IPDT estima que 2026 traga 34 milhões de hóspedes 7 MM€ em proveitos consolidando “níveis recorde”
As projeções do IPDT para o ano 2026, inscritas no seu Anuário de Tendências, apontam para a “consolidação dos níveis recorde” alcançados nos últimos dois anos no turismo em Portugal, num “ciclo de crescimento mais moderado e sustentado”.
“Num cenário de segurança e confiança político-económica”, o painel de especialistas que respondeu ao inquérito do IPDT, estima que Portugal possa receber entre 31,1 e 34 milhões de hóspedes (31,6M em 2024 e 32,5M em 2025) e registar entre 80,1 e 83 milhões de dormidas (80,4M em 2024 e 82,1M em 2025). Já os proveitos globais deverão situar-se entre os 6,6 e 7 mil milhões de euros (6,7MM em 2024 e 7,2MM em 2025), “mantendo o setor em patamares historicamente elevados”
Jorge Costa, presidente do IPDT, adianta que “após um 2024 excecional e um 2025 em máximos históricos, 2026 deverá marcar uma fase de consolidação, com crescimento mais moderado e proveitos a refletirem a valorização contínua do setor”. Sublinha ainda que “com receitas próximas dos 30 mil milhões de euros e um saldo da balança turística acima dos 20 mil milhões, quase o triplo de 2014, o turismo afirma-se como pilar estratégico, representando mais de 10% do PIB, face aos 5,9% de há pouco mais de uma década.”
Segundo o painel do Barómetro, a segurança, estabilidade política e confiança económica, apontadas por 75% dos especialistas, assumem-se como principal fator de competitividade do destino. A imagem positiva e atratividade de Portugal surgem logo depois, referidas por 68%, seguindo-se a qualidade, diversidade e competitividade da oferta turística, mencionadas por 66%. A conectividade e eficiência operacional, indicadas por 39%, reforçam igualmente a importância das acessibilidades na consolidação do crescimento.
O IPDT alerta, no entanto, que “estas estimativas, realizadas em 2025, não consideram eventuais impactos das cheias e inundações associadas às depressões/ eventos climáticos de 2026 no contexto socioeconómico de Portugal”.
Desafios e prioridades para 2026
Apesar de estas estimativas serem amplamente positivas, o painel aponta também para a existência de “desafios relevantes” a serem enfrentados pelo setor. Estão neste caso as acessibilidades e mobilidade, apontadas por 48% dos inquiridos como principal constrangimento, particularmente ao nível da capacidade aeroportuária. Segue-se, com 45% das referências, a escassez de recursos humanos qualificados, logo seguida dos riscos associados à instabilidade económica e financeira internacional, apontados por 43% dos respondentes. Por fim, a pressão turística em determinados destinos é mencionada por 32%, sublinhando a necessidade de melhor gestão de fluxos.
Perante este enquadramento, as prioridades estratégicas para 2026 passam pela requalificação e diversificação da oferta (41%), pela melhoria das infraestruturas e acessibilidades (27%) e pela valorização dos recursos humanos (25%), assegurando um crescimento mais equilibrado e sustentável.
Para o IPDT “o turismo é um sistema vital que liga economia, cultura, ambiente e relações humanas, exigindo planeamento e gestão com responsabilidade e propósito. Atualmente, o setor emprega 339 mil pessoas (6,5% do emprego), reúne 51,2 mil empresas (11% do total), registando 110 mil novos diplomados entre 2020 e 2024 e tem 57% de mulheres em atividade no turismo”.
Para o IPDT “o turismo é um sistema vital que liga economia, cultura, ambiente e relações humanas, exigindo planeamento e gestão com responsabilidade e propósito. Atualmente, o setor emprega 339 mil pessoas (6,5% do emprego), reúne 51,2 mil empresas (11% do total), registando 110 mil novos diplomados entre 2020 e 2024 e tem 57% de mulheres em atividade no turismo”.
O Anuário identifica, ainda, 10 tendências de viagem para 2026: o autocuidado e regeneração; os destinos escolhidos conforme o estado de espírito; o turismo literário e desintoxicação digital; procura de silêncio e refúgio; ou o regresso a destinos para experiências mais profundas. Surgem ainda: a valorização do quotidiano e autenticidade local; o desporto como motivação cultural; as viagens como teste das relações; as viagens como rituais de transição pessoal; e a Inteligência Artificial como suporte discreto à personalização da experiência.


