Hotéis portugueses começam a afastar-se das OTAs e a recuperar controlo das reservas
A conclusão é de um estudo da Bedsrevenue que antecipa que a tendência de crescimento do canal direto deverá manter-se. Segundo o estudo, o peso do canal próprio nas reservas hoteleiras aumentou 64% nos últimos cinco anos, revelando uma “inversão histórica” na dependência de intermediários digitais”.
De acordo com o estudo, o setor hoteleiro português está a registar uma transformação significativa nos seus canais de distribuição, com as reservas diretas (website, telefone e e-mail) a representam atualmente 36% do total de reservas, um crescimento expressivo face aos 22% registados há cinco anos. Trata-se de uma evolução de 64% em cinco anos o que, segundo a Bedsrevenue, “marca uma inversão estratégica no setor”.
Apesar de as reservas efetuadas através de OTAs, ainda representarem 64% do total, mantendo-se o destaque para as plataformas Booking.com (líder absoluto), Expedia e Aibnb, a sua quota de mercado diminuiu face aos 78% que representava em 2020, reflexo do investimento feito pelos hotéis nos canais de venda diretos e em estratégias de pricing.
Segundo o estudo, o impacto desta transformação nas margens dos hotéis “é substancial”. E exemplifica: enquanto nas reservas através de OTAs há lugar ao pagamento de 15% a 22% de comissão sobre o valor da reserva, no canal direto os custos operacionais medeiam entre os 3% a 6% “incluindo marketing digital e tecnologia”.
Na prática, assinala o estudo, “cada reserva obtida através de canal direto pode gerar até 18 pontos percentuais adicionais de margem líquida comparativamente a uma reserva intermediada — um diferencial crítico num setor caracterizado por margens apertadas”.
Dependência das OTAs apresenta padrões diferenciados
A análise revela, no entanto, padrões diferenciados por tipo de estabelecimento: os hotéis urbanos de 3 e 4 estrelas mantêm maior dependência das OTAs, particularmente para clientes internacionais e estadias curtas, enquanto os hotéis de lazer e boutique registam crescimento expressivo do canal direto, apoiado por estratégias de branding diferenciado e programas de fidelização estruturados.
Por seu turno, o segmento corporate demonstra maior controlo do canal direto através de acordos negociados e gestão de contas empresariais, ao invés do que se passa com os hotéis ligados ao segmento famílias e lazer internacional, que permanecem fortemente orientados para as OTAs.
O estudo da Bedsrevenue antecipa que “a tendência de crescimento do canal direto deverá manter-se, suportada por investimentos continuados em tecnologia, personalização da experiência do hóspede e estratégias de revenue management mais sofisticadas. Para o setor B2B, esta evolução representa uma oportunidade para fornecedores de soluções tecnológicas, plataformas de CRM e parceiros especializados em marketing digital para hotelaria”.


