almeida relativamente ao que se tem passado na TAP começam logo com o facto de se ter ido buscar alguém estrangeiro para CEO. “Se calhar poderíamos ter alguém em Portugal que tivesse jeito para tomar conta da TAP, que conhecesse bem a realidade portuguesa e que tivesse bom senso, que é uma coisa que tem faltado”, defendeu.
Na sua opinião, foi o bom senso que faltou em algumas das decisões tomadas pela atual CEO Christine Ourmières-Widener que acabaram por resultar nos “casos” que têm vindo a ser notícia, como o da substituição da frota automóvel ou o da indemnização a Alexandra Reis. Ao nível da frota, o presidente do Grupo Vila Galé deixou clara a sua opinião de que o grande problema que se colocou foi o do exemplo: “Tem que se dar o exemplo”, afirmou e, na sua opinião ele não foi dado porque quando há funcionários a verem os salários cortados quem está no topo não pode ter novos benefícios. E mesmo admitindo que a troca de frota pudesse vir a resultar numa poupança, questiona: “Numa empresa onde houve despedimentos e cortes de salários quem é que se lembra de ir comprar carros novos para os administradores e dar mais regalias às chefias? Os exemplos vêm de cima”, defendeu.
Para Jorge Rebelo de Almeida “as administrações da TAP nunca foram brilhantes” e “mesmo quando foi privatizada [a TAP] também não teve uma gestão brilhante” mas, pelo menos “havia alguém a decidir o que se ia fazer”. Agora, para o empresário, esse caminho parece não estar definido, pelo que disse ter dúvidas sobre se a companhia poderá ser mantida na esfera pública. “Não sei se conseguiremos manter a TAP”, duvidou, especificando que para que isso fosse possível haveria que “rapidamente encontrar um caminho”, até porque Bruxelas não vai autorizar o Estado a injetar mais dinheiro na companhia. Por isso, admitiu, “se calhar o caminho é a privatização”. E acrescentou que, no caso de esta vir a ser a solução “só peço a Deus que o contrato que venha a ser feito não nos venha a sair mais caro”.
Da TAP para o setor turístico, Jorge Rebelo de Almeida considerou que “o turismo está na mó de cima” apesar de existirem preocupações. Por isso, na sua opinião, a estratégia para o futuro deverá assentar em “mais receitas com menos turistas”, um caminho que disse ser difícil mas possível se for encontrada uma maneira de “rentabilizar melhor os ativos turísticos que temos – com menos gente para não ficarmos sobrecarregados – e distribuir melhor o turismo pelo interior” – não apenas pelo interior do país como pelos interior das cidades. “Precisamos, desesperadamente, de encontrar novas centralidades”, afirmou.


