Há um número recorde de europeus a planear viagens no verão mas orçamentos são mais apertados
Cerca de 82% dos europeus planeia viajar na primavera e verão, o nível mais elevado desde 2020, mas a opção é por viagens mais curtas e orçamentos mais moderados, com as preferências a irem para as viagens intraeuropeias, com destaque para destinos do sul e Mediterrâneo, com Portugal entre os mais beneficiados.
A intenção dos europeus de viajar na primavera e no verão de 2026 atingiu o seu nível mais elevado desde 2020, sinalizando uma forte resiliência do setor do turismo, apesar das contínuas pressões económicas e geopolíticas. De acordo com a mais recente Monitorização do Sentimento para Viagens Intraeuropeias da European Travel Commission, 82% dos europeus planeiam viajar entre abril e setembro, um aumento significativo (+10%) em relação ao ano passado.
O relatório indica que os europeus mais jovens estão a desempenhar um papel fundamental neste crescimento, sendo que as intenções de viajar entre os jovens dos 18 aos 34 anos registam os maiores aumentos anuais em todos os grupos etários (+21% entre os 18 e os 24 anos e +16% entre os 25 e os 34 anos).
Embora o desejo de viajar esteja em níveis recorde, os europeus estão a tornar-se mais ponderados e selectivos em relação à forma como viajam. Em particular, estão a planear viagens mais curtas, com o período de estadia mais comum a ser agora de 4 a 6 noites (38%,+ 3% em termos homólogos), enquanto a opção pelas viagens de de 7 a 12 noites, diminuíram (37%, menos 5% do que no mesmo período do ano passado).
Os orçamentos também estão mais restritos. Uma fatia crescente de viajantes (+4%) planeia gastar até 1.000€ por viagem, enquanto aqueles que orçam 1.500€ ou mais por viagem a apresentam uma queda de 9% em comparação com a época passada. “Esta alteração reflecte uma maior sensibilidade aos custos e um enfoque mais acentuado na relação custo-benefício”, aponta a ETC.
Além disso, os viajantes também estão a planear menos viagens: 39% dos europeus pretendem fazer apenas uma viagem nos próximos seis meses, um aumento de 7% em relação ao ano passado, enquanto o número dos que planeiam viajar pelo menos duas vezes desceu para 57%.
Segurança, custo e clima influenciam as escolhas de destino
O estudo conclui que as tensões geopolíticas e o aumento dos custos estão a influenciar cada vez mais as decisões de viagem. A segurança consolidou-se como o principal critério na escolha de um destino, referido por 22% dos viajantes, seguido de um clima agradável e estável (15%) e de ofertas atrativas (14%).
As preocupações com o aumento dos custos das viagens continuam a ser as mais proeminentes no geral, afectando 20% dos europeus, enquanto as preocupações ligadas às tensões no Médio Oriente subiram para 18%.
De acordo com o relatório divulgado pela ETC, os viajantes estão a dar prioridade aos gastos com alojamento, seguidos pela alimentação e bebidas e atividades no destino, enquanto o interesse por experiências de luxo diminuiu 3% desde o ano passado.
Destinos do Mediterrâneo e Sul da Europa lideram escolhas e Portugal está entre os mais beneficiados
Para as viagens deste verão, 90% dos europeus escolhe o “velho” continente, com 65% (+4%) a escolher viagens transfronteiriças pela região, ao mesmo tempo que o interesse em países europeus mais distantes aumentou 4%, quase igualando a procura por parte dos países vizinhos.
O Mediterrâneo e o sul da Europa são a opção principal para férias de primavera e verão, registando um forte aumento da procura (+17%) e atraindo quase 60% dos viajantes. Espanha (14%) lidera o ranking, seguida pela Itália (11%), França (8%), Grécia e Portugal (ambos com 6%).
Além disso, com as viagens por vários países a serem agora menos populares, o número de viajantes que opta por visitar várias cidades dentro do mesmo destino sobe 5% para 42%.
“Os resultados apontam para um panorama turístico definido por uma forte procura, aliada a uma tomada de decisão mais cautelosa. Embora os europeus continuem a dar prioridade às viagens, estão a adaptar o seu comportamento em resposta às pressões económicas e à incerteza geopolítica”, frisa o relatório da European Travel Commission.


