Gonçalo Palma: A existirem custos acrescidos na aviação devido ao fuel “quem vai pagar esses custos serão os consumidores”
A possibilidade de o aumento dos combustíveis devido à guerra no Médio Oriente, levar a um acréscimo no preço dos voos charter no período de verão, é uma preocupação do diretor-geral dos operadores do Grupo Newtour, Gonçalo Palma, uma vez que, dependendo do valor a acrescer, poderá haver pré reservas que não se efetivem.
Já se vendeu muito para o período de verão, mas em termos económicos estamos agora a sofrer com uma elevada subida de preço do combustível, o que se reflete na aviação. Já começaram a chegar os avisos das companhias aéreas sobre possíveis aumentos? Como é que vão ser refletidos esses custos?
Quem vai pagar esses custos serão os consumidores, naturalmente. Esse é o tema quente do momento, e não podemos ficar indiferentes. Esta guerra no Médio Oriente está a provocar muita instabilidade – vemos isso todos os dias nas notícias -, e está a ter um enorme impacto no preço do combustível, mas ainda estamos a falar apenas sobre o pequeno consumo automóvel.
Neste momento, todos os players do mercado estão à espera que haja alguma estabilidade para breve, até porque quando esta guerra começou todos diziam que ia ser uma coisa rápida e que rapidamente se estabilizava, bom mas o facto é que já vamos na terceira semana, a estabilidade não vem e os preços continuam a aumentar, portanto a haver aumentos motivados pelo custo do combustível por parte da aviação, quem vai acabar por pagar são os consumidores. No caso específico das viagens existe uma legislação que protege, de certa forma, os consumidores, mas essa proteção não é total, a própria lei prevê que existam oscilações no cálculo do fuel e que isso possa ser imputado aos pacotes turísticos e às passagens aéreas.
Não sei se vamos chegar aí, é um cenário que ninguém deseja, que vai trazer instabilidade para a comercialização dos nossos produtos, mas a existir, não teremos outra alternativa senão fazer repercutir esses aumentos no preço da viagem do cliente.
“Como ainda não fomos notificados, para as operações da Páscoa o preço já não pode ser alterado, o que nos preocupa é o período a partir de junho, em que pode haver algum aumento, e aí deveremos ser notificados por volta de inícios de maio, depois, a acontecer aumento, temos a obrigação legal de comunicar às agências, e estas aos consumidores”
Mas já foram contactados por algumas companhias aéreas?
Até ao momento nenhuma companhia nos contactou, o que pode querer dizer que ainda não estamos a viver propriamente esse problema. Existe um prazo legal para que isso possa acontecer e, passado esse prazo legal, já não podemos alterar mais o preço em função do combustível, só que esse prazo não é muito longo, são 20 dias até à realização da viagem – passado esse prazo, nós já não podemos mexer mais na componente do preço por causa do combustível.
Como ainda não fomos notificados, para as operações da Páscoa o preço já não pode ser alterado, o que nos preocupa é o período a partir de junho, em que pode haver algum aumento, e aí deveremos ser notificados por volta de inícios de maio, depois, a acontecer aumento, temos a obrigação legal de comunicar às agências, e estas aos consumidores.
Muitas das pré vendas aconteceram com os clientes a fazerem reservas por valores muito baixos, entre os 50 e os 70 euros, e o que aconteceu no ano passado foi que muitos desistiram de concretizar a compra. Pensa que este aumento do combustível pode contribuir para que mais clientes desistam de viajar?
Essa é uma tendência que está a ser implementada por parte das agências para potenciarem as vendas antecipadas: pede-se um valor de sinalização muito mais baixo do que aquilo que supostamente é a regra que nós praticamos, normalmente pedimos 30% do valor do pacote. Na prática, hoje em dia, as agências pedem ao cliente um valor de 50 ou 70 euros, e essa é uma situação que nós não controlamos, mas de facto é uma situação frágil para a agência, e para nós também, porque o consumidor, se tiver um compromisso de 50 euros, pode pensar duas vezes e desistir, e causar um problema na agência, que mais tarde vai ser do operador. Portanto isso é um problema, mas de facto, quando estamos a vender, não estamos a pensar nossas coisas, até porque o problema acontece sempre à posteriori.
O comportamento do consumidor vai depender muito daquele que será o impacto real do preço do combustível, se for 20 euros por pessoa, é um cenário, se for 80 euros por pessoa, será um segundo cenário, e se for 150 euros por pessoa, aí o caso pode ser problemático.


