Hotelaria acredita que o Turismo em Portugal continuará a crescer em 2026 mas a ritmo mais lento
A mensagem foi deixada esta quinta-feira por Cristina Siza Vieira, na apresentação do “Balanço Carnaval e Perspetivas Páscoa 2026”, onde apontou que, devido à guerra no Médio Oriente, os destinos de resort em Portugal poderão, no imediato, ser beneficiados, alertando, no entanto, que “será um sol de pouca dura”.
No final da apresentação dos resultados do inquérito “Balanço Carnaval e Perspetivas Páscoa 2026”, realizado pela AHP, esta quinta-feira, 26 de março, a presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal falou das perspetivas para o corrente ano, começando por destacar o “elevado nível de incerteza” que se vive devido à guerra no Médio Oriente, que dificulta a previsão de cenários para o corrente ano: “Há, evidentemente, um nível muito elevado de incerteza e, à medida que o conflito evolui, sobretudo sem sabermos qual é a sua duração, há imediatamente impacto”, sublinhou.
Tendo em conta que o setor “vive sempre de confiança e estabilidade”, e tendo Portugal uma imagem de destino seguro e estável, o país, nomeadamente os destinos de resort, pode vir a beneficiar, no imediato, de algum desvio de tráfego” de mercados europeus que iriam para destinos como a Turquia, o Egito, ou outros mais próximos do conflito.
Ainda assim, alertou que “será sol de pouca dura porque, efetivamente, isto vai abrandar para todos”, o que poderá não acontecer já este verão mas “no médio prazo há muitas nuvens no horizonte” , até porque, os turistas chegam a Portugal de avião e o preço do jet fuel já está a subir 200% acima dos aumentos do combustível para os automóveis. Por outro lado, acrescentou, “há notícias preocupantes por parte da ANA” e a própria TAP “está a rever rotas”.
Acresce que os aumentos de preços “mexem” na bolsa dos turistas. No entanto, a este nível, Cristina Siza Vieira acredita que “viajar tornou-se quase um direito fundamental”, “um impulso vital da nossa humanidade”, pelo que, na sua perspectiva, “continuaremos a viajar, mas com ajustes”.
“Nós continuamos a acreditar que, efetivamente, o turismo em Portugal para 2026 continuará a ter resultados positivos, inclusive a crescer (…) mas com um claro abrandamento”
Porque não há perspetivas publicadas pela OMT nem pela European Travel Association, a vice-presidente executiva da AHP socorreu-se das estimativas do Banco de Portugal e dos dados já disponíveis sobre o desempenho turístico em Janeiro deste ano, para antever que o turismo em Portugal deverá continuar a crescer em 2026 mas a um ritmo mais lento.
“Nós continuamos a acreditar que, efetivamente, o turismo em Portugal para 2026 continuará a ter resultados positivos, inclusive a crescer (…) mas com um claro abrandamento”, afirmou.
Assim, e depois de um 2025 em que o número de hóspedes aumentou 3%, as dormidas cresceram 2,2% e as receitas turísticas subiram 5% Cristina Siza Vieira antecipa para 2026 um aumento de 2,5% em número de hóspedes, 1,7% em dormidas e 3% em receitas.
Os resultados do inquérito apresentado esta quinta-feira já evidenciam que a instabilidade no Médio Oriente começa a refletir-se no setor. Embora 60% das unidades que responderam ao inquérito não tenham reportado alterações ao esperado, 24% já identificam um abrandamento nas reservas ou aumento de cancelamentos. Por outro lado, 16% referem um aumento da procura, associado ao desvio de fluxos turísticos de outros destinos.
Por regiões, os resultados mostram que os inquiridos da Península de Setúbal e dos Açores são os que mais sentem um aumento de cancelamentos ou abrandamento de reservas, enquanto os inquiridos do Alentejo e da Madeira indicam uma aceleração das reservas.
O impacto da guerra reflete-se, sobretudo, ao nível dos mercados, sendo que a China e a Coreia do Sul “desapareceram do radar”, sublinhou Cristina Siza Vieira que associou esta situação ao facto de as ligações aéreas terem sido interrompidas. Ao mesmo tempo, o mercado dos Estados Unidos apresenta já sinais de abrandamento.
A responsável destacou ainda a importância do mercado interno. “Sempre dissemos que o mercado interno é muito importante e continuará a ser”, afirmou, ressalvando que “é preciso encontrar os momentos ideais para apostarmos no mercado interno, fora de Agosto e fora dos momentos de grande pressão turística”.


