Inquérito AHP: Hoteleiros antecipam verão desafiante com queda na ocupação e proveitos totais e aumento moderado dos preços
“Na globalidade, as perspetivas dos hoteleiros são de quebra relativa no verão de 2026 face ao verão de 2025”, admitiu esta terça-feira a vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira na apresentação dos resultados do inquérito “perspetivas verão 2026”. Ainda assim, no momento do inquérito, as reservas on the books para o verão estavam ao nível do ano passado.
No inquérito que encerrou a 17 de maio, as reservas on the books para o verão situavam-se em níveis semelhantes aos registados no inquérito efetuado no ano passado, com Madeira e Açores a liderarem nas reservas antecipadas, e o Algarve, para agosto, a apontar maioritariamente reservas acima de 50%, enquanto Lisboa ganha impulso em setembro.
No entanto, a avaliação qualitativa é mais cautelosa, já que o “saldo de respostas extremas” (SRE) aponta para o verão sentimento negativo na taxa de ocupação, estada média e proveitos totais, ainda que os hoteleiros antecipem uma evolução positiva, mas moderada, no preço médio.
Os resultados do inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal, indicam 50% dos hoteleiros que responderam espera uma taxa de ocupação abaixo do ano passado e 22% espera crescimento, o que dá um saldo médio de 28% a admitir uma baixa de ocupação.
Relativamente à estada média, o saldo de respostas extremas (diferença entre respostas positivas e negativas) apresenta também um número negativo (-28 p.p.), o mesmo acontecendo com os proveitos totais que registam um saldo negativo de oito pontos.
O único indicador positivo refere-se ao preço médio por quarto (ARR) que apresenta um saldo positivo de 13 pontos, apesar de mesmo assim ter havido 30% de respostas negativas. “ Este é o único indicador para o qual os hoteleiros antecipam uma evolução mais favorável do que em 2025”.
Tudo somado, a vice-presidente executiva da AHP afirmou que” na globalidade, as perspetivas dos hoteleiros são de quebra relativa no verão de 2026 face ao verão de 2025”, assinalando que “mesmo que o preço do quarto aumente, a expectativa é de que os consumos venham a quebrar devido ao recuo na ocupação e na estada média”. Ainda assim, Cristina Siza Vieira nega qualquer pessimismo relativamente às estimativas para o verão: “Estamos a ser realistas”, disse.
Reservas on the books em linha com o ano passado
Perspetivas à parte, as reservas on the books para os meses de verão (junho a setembro) estão em linha com o ano passado, pelo menos assim era à data de fecho do inquérito, 17 de maio, como foi sempre ressalvado por Cristina Siza Vieira. Na altura, Açores e Madeira lideravam, enquanto as regiões do Centro e do Alentejo eram as que tinham menos reservas.
Para junho, a Madeira liderava com reservas on the books acima dos 83% para metade dos hoteleiros que respondeu ao inquérito, seguindo-se os Açores (79%), Algarve (64%) e Grande Lisboa (57%). Para os meses de julho e agosto, a liderança pertencia aos Açores (74% e 75%, respectivamente), seguindo-se a Madeira (65% e 58%) e o Algarve (61% e 50%). Para setembro, o top 3 manteve-se, com metade dos inquiridos nos Açores a a reportar reservas superiores a 73%, seguindo-se a Madeira com 64% e o Algarve com 42%.
Reservas on the books são o que são, há muito quarto para vender ainda durante os meses de verão, e as incógnitas e incertezas para os próximos meses são muitas, provocadas pela instabilidade geopolítica e económica que foi, aliás, a preocupação número um apontada por 71% dos hoteleiros.
Entre os desafios e constrangimentos focados pelos hoteleiros estão ainda o aumento dos custos operacionais (38%), a capacidade aeroportuária (37%), o aumento de custos dos transportes (35%), a contenção nos consumos turísticos nos principais mercados e a escassez / preço do jet fuel, ambos apontados entre os 3 primeiros desafios por 18% dos inquiridos.
Questionados sobre se o atual choque energético provocado pelos impactos geopolíticos está a impactar a política de preços, 46% dos inquiridos assumiu que não existiram alterações, enquanto 36% afirmaram ter reduzido os preços, enquanto 18% disseram tê-los aumentado.


