Inquérito AHP: Mercado interno começa a preocupar hoteleiros que preveem “quebra significativa” no verão
O turista nacional tem sido, e continua a ser, um dos principais mercados da hotelaria em Portugal. No entanto, de acordo com os resultados do último inquérito da AHP, a perspetiva da maioria dos hoteleiros aponta agora para uma queda do mercado interno, com o grau de confiança médio no turismo nacional a descer de 7,4 pontos em janeiro, para 6,8 pontos a 17 de maio.
A perda de peso relativo do mercado residente nas perspetivas de verão dos hoteleiros nacionais é um dos destaques do último inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal, apresentado esta terça-feira à comunicação social. Sendo verdade que 68% dos hoteleiros continua a apontar o mercado interno como um dos 3 principais mercados, não é menos verdade que esta percentagem se compara aos 78% que o afirmavam, em 2025, o que configura uma queda de 10 pontos percentuais, assinalada como “muito significativa”.
“Para nós, este decréscimo é a primeira vez que aconteceu, sublinhou Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, que ressalvou, no entanto, o facto de o inquérito ter terminado a 17 de maio e de, portanto, muita coisa poder mudar até ao verão.


Não deixou, no entanto, de salientar que “há um abrandamento em termos de reservas de residentes em comparação com o verão do ano passado”, situação que relacionou com “alguma preocupação [dos portugueses] face às notícias que alertam para uma maior atenção à taxa de esforço e ao peso relativo que a habitação assume”. Avançou no entanto com a possibilidade de “As pessoas estarem a guardar-se para o último momento” pelo que “ainda é cedo para concluir que não vai ser um mercado importante para o verão”, frisou.
“Sinalizamos a perspetiva de perceber o que se passa com o mercado interno”, até porque, acrescentou Cristina Siza Vieira, “há um maior pessimismo na confiança do turismo nacional”
Ainda assim, tendo por base os resultados do inquérito, Cristina Siza Vieira considerou haver uma “relativa preocupação” face à descida perspetivada, uma vez que até agora, tinham sido sempre em torno dos 80% os hoteleiros inquiridos a sinalizarem o mercado nacional entre os três principais. “Sinalizamos a perspetiva de perceber o que se passa com o mercado interno”, até porque, acrescentou, “há um maior pessimismo na confiança do turismo nacional”.
De acordo com os dados apontados pelo estudo, a cair está também, neste momento, p grau de confiança médio dos hoteleiros no turismo nacional, que desceu de 7,4, medido em janeiro, para 6,8 pontos a 17 de maio (escala de 1 a 10).
A queda no nível de confiança no mercado interno é transversal a todas as regiões, à exceção do Oeste e Vale do Tejo, onde os hoteleiros estão mais optimistas. Sem surpresas, a região onde os inquiridos estão mais pessimistas é os Açores, onde o grau de confiança desceu de 7,1 pontos para 6 pontos, e também no Centro. Em matéria de confiança no mercado residente, o Alentejo mantém a pontuação mais elevada, embora acuse uma descida de 8 para 7,4 pontos.
Já no que se refere aos mercados externos, há a assinalar a perspectiva de subida no mercado do Reino Unido, apontado entre os 3 primeiros por 58% dos hoteleiros que responderam ao inquérito da AHP, uma percentagem que configura um aumento de 5 pontos percentuais em termos homólogos. Surge depois o mercado espanhol apontado por 42%, mas com uma queda de 1,1pp face ao ano passado.
Os Estados Unidos foram apontados por 40% dos inquiridos como um dos três principais para este verão, o que também configura uma perda de 3 p.p. em relação ao ano passado.
Destaque ainda para a Alemanha, que observou um aumento de 28% para 35%, enquanto no polo oposto, o número de hoteleiros que aponta o mercado brasileiro como um dos 3 primeiros desceu de 28% para 12%.
De referir igualmente que o mercado francês continua numa trajectória descendente, tendo sido apontado por 15% dos hoteleiros (-2 pp face ao ano passado)
Pela primeira vez, a China aparece no inquérito, sendo apontada como um dos três principais mercados por 4% dos inquiridos: “è muito residual, mas são 4%, o que dá uma nota minimamente interessante por estar representada nesta poll de mercados”, referiu Cristina Siza Vieira.


