Ilidio Ricarte: Apesar da sua multiculturalidade a Maurícia tem “uma influência muito asiática, até na alimentação”
Ilidio Ricarte, que desde maio é Account Manager na Wide Travel & Events, integrou a famtrip à ilha Maurícia realizada pela Travelplan, operador turístico do Grupo Ávoris. Ao Turisver falou das expectativas que levava e daquilo que o destino oferece, e alertou para a necessidade de melhorar as ligações entre Lisboa e Madrid.
Sei que o Ilidio nunca tinha vindo à Maurícia. O destino correspondeu à expectativa que tinha?
Na verdade, tinha uma expectativa mais elevada, não pelo destino em si, já sabia que era um destino com muita natureza, com muita hotelaria também, porque é um destino que tem muito mercado, mas embora já soubesse que era inverno na Maurícia, o inverno aqui é sempre muito ameno e tocou-nos uma semana um bocado atípica, que não ajudou.
Não quer dizer que esteja desiludido, porque não estou, mas no global tinha uma expectativa um bocadinho mais elevada. Acho que é um destino que tem que ser bem aconselhado ao cliente, porque, por norma, o cliente português vem no verão português e na Maurícia é inverno, pelo que que pode não encontrar as melhores condições durante a sua estadia, e não sendo uma viagem propriamente barata, isso pode trazer alguma desilusão.
O cliente que optar por vir para as Maurícias tem de ter duas ou três coisas em consideração, e isso tem que lhe ser dito. Por exemplo, eu pensava encontrar e sentir um pouco mais de África aqui, e essa africanidade praticamente não existe.
Não, não existe, a Maurícia é um país mais asiático, apesar de ter uma multiculturalidade muito grande, com influências africanas, asiáticas, mas nota-se que a influência africana não é tão grande como eu estava à espera. Efetivamente, há aqui uma influência muito asiática, até na alimentação, todos os hotéis têm comida tailandesa, também de influência indiana, e não tanto a comida africana.
Mas é um país que tem uma vantagem muito grande de ter desde muçulmanos a indianos, a crioulos, que praticam várias religiões, e todos convivem muito bem, respeitam-se todos, e isso é um ponto positivo.
“Destacaria o primeiro, o Trou aux Biches, que foi um hotel que me impressionou, com uma praia excelente, um mar calmíssimo, ótimo para praticar stand up paddle, por exemplo. Outro hotel que também me surpreendeu pela positiva, porque é um 4 estrelas, é o Ambre Resort, que é um hotel com preço de entrada na Travelplan, e é um hotel que não fica atrás de muitos 4 estrelas superior que nós vimos”
Quando se escolhe este destino, os clientes têm uma grande expectativa sobre o mar e as praias…
Sim, o mar é bom, calmo, porque todas as praias, por norma, estão rodeadas de recife, portanto, não é um mar batido, mas é uma ilha que, nomeadamente, no sul, tem muito vento, e isso faz com que seja escolhida para a prática do kytesurf e do skydiving. É uma ilha com muito vento, a norte não tanto, aí as praias são mais resguardadas, mas o mar também não tem aquele azul que vemos muitas vezes nas ilhas. Tem zonas um pouco nesse tom, mas não em toda a extensão da praia…
O que também notei foi que há hotéis muito bons e mesmo de 4 estrelas, e até alguns de 3 estrelas, que têm algumas particularidades em termos até da própria alimentação, da variedade da alimentação. Nos hotéis de classificação mais baixa, é claro que não falta comida, há muita comida, mas há alguns hotéis que poderiam ter um pouco mais de variedade. Por exemplo, uma coisa que eu notei bastante, foi que, sendo um país tropical, não há uma grande variedade de fruta- percebo que não é a altura das mangas, porque é o inverno, mas não se encontram mangas no pequeno almoço ou fruta ao almoço.
Dos hotéis que visitámos quais seriam os três que destacaria?
Destacaria o primeiro, sem dúvida, o Trou aux Biches, que foi um hotel que me impressionou, com uma praia excelente, um mar calmíssimo, otimo para praticar stand up paddle, por exemplo. Outro hotel que também me surpreendeu pela positiva, porque é um 4 estrelas, é o Ambre Resort, que é um hotel com preço de entrada na Travelplan, e é um hotel que não fica atrás de muitos 4 estrelas superior que nós vimos. Portanto, eu punha aqui estes 2 hotéis como referência.
Tinha alguma expectativa relativamente ao Constance Belle Mare, mas não fiquei tão animado face à expectativa inicial que tinha. De resto, os outros hotéis estão um pouco em linha uns com os outros, não há grandes variações, alguns precisam um pouco mais de reformas do que outros, mas a hotelaria, no geral não é má. Não tem as dimensões dos hotéis das Caraíbas, não são hotéis enormes, é muito fácil caminhar dentro deles, exceto talvez no Long Beach onde havia alguma dificuldade em chegarmos aos quartos. De resto, todos os outros são hotéis em extensão ao longo da praia e não para dentro de terra, o que facilita a deslocação.
“Em relação à aposta que a Travelplan faz via Madrid, penso que há que melhorar um bocadinho as ligações entre Lisboa e Madrid, para evitar que os clientes portugueses tenham que passar uma noite em Madrid no regresso, e também há que conseguir despachar a bagagem diretamente desde Lisboa para a Maurícia …”
Para terminarmos este capítulo dos hotéis, notei que alguns hotéis estão um pouco antiquados, precisavam de reformas. Essa foi a sua perspetiva?
Sim, foi. Eu compreendo que sendo um destino que nunca para, ou seja, nunca tem uma época de paragem, eles vão tentando prolongar as épocas, e também não podemos esquecer que a Covid afetou-os bastante, pelo que eles tendem a tentar recuperar e ganhar aqui algum “balão” que lhes permita começar agora a parar para fazer remodelações. Aliás, o diretor do Long Beach disse-nos que vão fechar o hotel de maio a outubro para poderem fazer reformas.
Eu gostava também só de fazer aqui uma referência, porque viemos com a companhia aérea Iberojet desde Madrid, e é aquilo que podemos esperar de um voo charter: foi uma viagem tranquila, com os serviços normais de um produto charter, mas é um avião moderno em que viemos muito bem num voo longo até à ilha Maurícia.
A Travelplan tentou este ano fazer um charter à partida de Lisboa para a Maurícia. Conhecendo o mercado, vê a possibilidade de isso se concretizar nos próximos 2, 3 anos?
Não creio que isso possa acontecer. O destino não é barato, também pela pressão dos outros mercados com mais poder de compra e que conseguem pagar preços que o mercado português não consegue.
Além disso, depois de duas tentativas falhadas, será difícil credibilizar essa ideia não só junto dos clientes, mas principalmente do mercado das agências de viagens, porque houve efetivamente uma aposta da Travelplan, e há que dar mérito a isso, mas percebo o que é a gestão de uma empresa, e não havendo a procura suficiente para rentabilizar esse charter, tiveram que o deixar cair.
Em relação à aposta que a Travelplan faz via Madrid, penso que há que melhorar um bocadinho as ligações entre Lisboa a Madrid, para evitar que os clientes portugueses tenham que passar uma noite em Madrid no regresso, e também há que conseguir despachar a bagagem diretamente desde Lisboa para a Maurícia, porque isso dá algum conforto ao cliente.


