Governo quer Aeroporto de Alcochete a funcionar em 2034-2035 e ficaria “reconhecido” se a ANA “se adiantar aos prazos”
Ao congresso da APAVT, em Macau, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, foi garantir que o timing do Governo para ter o Aeroporto de Alcochete a funcionar é “2034-2035”. O governante, que afirmou ser necessário “acabar com a falácia do Montijo”, garantiu que “nada impede a ANA” de acelerar a abertura de Alcochete.
Entrevistado pelo presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, no segundo dia de trabalhos do 50º Congresso da APAVT, que decorre em Macau, o secretário de Estado das Infraestruturas falava já depois de José Luís Arnaut, presidente da ANA-Aeroportos de Portugal, ter classificado de “cenário idílico” a abertura de Alcochete em 2025 e ter trazido o Montijo ‘para cima da mesa’.
Em jeito de resposta a José Luís Arnaut, o governante começou por afirmar que “é preciso acabar com a falácia do Montijo” como aeroporto complementar à Portela porque o atual Aeroporto Humberto Delgado é um erro do ponto de vista daquilo que é a infraestrutura” e que “temos que ter a noção” de que, além de ser um erro, “estamos a correr um risco” com esta infraestrutura aeroportuária.
E justificou: “Ter um aeroporto em que cada aeronave atravessa 400.000 habitantes, é um erro e um risco. Fazermos um segundo aeroporto complementar [no Montijo] em que os aviões passavam por cima de mais 200.000 habitantes, era por um erro sobre um erro”.
Recordando que “houve dois municípios que nunca concordaram com o Montijo” e que “a ANAC também não concordou”, acrescentou que construir o Montijo “não ia demorar 3 anos, ia demorar 5, 6, 7 anos”, pelo que, reiterou “não é a solução, era um erro sobre outro”.
Quanto a Alcochete, e respondendo, uma vez mais, ao presidente da ANA que tinha considerado que ter o novo aeroporto a funcionar em 2035 é “um cenário idílico”, tendo ainda lembrado que a proposta inicial apontava 2037 “como válvula de segurança”, o secretário de Estado das Infraestururas afirmou que o prazo de “2037 é da exclusiva responsabilidade de José Luís Arnaut. O nosso ‘timing’ é 2034-2035”.
“O José Luís Arnaut fez aqui o exercício de contar todos os prazos, mas se a ANA se adiantar aos prazos, ficaríamos profundamente reconhecidos e seria um sinal que a ANA está profundamente comprometida nesta parceria com o Estado de Português”, afirmou Hugo Espírito Santo, acrescentando que “nada impede a ANA de acelerar os prazos e nós, do nosso lado, faremos tudo o que pudermos”, garantiu.
Sobre a desmilitarização do campo de tiro de Alcochete, informou que “até ao início de 2026, a Força Aérea vai ter de identificar algumas localizações”, estando duas em cima da mesa. A Força Aérea, disse, está neste momento a fazer a sua avaliação para fazer a transferência, sendo que o Governo tem prevista compensar a Força Aérea por esta deslocalização, pelo que, assegurou, “tudo está a avançar”.

