Francisco Teixeira: Objetivo da Royal Caribbean está na “consolidação” e na criação de uma “tarifa média mais elevada”
A Royal Caribbean apresentou esta quinta-feira ao mercado o segmento das ‘Melhores Férias em Família’ que tem estado a ser criado pela companhia de cruzeiros e que envolve os seus navios da classe Icon e destinos privados. O Turisver aproveitou para falar com Francisco Teixeira, diretor-geral da Melair, que representa a Royal Caribbean em Portugal, sobre este produto e sobre o mercado de cruzeiros no nosso país.
À margem da apresentação, em Lisboa, Francisco Teixeira explicou que o segmento das ‘Melhores Férias em Família’ que está a ser criado e que envolve os navios da classe Icon e destinos privados “é tudo aquilo que a classe Icon oferece, ou seja, gastronomia, entretenimento, Broadway, acrobacias aquáticas, patinagem no gelo”. Para este segmento, os navios da classe Icon têm um largo produto a bordo, a começar pelas “quase 2.000 camas em terceiras e quartas camas”.
Mas há muito mais atrativos, como os “mais de 10 restaurantes incluídos no preço, com mexicano, com pizarias”, as áreas de entretenimento para crianças e o layout do próprio navio. “Temos um dos bairros que agora se chama Surfside e que é totalmente dedicado às famílias”, o que faz com que os outros bairros do navio, as outras piscinas “não tenham tantas crianças como teriam nos outros navios”
Segundo explicou Francisco Teixeira, este momento, já há dois navios que estão a navegar com este segmento, o Icon e o Star. O Legend começa a navegar no verão de 2026, em 2027 e 2028 serão inaugurados mais dois e há ainda mais dois navios em encomenda de opção.
Relativamente aos destinos privados, a Royal Caribbean já tem a funcionar o CocoCay, e o Royal Beach Club que abriu recentemente em Nassau. Em 2026 vão abrir mais dois, um em Santorini e outro em Cozumel. Em 2027 vai abrir outra ilha, o Perfect Day México, que vai ter o dobro da área da Disneyland Paris, o equivalente a 100 campos de futebol.
Por tudo isto, assinala o diretor-geral da Melair, “há aqui uma lógica de produto, destinos privados e o layout do produto que oferecem, em termos de dinâmica de férias, as ‘Melhores Férias em Família’.
“(…) se houvesse mais voos haveria maior competitividade nas tarifas, elas não seriam tão caras para as cidades onde nós temos navios a embarcar e isso iria gerar maior dinâmica e o maior crescimento do segmento de cruzeiros em Portugal”
Sobre o comportamento do mercado português em 2025 para as companhias do Grupo Royal Caribbean, que integra também a Celebrity Cruises, Francisco Teixeira escusou-se a dar números, justificando que “nós temos uma quota de 8% na Royal Caribbean e de 2% na Celebrity, o que é muito pouco, e como não temos mais quantidade de navios na Europa do que tínhamos antes, não esperamos que este percentual cresça muito”. Por isso, frisou que “estamos mais preocupados em encontrar o segmento certo para os produtos novos e subir a tarifa média”.
Sem números oficiais, o responsável disse no entanto acreditar que o mercado de cruzeiros em Portugal “continua a crescer” e que “cresceria mais, ou com mais cruzeiros à partida de Lisboa ou com mais competitividade a nível do aéreo. Ou seja, se houvesse mais voos haveria maior competitividade nas tarifas, elas não seriam tão caras para as cidades onde nós temos navios a embarcar e isso iria gerar maior dinâmica e o maior crescimento do segmento de cruzeiros em Portugal”, destacou.
Isto porque a parte aérea é fundamental para as companhias da Royal Caribbean em termos do mercado português, uma vez que não estão previstos cruzeiros à partida de portos portugueses, nomeadamente de Lisboa. “Não quer dizer que Lisboa não seja atrativa, mas concorre com muitos outros portos a nível mundial”, explicou o diretor-geral da Melair.
Sobre as tendências do mercado português no caso da Royal Caribbean, Francisco Teixeira revelou que o maior foco do mercado está nos cruzeiros para as Caraíbas, destino para o qual “estamos a puxar um bocado o mercado”. Além disso, “as Ilhas Gregas, no nosso caso, estão a ter um crescimento da procura maior do que o Mediterrâneo Ocidental, que é o Roma, o Nápoles, etc.”.
Já no caso da Celebrity, “o Japão tem tido um sucesso brutal, porque temos um navio todo o ano no Japão, vendemos 500 a 600 passageiros de Portugal, o que é muito bom, e não vendemos mais porque não há lugares”. Por outro lado, “o Alasca voltou a ter interesse no mercado e a América do Sul também um bocadinho” -isto no caso da Celebrity, que tem produtos mais direcionados para estes destinos durante o inverno.
Já em termos de navios “a procura existe para todos os navios, porque os navios mais pequenos são aqueles que têm itinerários com uma característica mais apelativa. Temos gente na classe Vision, no Rhapsody e no Brilliance, porque tem itinerários mais interessantes do que os navios grandes. Portanto, há um equilíbrio na oferta e a procura mantém-se com números diferentes, claro”. No entanto, adiantou que “no segmento das famílias, há uma atração especial pela classe Icon.
“A nossa perspetiva é mais de consolidação, de pequenos crescimentos e principalmente de criar tarifa média mais elevada, conseguir vender mais caro, procurar o público que está mais adequado em termos de budget ao nosso produto”
Relativamente ao facto de haver cruzeiristas com mais anos de experiência que continuam a preferir os navios mais antigos em detrimento dos mais recentes, bem maiores e com um alargado número de experiencias e entretenimento a bordo, Francisco Teixeira diz que “o pensamento existe, mas nós não medimos por tendências. O interessante disso é que conforme o mercado evolui a oferta de navios vai evoluindo também e nós vimos que o mercado é consistente em toda a plenitude da oferta que existe. Hoje em dia temos público-alvo que escolhe um grande navio e outro que escolhe um pequeno. É claro que há muito mais gente que escolhe um Icon para fazer Miami-Miami, mas também temos público que vai para um Rhapsody fazer Porto Rico-Porto Rico. É bom que exista dentro do público de cruzeiros, gente que não compra todos os novos navios, porque há um pluralismo de oferta e a Royal Caribbean cria itinerários para navios mais pequenos, diferentes daqueles que cria para os navios maiores”.
Relativamente às reservas para 2026, o diretor-geral da Melair revelou que “para a Royal Caribbean, estamos no mesmo nível que estávamos o ano passado nesta altura, na Celebrity estamos um bocadinho acima, porque vendemos o Alasca à Ásia, vendemos inverno, portanto, a reserva acontece com mais antecipação, mas na Europa continuamos com o mesmo número de navios”.
Por isso, sublinhou, “a nossa perspetiva é mais de consolidação, de pequenos crescimentos e principalmente de criar tarifa média mais elevada, conseguir vender mais caro, procurar o público que está mais adequado em termos de budget ao nosso produto, porque o nosso produto, principalmente nos navios novos, tem um preço médio mais elevado”.
Num momento em que o mundo está a enfrentar várias crises geoestratégicas e políticas a nível global, impunha-se saber se isso tem afetado o mercado de cruzeiros em termos globais, o que na opinião de Francisco Teixeira não está a acontecer: “Curiosamente, por aquilo que eu consigo ver, é que não tem tido impacto no mercado de cruzeiros. Inclusive é no mercado overseas, ou seja, passageiros que vêm de outros continentes para o continente europeu, não há decrescimento”, até porque, justificou, “nas regiões onde está existir guerra, não há produto de cruzeiros próximo”, uma vez que “já há muito tempo que S. Petersburgo está riscado” ao nível dos cruzeiros do Báltico.


