Francisco Teixeira: “2023 pode ser o ano da verdadeira retoma”
A pandemia teve um impacto sem precedentes na indústria de cruzeiros que começa agora a retomar e, se para 2022, para a Melair, que em Portugal representa o grupo Royal Caribbean, as coisas estão a funcionar, já para 2023 Francisco Teixeira mostra-se confiante.
Como aconteceu com toda a indústria de cruzeiros, os dois últimos anos foram difíceis para a Melair, apesar de a empresa que em Portugal representa as companhias do Grupo Royal Caribbean, nunca ter chegado a parar totalmente, tendo aproveitado por fazer formações e webinars, para além das vendas que essas não ocupavam o tempo por inteiro. “Fosse em 2020, fosse em 2021, faltaram sempre meses às vendas e no final de cada ano, esses meses fazem falta”, assume o diretor-geral da empresa, Francisco Teixeira, que falou com o Turisver à margem do roadshow ‘Os Especialistas’.
Acresce que os primeiros meses do ano, concretamente de Janeiro a Março “são aqueles em que se faz maior número de reservas e o ano passado não tivemos vendas”, afirma o diretor-geral da Melair, explicando que a Royal Caribbean só tinha “dois navios na Europa, um era de Chipre o outro de Atenas” pelo que “praticamente não tivemos faturação o ano passado”, ou seja, “para nós, 2021 não conta, não tivemos atividade”.
Francisco Teixeira frisa que “os cruzeiros nos Estados Unidos só abriram em novembro de 2021 porque se criou um enorme stress em torno da indústria de cruzeiros e a CDC americana retardou ao máximo a autorização de abertura da operação. Já na Europa abriu mais cedo, mas mesmo assim só no verão começaram a operar alguns navios, e para nós, em Portugal, o momento de vendas já tinha passado”.
Significa isto que a Melair começou a trabalhar em 2021 a sua temporada de 2022 e não foi fácil. “Conseguimos fazer uma primeira reativação e em outubro as coisas corriam bem, só que veio a Ómicron, fizemos depois uma segunda reativação que também funcionou mas veio a guerra na Ucrânia”, ou seja, “estamos agora a fazer a terceira reativação e está a funcionar”.
Procura quase ao ritmo da pré-pandemia
Tudo somado, Francisco Teixeira diz que “as coisas estão agora mais ou menos ao ritmo da pré-pandemia, embora exista uma certa intermitência que não é saudável para o negócio”. Este é o panorama do que se passa no mercado português mas também internacional, com Francisco Teixeira a explicar que, a nível do mercado de cruzeiros no mundo, “há menos americanos a viajar em cruzeiros na Europa porque, para eles, há guerra na Europa” e isso “retira uma fatia muito interessante do mercado”.
Este verão, a Royal Caribbean já opera itinerários na Europa, com partidas de Barcelona, Ravena e Roma, embora tenha também algumas partidas em portos como Southampton, Copenhaga e Amesterdão mas “o Báltico também ficou um pouco aniquilado, por razões óbvias”.
Apesar das intermitências e das incertezas “a procura está boa”, afirma Francisco Teixeira, explicando que este ano acabou por acontecer uma situação nova: “para nós, nos meses de maio, junho e julho, o inventário já é mais reduzido e, ao contrário disso, este ano podemos avançar para a procura porque há inventário suficiente”. Tanto assim que ainda recentemente a Royal Caribbean lançou a campanha “Crianças Grátis” que este ano se prolonga por mais tempo do que era habitual: “normalmente, fazemos campanhas de uma ou duas semanas e este ano temos esta campanha, que é a mais forte, durante mês e meio”. Por outro lado “as reservas de última hora estão a acontecer e com muita força”.
Companhias saem mais fortes da pandemia
serviu também de auscultação ao mercado, com Francisco Teixeira a assumir gostar muito deste evento que “tem um ADN de engagement com os agentes de viagens que para nós é muito positivo”, pelo que a presença da Melair “não só foi uma auscultação como uma reativação”. O sentimento de expositores e agentes de viagens, disse, tem como foco o “aproveitamento dos próximos três meses para tentar comercializar o máximo possível porque existe procura, existe produto e existe vontade”.
Se não houver reativação da pandemia e se a guerra não se estender, 2023 poderá ser um ano de verdadeira retoma, pelo menos no caso da Melair: “Estamos a conseguir reativar as marcas de uma maneira muito mais forte do que tínhamos antes, ou seja, a pandemia permitiu-nos moldar o produto de outra forma e trazer o mercado novas e boas ideias”. Isso, afirma, “permite-nos garantir que estaremos melhor posicionados no terreno do que estávamos antes da pandemia, muito embora tenhamos perdido a Pullmantur que já tinha chegado aos 10 mil passageiros”. Ainda assim “retirando essa parte do negócio, penso que a Royal Caribbean, a Celebrity e a Azamara estão a sair da pandemia mais fortes do que estavam antes”.
Somando todos estes fatores, o diretor-geral da Melair afirma: “estamos confiantes em termos de 2023, já temos a programação à venda” e “desde outubro, principalmente, temos estado constantemente a comunicar a marca”.


