Gonçalo Palma: Até ao fim do ano “temos apenas três semanas em que não operamos charters para Cabo Verde”
Na conversa com o Turisver, Gonçalo Palma, diretor-geral da Soltrópico e da Egotravel, faz o balanço da operação de verão dos dois operadores, de que faltam muito poucos lugares para vender e apenas para finais de setembro, da oferta para os meses do final do ano e da operação de réveillon que este ano é superior à de 2019.
A Soltrópico tem uma programação mais vasta. No nosso site já está disponível a programação para o Funchal, para onde temos um voo charter de Lisboa e outro do Porto com partida a 29 de Dezembro para fazer pacotes de quatro noites. A programação já está disponível há algum tempo porque este ano, devido à grande procura que o Funchal está a ter houve alguns hotéis que tiveram que ser em garantia e já estão cheios e fizemos tudo com bastante antecedência.
Vamos ter também operações charter com a Abreu e com a Solférias para a ilha do Sal, tal como já foi anunciado, com partidas de Lisboa e do Porto e que também já estão disponíveis no nosso site.
Vamos ter ainda dois charters para o Brasil, um para Natal e outro para Salvador, ambos com partida de Lisboa. O voo para Salvador sai no dia 27 de Dezembro e o de Natal parte no dia 28, com regressos nos dias 3 e 4 de Janeiro, respetivamente.
Nos dois voos vão ter quantos lugares para o Brasil?
Nós temos metade da operação, a outra metade é com a agência Abreu e os aviões têm capacidade para 186 passageiros, sendo 16 em executiva.
Esta é a programação da Soltrópico. E a Ego Travel o que é que vai ter?
Na Ego, este ano não vamos ter programação específica para o fim de ano. O que temos é alguns lugares garantidos, em voos da TAP e da Turkish, nomeadamente, em que operamos o Egito, Cancun… íamos ter também Punta Cana mas a TAP decidiu cancelar os voos no inverno. Vamos ter também Gran Canaria e Fuerteventura, com lugares na TAP. Apesar de não se tratar de charters, ao todo estamos a falar de mais de 200 lugares.
A oferta para o fim de ano é superior à de 2019
Os números são semelhantes aos que tinham em 2019?
Penso que até poderão ser superiores. Em 2019 eu ainda não estava na Soltrópico mas no que se refere ao Funchal a oferta não era tão grande porque tínhamos uma pequena parte de um voo e este ano temos metade de dois voos. O mesmo acontece no caso do Brasil, em que a oferta não era tão grande como a que temos este ano. Temos vindo a crescer, não só no mercado mas também face ao período anterior à pandemia, pelo que nesse sentido estamos muito bem.
Conseguiram garantir um parceiro no Brasil que utilize as “pernas” do voo trazendo brasileiros para passarem o ano em Portugal?
Estamos a trabalhar nisso, na verdade não temos um parceiro mas vários. O ano passado usamos um formato diferente, fechámos com um parceiro único que ficou com a operação toda, este ano optámos por ter vários parceiros.
Relativamente a este verão o que é que ainda há para vender?
Para Agosto e para o inicio de setembro não temos praticamente nada. Para finais de Setembro temos ainda alguma coisa para Porto Santo, sobretudo em partidas do Porto e poucos lugares em Lisboa, pelo que já estamos a acelerar para as vendas de última hora.
Também para final de Setembro temos ainda alguma disponibilidade para a ilha do Sal. De resto, já não temos muito mais.
A Tunísia já está “despachada”?
Completamente. A operação do Porto está com mais de 90% de ocupação e a de Lisboa tem apenas alguns lugares na última partida de Setembro para Djerba mas nas próximas semanas vai encher.
De uma forma geral diria que a Ego Travel tem a operação nos 92% de ocupação média total e a Soltrópico está perto dos 90% apesar de ainda falta Setembro e Outubro, por isso estamos muito satisfeitos com os resultados – atingimos os nossos objetivos.
TAP cancelou os voos para Punta Cana para o Inverno
Até ao final de ano que programação é que vão manter no mercado após o verão?
Em termos de oferta temos tudo o que é em voos regulares e também temos os nossos allotments com a TAP. Em termos de aposta charter, o que temos com maior volume é a ilha do Sal porque a nossa operação de verão para o Sal, tanto à partida de Lisboa como do Porto, só termina a 5 de Novembro e já temos o reforço para o fim do ano que começa na ultima semana de Novembro e vai até Janeiro, ou seja, temos apenas três semanas em que não operamos charters para Cabo Verde, de resto há sempre oferta charter, embora reduzida face ao verão.
Dizia há pouco que a TAP já cancelou os voos para Punta Cana…
Sim, fomos informados recentemente que iriam tirar a rota no inverno.
Houve alguns problemas na operação deste ano?
O problema de Saidia foi o maior de todos até porque teve impacto na saúde das pessoas. Aparte isso, o problema residiu no facto de, no pós pandemia, nem todos os destinos terem aberto à mesma velocidade. Por outro lado, durante o período da pandemia, os hotéis perderam muitos recursos humanos e para os recuperar é muito complicado porque o problema afeta praticamente todo o mundo turístico.
Claro que houve destinos que sofreram mais do que outros: São Tomé, por exemplo, os hotéis estão com falta de pessoas para trabalhar, na Tunísia, como os hotéis já trabalharam em 2021, houve mais tempo para preparar a temporada de verão deste ano. Caso diferente é o de Marrocos, que não conseguiu preparar-se, o país esteve fechado até há muito pouco tempo e quando os hotéis abriram não tinham staff e isso nota-se no serviço que é mais demorado e menos atencioso, nota-se que as pessoas que estão a trabalhar não têm experiência.
Noutros destinos temos tido a informação de que as cadeias de abastecimento alimentar não são as melhores, não chegando aos hotéis a quantidade de comida e bebida que chegaria em tempos normais.
Este é um ano de retoma para todos nós, penso que já todos superámos os números de 2019, mas nota-se que ainda está a ser um período de adaptação por parte da hotelaria. Acho que se trata apenas de um período e que para o ano já estará tudo operacional.


