Francisco Calheiros: “O Turismo quer dar ainda mais a Portugal e a toda a sociedade”
Na abertura da VI Cimeira do Turismo, o presidente da CTP, Francisco Calheiros deixou “recados” ao governo, nomeadamente sobre o novo aeroporto, que continua a querer ver decidido no imediato, e sobre os apoios às empresas que considera chegarem tarde e serem insuficientes.
No discurso proferido na abertura da VI Cimeira do Turismo Português, e aproveitando o facto de ter governantes na plateia e a seu lado o primeiro-ministro, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal não perdeu a oportunidade para deixar “recados”, nomeadamente no que toca ao Aeroporto – um tema sobre o qual Francisco Calheiros prometeu, há anos, que nunca deixaria de falar até que a questão estivesse resolvida – e aos apoios às empresas que, apesar do bom ano turístico, não estão ainda refeitas dos estragos da pandemia.
Foi pelos resultados do ano turístico, até agora, que Francisco Calheiros começou, até para deixar claro que “o turismo recuperou bem mais cedo do que o previsto”, ultrapassou alguns dos indicadores de 2019 e que até pode dizer-se que “recuperou totalmente”, o que no entanto, sublinhou o presidente da CTP, não significa que as empresas tenham recuperado – e não recuperaram.
O turismo, afirmou Francisco Calheiros, quer ser o “motor da economia” e “um forte contribuinte líquido para o País” mas para ajudar ainda mais a economia do país é necessário que as empresas recuperem, o que só será possível com medidas de apoio que sejam mais do que “paliativos pontuais” e, claro, com a decisão sobre o novo aeroporto que continua a fazer perder dinheiro ao país.
No que toca aos apoios às empresas, Calheiros disse que na pandemia o governo esteve bem mas que agora “poderia e deveria ir muito mais longe” e que as empresas precisam de mais do que “paliativos pontuais”, nomeadamente medidas de carater fiscal, tendo garantido que os apoios ou não chegam a tempo e horas ou não são suficientes. “Infelizmente, boa parte das medidas anunciadas pelo Governo para apoiar empresas ou ainda não chegaram, ou são insuficientes”, afirmou.
Novo aeroporto: “É urgente decidir já”
Porque o turismo quer “ajudar a economia, ajudar a governação, ajudar as famílias, ajudar as empresas”, e “proporcionar mais receitas ao País” e se para gerar mais receitas é preciso que cheguem até nós mais turistas, então “é urgente decidir já” sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, declarou o presidente da CTP, para quem “Não podemos perder mais tempo. O País não pode perder mais dinheiro com todas estas incertezas e não decisões”.
A propósito lembrou o estudo encomendado pela CTP e recentemente apresentado, segundo o qual o arrastar da decisão tem, no mínimo, um custo de quase sete mil milhões de euros; menos 28 mil empregos e uma perda de receita fiscal de dois mil milhões de euros.
Foto: Vitor Machado


