Francisco Calheiros: “Sem um novo aeroporto, muito dificilmente teremos crescimentos no Turismo”
O presidente da CTP, que falava na sessão de abertura do 50º Congresso da APAVT, que decorre em Macau, reafirmou a “urgência do novo aeroporto” e, num momento em que o turismo está a viver uma fase de “crescimento sustentável”, voltou a defender o Montijo como “solução intermédia”.
Começando por afirmar que “estamos a ter mais um ano turístico positivo em Portugal”, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal, frisou que, apesar de não haver estagnação na evolução do turismo, “estamos a entrar numa fase de crescimento sustentável (…) algo que já se antevia, depois de crescimentos muito fortes nos anos pós-pandemia”.
Para o comprovar, apoiou-se nos números do INE que reforçam o facto de o crescimento em 2025 não estar ao nível do verificado nos últimos anos, muito embora o turismo continue “a gerar mais valor”. Sublinhou ainda a subida do mercado interno do qual “depende muito o crescimento do turismo este ano”.
Alertou, no entanto, que “sem um novo aeroporto, muito dificilmente teremos crescimentos no Turismo”, pelo que há “decisões estratégicas que têm de ser tomadas” e colocadas em prática “com rapidez” para que o turismo continue a ser “uma atividade dinâmica, com grande capacidade de gerar valor em praticamente todas as regiões do País”.
Os números deste ano, disse, devem servir de alerta para o Governo, para que este comece a agir e a tomar as medidas necessárias, sendo que a primeira destas medidas é o novo aeroporto que considerou ser uma “urgência”. Mas até lá, frisou, “é preciso urgentemente decidir sobre uma alternativa intermédia ao aeroporto em Alcochete”, defendendo, uma vez mais, que “o Montijo é uma opção intermédia rápida, eficaz e mais barata!”.
Além do novo aeroporto, Francisco Calheiros considerou como necessidades prioritárias que devem ser asseguradas, a privatização da TAP, a reforma do Estado, a descida da carga fiscal, a resposta às necessidades de mão de obra, a concretização efetiva do PRR, a legislação laboral, a segurança e ainda a sustentabilidade económico-financeira das empresas.
Relativamente à TAP e ao processo de privatização em curso, o presidente da CTP defendeu que “a TAP, sendo importante para o país e para o Turismo, não pode continuar orgulhosamente só e isolada no mercado, tendo de ser integrada num consórcio com provas dadas e que traga mais-valias à TAP e ao País”.
Defendendo que a privatização deveria ser a 100%, Francisco Calheiros garantiu que “não prescindimos da ideia de que o consórcio internacional que fique a gerir a TAP, tem de garantir desde logo o hub de Lisboa e as ligações aéreas especiais às ilhas e aos países da CPLP”.
Ainda no que se refere à mobilidade, considerou que “a ferrovia e o TGV são fatores essenciais para o Turismo e para a economia do país e um complemento às estruturas aeroportuárias”, frisando que a Alta Velocidade Lisboa/Porto e Lisboa/Madrid libertaria “cerca de 40 voos diários da Portela”.
A terminar frisou a importância do mercado asiático, salientando o número crescente de turistas provenientes da China ou da Coreia do Sul que visitam Portugal. “Se os Estados Unidos são já atualmente um dos mercados que mais crescem em termos do Turismo em Portugal, estou em crer que o mercado asiático continuará também ele a crescer e a criar cada vez mais valor”, afirmou, considerando que “é desta diversidade que o Turismo do nosso país precisa, pelo que devemos continuar a adotar as estratégias corretas de promoção e a criação de oferta específica, que atraiam cada vez mais turistas desta parte do mundo, que tem tido desde sempre fortes laços com Portugal”.
Turisver em Macau a convite da APAVT


