Instabilidade no Golfo Pérsico redireciona fluxos turísticos para Portugal, revela estudo da McKinsey
A instabilidade na região do Golfo Pérsico está a redefinir padrões de viagem, a reorganizar fluxos turísticos e a pressionar os custos da aviação. Portugal, segundo a McKinsey, está entre os destinos favorecidos pela deslocalização do turismo mundial, com o Algarve, o Porto e o Alentejo na dianteira.
O estudo “How conflict in the Gulf is remapping global travel” da consultora americana, aponta a redistribuição da procura turística global está a favorecer destinos alternativos como Portugal, por ser considerado um destino seguro avançando com a existência de “sinais positivos” em várias regiões portuguesas, como o Algarve, onde a ocupação hoteleira aumentou +5,7 p.p., o Porto (+3,3 p.p) e o Alentejo (+2,7 p.p.) entre março e abril deste ano, comparativamente ao mesmo meses do ano passado.
Além de Portugal, neste mesmo período, países como Marrocos e Espanha também registaram maior procura, com a ocupação hoteleira a crescer em Tânger (+9,9 p.p.), Alicante (+8,0 p.p.), Agadir (+7.5 p.p.) e Marbella (+7.1 p, p.).
Na base desta deslocalização dos fluxos turísticos globais está o facto de entre 60% e 70% dos consumidores nos EUA, Reino Unido e Alemanha terem mudado os seus planos de viagem devido à instabilidade geopolítica, sendo que em todos os mercados analisados, a perceção de segurança surge entre os principais fatores de decisão, à frente de critérios tradicionalmente determinantes, como conveniência ou preço.
Ainda assim, a procura por viagens continua resiliente, os consumidores continuam a querer viajar mas adotam uma “postura mais cautelosa, privilegiando flexibilidade e adiando decisões até terem maior visibilidade sobre preços, rotas e condições de segurança”
A consultora exemplifica com as conclusões de um inquérito que realizou junto dos consumidores italianos, segundo as quais 74% afirmaram pretender viajar durante o verão de 2026, embora 63% ainda não tivessem concluído as reservas à data do estudo. Ao mesmo tempo, mais metade dos inquiridos, 56%, indicou que os seus planos tinham sido afetados pela situação geopolítica, embora apenas 3% tenham cancelado as suas viagens, enquanto 24% estavam a adiar uma decisão até existir maior clareza sobre a evolução do contexto internacional.
Reorganização dos fluxos turísticos na aviação
O estudo aponta que a reorganização dos fluxos turísticos é particularmente visível na aviação, tendo existido uma quebra de 53% no número de passageiros internacionais a procurar ligações através dos principais hubs do Médio Oriente em marco e abril (menos 5,1 milhões de passageiros em termos homólogos), o que levou as companhias aéreas a procurarem rotas alternativas ou diretas, sendo que estas são consideradas um dos fatores com maior influência na atração de turistas internacionais de lazer.
A pressão sobre os custos operacionais da aviação constitui outro dos efeitos da atual conjuntura geopolítica. Num cenário ilustrativo analisado pela McKinsey, um voo entre Londres e Bombaim poderá registar um aumento de custos até 63% devido às restrições de espaço aéreo e ao aumento dos preços do combustível. Caso estes custos sejam repercutidos nos consumidores, os preços dos bilhetes poderão aumentar entre 13% e 44%, dependendo da rota e da política comercial das transportadoras.
Embora alguns destinos estejam a beneficiar da redistribuição da procura, os impactos continuam a ser particularmente significativos nos mercados mais expostos ao conflito. O estudo revela que vários destinos do Golfo registam quedas acentuadas na atividade turística e nas receitas hoteleiras. Nos Emirados Árabes Unidos, o Dubai apresenta a maior redução observada, com uma quebra de 75% na receita hoteleira – que se traduz num decréscimo de 1,8 mil milhões de dólares – entre março e abril de 2026, face ao mesmo período do ano passado, seguido por Abu Dhabi (- 49%). Já no Qatar, registou-se uma queda de 43% e na Arábia Saudita – em Riade – a redução foi de 42%, no mesmo período.
“Num mercado global em transformação, compreender estas mudanças será cada vez mais importante para destinos, operadores turísticos e companhias aéreas que procuram responder à evolução das preferências dos viajantes”, defende a consultora.


