Gala da ADHP vai realizar-se no dia 22 de novembro no Corinthia Lisboa, anunciou Fernando Garrido em primeira mão ao Turisver
Numa entrevista em que se falou do atual momento da hotelaria, de constrangimentos à atividade e das ações formativas da Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal, o seu presidente, Fernando Garrido anunciou em primeira mão a data e o local do jantar de gala que assinalará os 52 anos da Associação.
Fernando, como é que está a correr o ano turístico para a hotelaria?
Na generalidade, o feedback que temos é de que o ano está a correr bastante bem, a níveis ligeiramente acima do ano passado, não ao nível da ocupação, mas acima de tudo no que se refere à melhoria dos valores de venda, ou seja, na generalidade estamos acima do ano passado entre 2% a 3%.
Não sabemos se o segundo semestre será igualmente positivo, de qualquer forma 2025 vai ser de novo um ano excecional, porque os aumentos são sobre a base do ano passado que foi o melhor ano de sempre, portanto, vamos ter um excelente ano.
E é transversal a todo o país, essa melhoria em termos de preço?
Não necessariamente ao nível do preço em si, mas em termos de resultado global sim, é transversal a todo o país.
O feedback que nos é dado é que no interior não se está a conseguir subir tanto o preço, mas está a conseguir-se ganhar ao nível da ocupação. Isto também pode resultar um bocadinho da transferência de alguns clientes de zonas mais ocupadas em termos turísticos e que optam por ir mais para o interior, o que acaba por ser muito positivo.
E constrangimentos? Tem havido algum constrangimento que se possa salientar?
Os constrangimentos continuam a ser os mesmos e são já bem conhecidos. Claramente, a questão do aeroporto é sempre um problema, a questão da falta da ferrovia e dos comboios de alta velocidade é sempre um constrangimento, porque poderiam ser uma mais-valia, é mais nesse sentido.
Constrangimentos face à nossa realidade atual, não temos sentido muitos, nesta fase. É claro que há grandes preocupações, que são transversais a todo o mundo, mas efetivamente, quando nos tocam, nós sentimos mais. É o caso, nomeadamente, das questões de segurança, em que estamos a sentir algumas situações que nos deixam um pouco mais preocupados. A Associação tem assumido aqui um papel preponderante junto de entidades regionais e câmaras municipais, e até com o governo, com quem temos estado a trabalhar de perto, no sentido de haver mais segurança para os clientes- – mas mais do que para os clientes, para os habitantes das diferentes cidades em que isto está a acontecer. Acho fundamental que se garanta segurança às nossas populações, porque se isso acontecer, os turistas também a obterão.
“ … tem havido sérios problemas de contratação e por esse facto é que ainda se torna mais relevante o nosso papel enquanto diretores departamentais, diretores-gerais e chefias, que têm assumido um papel preponderante na formação contínua e constante desta mão de obra não especializada que temos estado a contratar”
Não focou a mão de obra. Quer dizer que esse problema está mais estabilizado do que em anos anteriores?
Não, não está. A questão é que, efetivamente, com grande pena nossa e com grande preocupação, é um constrangimento já habitual. É algo que vemos séria dificuldade em que se ultrapasse e que nós temos já quase como um facto consumado, daí eu não ter falado sobre ele.
Temos fortes constrangimentos ao nível de contratação, é uma preocupação global. Mais que tudo, põe-se também a questão da falta de habitação para os trabalhadores, em especial durante as épocas balneares em que os diretores têm que contratar mão de obra temporária, e muitas vezes têm que fornecer alojamento para garantir que têm essa mão de obra.
A conjugação destes dois fatores é fulminante, é uma coisa absurda e é muito complexa, mas realmente tem havido sérios problemas de contratação e por esse facto é que ainda se torna mais relevante o nosso papel enquanto diretores departamentais, diretores-gerais e chefias, que têm assumido um papel preponderante na formação contínua e constante desta mão de obra não especializada que temos estado a contratar. Temos, claramente, sido o garante da qualidade das unidades hoteleiras que estão a ser utilizadas pelos nossos turistas e que continuam a ter reviews fantásticos ao nível da qualidade de serviço, na maioria dos casos muito superiores ao que é praticado no resto da Europa.
A nossa hotelaria tem índices de qualidade extremamente elevados e continuamos a ser uma referência em termos da hotelaria global. Não estou a falar de nenhum segmento em particular, quando estamos a falar de um segmento talvez não sejamos a maior referência, mas transversalmente às diferentes categorias de hotéis nós continuamos a ser uma referência ao nível da qualidade de serviço, quer seja de limpeza, quer seja de acolhimento, todas as multidisciplinaridades que envolvem uma unidade hoteleira.
“Continuamos a fazer as nossas atividades regulares, nomeadamente a questão da Gala da ADHP, que vai ser no dia 22 de novembro, no Corinthia Lisboa – deixo aqui a notícia em primeira mão”
A ADHP sempre se tem preocupado muito com a formação e em chamar pessoas para o setor, jovens especialmente. O que é que têm nos vossos planos de formação?
Para chamar jovens para a hotelaria, e para continuarem na hotelaria, que essa é uma das principais premissas, nós temos a ADHP Júnior, que tem feito um trabalho excecional pela liderança do Leonardo Simões. Ao nível da formação nós continuamos a fazer formações diferenciadoras, que são dadas por formadores que fazem a diferença, que são profissionais do setor, ou que indiretamente estão ligados ao setor e que podem trazer uma mais-valia em termos de experiência.
Estamos neste momento com o curso de especialização em direção hoteleira que tem mais de 20 anos, e que tem sido uma referência na formação de profissionais. É um curso de 356 horas que abrange toda a diversidade de áreas de uma unidade hoteleira, e é ministrado por profissionais do setor ou pessoas que possam trazer um aporte interessante. Esse curso continua a ser uma referência, continua a remodelar-se e a tornar-se cada vez mais interessante, com condições extremamente competitivas, e para os nossos associados ainda melhor.
Estamos a fazer formações tão diversas como Data Analytics, que é dada por uma pessoa experiente nessa área. Estamos a fazer formações de Revenue, mas não o Revenue tradicional, Revenue Management, por uma formadora que é uma Senior Revenue Manager de um grupo hoteleiro internacional. Estamos a projetar formações como o Power BI, formações ao nível do acolhimento e da gestão de pessoas, de uma forma um bocadinho diferenciadora.
Acho que temos conseguido não fazer uma enormidade de currículos de formação, modelar, mas conseguimos estar a fazer formações um bocadinho diferenciadoras, muito pela diferenciação da pessoa que está a ministrá-las.
Que projetos é que têm para o pós-verão, em termos da Associação?
Continuamos a fazer as nossas atividades regulares, nomeadamente a questão da Gala da ADHP, que vai ser no dia 22 de novembro, no Corinthia Lisboa – deixo aqui a noticia em primeira mão.
Para além disso, vamos fazer também alguns seminários mais pequenos, nomeadamente na DecorHotel, onde vamos realizar um seminário que faz parte integrante do programa da feira, e onde levamos sempre temas que são de extrema relevância. Este ano ainda não temos o tema plenamente fechado, mas iremos andar à volta da questão da saúde e da saúde mental, do wellbeing e dos riscos psicossociais.


