Grupo Lavanda Hotels está aberto a fazer “parcerias em aquisições parciais de algumas unidades” avançou Raúl Ribeiro Ferreira
Marca da Monfortur, o Lavanda Group dedica-se à gestão de unidades de 3 e 4 estrelas, de pequena dimensão. Atualmente com 12 unidades, o Grupo gostaria de chegar ao final do ano com “mais 4 a 5 hotéis” para “estabilizar os serviços centrais”, afirmou ao Turisver o diretor-geral do Grupo, Raúl Ribeiro Ferreira.
Como é que correu o ano passado para as unidades de que o grupo Lavanda Hotels faz a gestão e o acompanhamento?
Olhando para as várias unidades, globalmente, o ano correu bem, porque todas elas atingiram as metas a que nos tínhamos comprometido, ou seja, aquilo que tinha sido a nossa proposta aos acionistas. Nós temos uma vantagem que é o facto de a nossa estratégia de crescimento global ser sustentada, pelo que propomos crescimentos baseados na realidade e não em suposições.
Sabemos que o mercado tem um teto e que não podemos passar o resto da vida a crescer indiscriminadamente. Provavelmente vai haver uns anos em que crescemos no preço médio, outros em que crescemos na taxa de ocupação, por isso tentamos sempre que as propostas que fazemos assentem em bases reais e em que nós acreditamos.
Na maior parte dos nossos hotéis, o público-alvo é o mercado nacional, que representa mais de 80% da ocupação, e o mercado português tem reagido bem àquilo que são as nossas ofertas, mas também não fazemos subidas de preço agressivas porque sabemos que também aí há limites. A dúvida é perceber se em algumas unidades estamos muito perto do limite máximo do preço, face ao produto que oferecemos. Estamos no mercado dos hotéis de 3 e 4 estrelas e por isso, muitas vezes, para não mexermos no preço, complementamos com serviço, e acho que é aí que está o segredo, na honestidade do que se oferece ao cliente.
Os contratos de gestão que estabelecem com as unidades hoteleiras são feitos a um ano ou os prazos são maiores?
Os prazos são maiores. Na prática temos um princípio que é, no dia que o empresário achar que estamos a mais, independentemente do tempo que o contrato estabelecer, nós saímos. Isto porque temos que ser um fator de confiança para o empresário, porque vamos ser a equipa avançada dele, e por isso não nos passa pela cabeça estarmos num sítio em que não tenhamos a confiança do proprietário da empresa.
Mantêm os hotéis que tinham o ano passado ou já têm mais?
Crescemos incorporando em fevereiro uma unidade em Belmonte, o Belmonte Sinai, que é um hotel muito interessante, com muito potencial, uma equipa de direção muito estabilizada, e essencialmente a preocupação deles é passar a ideia de que são um hotel para o mundo, como diz a assinatura do hotel, ou seja, que apesar de se tratar de um hotel com uma grande experiência no mercado judeu, são um hotel para mais do que apenas este mercado, e é isso que vamos tentar levar à unidade, queremos ajudá-la a atingir esse objetivo.
Também vamos ficar a gerir, quando abrir, a Pensão David, em São Pedro do Sul, perto do Lavanda São Pedro do Sul, e há mais duas unidades em vista, que ainda estão em projeto e que estamos a acompanhar, e a ideia que passa por fazermos a gestão.
“Temos três vertentes: há hotéis que são propriedade do Grupo, uns na totalidade outros parcialmente, temos hotéis em que fazemos o management, puro e duro, e há a vertente da exploração, em que a equipa é nossa e paga-se um fee sobre o hotel”
Vocês tiveram alguma unidade afetada pelos temporais?
Não, felizmente. A unidade de Mira está numa das regiões que foi afetada, houve árvores que caíram no empreendimento, mas o hotel esteve sempre operacional. Aliás, teve um mês de fevereiro bastante bom, porque houve as provas de orientação em Mira, e nós tivemos equipas que ocuparam praticamente o mês todo de fevereiro.
Neste momento, o Grupo tem a gestão total de todas as unidades, ou continuam a ter três vertentes?
Temos três vertentes: há hotéis que são propriedade do Grupo, uns na totalidade outros parcialmente, temos hotéis em que fazemos o management, puro e duro, e há a vertente da exploração, em que a equipa é nossa e paga-se um fee sobre o hotel.
Penso que temos base para crescermos nas três vertentes mas há uma que se destaca, que é a parte do management de unidades pequenas, porque cada vez mais os proprietários percebem que há uma série de custos de contexto de presença em feiras, de procura de mercados, e até de comissões das agências que, se forem feitos num conjunto de várias unidades, têm menos peso para a empresa individual.
Até há pouco tempo havia a ideia de que, ao juntar-se a uma marca, o hotel poderia perder a identidade, ou mesmo que os proprietários tinham ficado à margem da vida do hotel, mas penso que essa ideia está a passar aos poucos. Agora, o conceito que está a passar é que os proprietários só têm a ganhar, porque adquirem mais força e, até em compras ganham vantagem, até porque muitas das empresas têm outras áreas de negócio que depois se ajudam entre si.
No fundo, a ideia do Grupo Lavanda é mostrar aos proprietários que se estiverem inseridos num grupo, conseguem mais sinergias, porque todos juntos podemos ajudar-nos uns aos outros, sem que se perca a identidade. Nenhum hotel perde o seu nome – nós não trocamos marcas, apenas acrescentamos a palavra Lavanda por uma questão comercial.
Quando alguém procura a marca Lavanda na internet, aparecem todos os hotéis juntos, e com isso ganha-se divulgação e nas opções dadas ao cliente, porque se para determinadas datas um hotel estiver cheio, pode sempre optar por outra unidade do grupo.
Um dos principais objetivos que temos, quando pegamos numa unidade, é trazermos mais ocupação, se após uma análise concluirmos que isso não vai acontecer, dizemos ao empresário que podemos ajudar mas que achamos que não vamos trazer mais ocupação porque já está no máximo – somos muito francos com as pessoas e é isso que nos diferencia. Quando não conseguimos fazer, dizemos que não conseguimos.
A formação também é um aspeto que vocês trabalham?
Sim, como somos uma empresa certificada, damos formação para o grupo todo, e fazemos formações dedicadas a cada hotel, ou seja, damos formações transversais, ao nível, por exemplo de áreas como recepção, atendimento, etc., e depois, conforme as necessidades, levamos formadores a cada unidade.
Hoje, muitos hotéis precisam dessa formação, porque há muita gente, principalmente no interior, que vai de outras áreas para a hotelaria e tem que ter formação, aliás com a formação sentem-se mais motivados a ficar nas unidades.
“Estamos também a apostar na requalificação das unidades, temos várias a passar por obras de remodelação e melhoramento. Claro que com estes investimentos os empresários nos pedem mais resultados, mas também nos dão ferramentas para melhorar e para ir ao encontro daquilo que é a expectativa do cliente”
Que perspetivas traçaram para este ano, em termos de resultados, de mercados e de melhorias das unidades?
O que está previsto, genericamente, é uma subida a rondar os 10%, não esperamos nenhum hotel com quedas de ocupação quando chegarmos ao fim do ano. Em janeiro e fevereiro houve oscilações positivas, as unidades estão ou encostados ao orçamento ou um bocadinho acima, nuns casos porque o mês de janeiro foi melhor, noutros porque fevereiro foi melhor, mas a média dos dois meses está a cumprir as nossas perspetivas.
Apostamos essencialmente no mercado português, e estamos a tentar ir buscar o mercado de maior proximidade, que é o espanhol, porque este ano haverá muita gente a optar por não fazer grandes viagens mas que pode sair uns dias, e como os nossos preços estão dentro daquilo que o mercado espanhol procura, é um mercado a ter em conta.
Estamos também a apostar na requalificação das unidades, temos várias a passar por obras de remodelação e melhoramento. Claro que com estes investimentos os empresários nos pedem mais resultados, mas também nos dão ferramentas para melhorar e para ir ao encontro daquilo que é a expectativa do cliente.
O Mira Serra vai ter uma intervenção de fundo com a criação de uma piscina de água quente, e mais uma série de condições, o Monte Filipe também está em remodelações, que vão estar concluídas já para na Páscoa, os outros vão tendo algumas atualizações, mais ou menos profundas, seja ao nível do ar condicionado, seja dos colchões, daquilo que tem um desgaste mais rápido, para não perdermos qualidade e conseguirmos ir ao encontro das exigências do mercado.
As unidades com que trabalham têm todas restauração?
Quase todas. O Mira Serra, por exemplo, serve quase 100 refeições por dia, vocacionadas para a população local e esse é o modelo que nós gostávamos de ver implementado em todos os hotéis, penso que os hotéis devem estar abertos às comunidade locais, não podem ser vistos como uma coisa que está ali só para receber quem vem de fora.
Em termos de empresa, estão com 12 hotéis. Têm o objetivo de chegar a quantas unidades até ao final do ano?
Gostávamos de ter mais 4 a 5 hotéis este ano, o que era importante para estabilizar os serviços centrais, e gostaríamos de ir continuando a fazer algumas parcerias em aquisições parciais de algumas unidades.
Estão dispostos a fazer investimentos para serem proprietários parciais das unidades?
Sim, e isso não é por gostarmos de ser proprietários, mas porque é importante para a estabilidade da empresa ter um maior cash flow e uma maior proteção.


