Hotéis do Médio Oriente atingem mínimos da era da pandemia devido à guerra
O desempenho dos hotéis no Médio Oriente caiu drasticamente devido à guerra de Israel e dos EUA com o Irão, sendo que as taxas de ocupação em destinos chave como o Dubai e Abu Dhabi caíram para o nível mais baixo desde a primeira vaga da Covid-19.
A guerra interrompeu as viagens aéreas, afetando alguns do principais hubs da região, como o Dubai, onde muito passageiros ficaram retidos, prejudicando a confiança nas viagens através do Médio Oriente, o que reduziu, em grande escala, a procura internacional, obrigando os operadores hoteleiros a um controlo de custos de emergência. Dados citados pela CoStar mostram que a ocupação no Dubai caiu para 22,8% na semana que terminou a 14 de março, face aos 84,8% dos dois primeiros meses de 2026, enquanto Abu Dhabi estava perto dos 39,5%.
Estes resultados contrariam o desempenho positivo verificado no início do ano na hotelaria da região, com a Deloitte a afirmar que o Médio Oriente começou o ano com a procura turística acima dos níveis pré-pandemia, mas o conflito rapidamente mudou a perspetiva, enquanto o WTTC avançou que o conflito está a custar ao sector das viagens e do turismo em geral pelo menos 600 milhões de dólares por dia em gastos dos visitantes internacionais.
A quebra da procura hoteleira está diretamente associada à situação do transporte aéreo, mais do que a uma mudança estrutural no comportamento dos viajantes. Os principais hubs da região, como Dubai, Abu Dhabi, Doha e Bahrein, recebem normalmente cerca de 526 mil passageiros por dia, o que os torna particularmente vulneráveis a cancelamentos e alterações de rotas aéreas.
Os dados do setor apontam para um pico passageiro devido aos passageiros retidos e ao tráfego de repatriamento, antes que a queda se aprofundasse, com a CoStar a afirmar que os voos de repatriamento e os encerramentos intermitentes do espaço aéreo aumentaram a ocupação durante alguns dias em alguns mercados, mas que a procura temporária diminuiu rapidamente.
Dubai lidera a recessão
Num mercado como o do Dubai, onde os hotéis dependem fortemente das chegadas internacionais, dos passageiros em trânsito e das viagens corporativas, o efeito foi imediato. Tanto assim que, segundo dados da CoStar, o mercado hoteleiro no Dubai registou uma taxa média de ocupação de 81,1% em 2025 e manteve-se forte no início deste ano, antes de cair a pique para 22,8% em meados de março, o nível semanal mais baixo desde abril de 2020.
A Hotel News Resource reportou quedas anuais de até 70% no Bahrein, enquanto a Reuters prevê perdas entre 29 mil milhões e 50 mil milhões de euros em receitas turísticas no Golfo em 2026, dependendo da duração do conflito. Já a Oxford Economics estima que entre 23 e 38 milhões de turistas possam deixar de visitar o Médio Oriente este ano.
Embora o WTTC tenha apontado que a recuperação pode ocorrer rapidamente se a perceção de segurança se alterar, o cenário imediato para o setor hoteleiro é claro. A guerra levou os hotéis do Médio Oriente, especialmente no Dubai e outros mercados com forte exposição internacional, a uma queda repentina, marcada pela baixa ocupação, cancelamentos de reservas e pressão sobre os preços, e qualquer recuperação sustentada da procura hoteleira dependerá principalmente da reabertura das rotas aéreas, do regresso a horários de voos estáveis e de uma ampla melhoria da confiança dos viajantes em toda a região.
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