Filipe Gomes: “A ideia de que Marrocos é um país inseguro não corresponde minimamente à realidade”
Filipe Gomes, sócio-gerente da agência Mercado das Viagens de Castelo Branco, integrou a famtrip desta rede de agências de viagens ao Deserto do Saara marroquino, em que foi dada a conhecer uma região deste país magrebino não muito divulgada e com pouca presença na programação dos diversos operadores turísticos portugueses.
Por: Fernando Borges
O Filipe não é propriamente um agente de viagens, mas é sócio-gerente de uma agência de viagens, o que poderá significar ter um olhar diferente sobre o destino. Partindo desse princípio, quando aceitou o convite para integrar esta famtrip, o que é que estava à espera de encontrar?
Quando aceitei o convite em nome da loja do Mercado das Viagens de Castelo Branco, foi acima de tudo para vir à procura das experiências que o deserto oferece. Não tinha nenhuma expectativa em específico, mas obviamente que quando se pensa em Marrocos ou num outro país do norte de África, pensa-se de imediato no deserto, e foi o poder ter essa experiência que mais peso teve para aceitar este convite, uma experiência que suplantou qualquer expectativa que pudesse ter.
Para além do deserto e das experiências que aí viveu, o que mais o marcou?
Gostei muito do facto de em poucos dias termos conseguido visitar duas zonas que são aparentemente próximas mas completamente diferentes. Ou seja, mais a sul, o deserto com as suas intermináveis dunas de vários tons amarelos, o seu calor e aridez, o encontrar aldeias e realidades completamente diferentes das que encontramos em outras zonas de Marrocos, pois esta é terra de berberes e terra que vive permanentemente com a companhia do deserto. Já mais para norte encontramos cidades mais parecidas com as que encontramos na Europa. Não em termos “físicos”, pois distinguem-se em termos de arquitetura e atmosfera, mas parecidas em termos de oferta nos mais diferentes aspetos do dia-a-dia, e de funcionamento.
“(…) conhecer na primeira pessoa os diversos lugares que se visitam é fundamental, assim como passar pelas mais variadas experiências, porque conhecermos um destino através de pesquisas na internet e não no local é diferente, não conseguimos ter a mesma sensibilidade…”
Como sócio-gerente de uma agência de viagens, que importância têm as famtrips para a sua agência e para quem nela trabalha, ou seja, para quem vende viagens?
Eu acho que conhecer na primeira pessoa os diversos lugares que se visitam é fundamental, assim como passar pelas mais variadas experiências, porque conhecermos um destino através de pesquisas na internet e não no local é diferente, não conseguimos ter a mesma sensibilidade, não nos conseguimos aperceber deste ou daquele pormenor que marca a diferença, o que torna estas famtrips fundamentais.
Relativamente aos hotéis que visitámos, em particular os da marca Xaluca, acha que têm a qualidade para merecer a confiança do cliente português, para corresponder aos seus gostos?
Sim, sem dúvida. Todos eles têm qualidade, seja nas habitações, seja na parte gastronómica, seja nos espaços públicos de lazer, conseguindo todos eles transportar-nos para o ambiente que os envolve, o do deserto.
Que ideias vai passar a quem trabalha na sua agência para que consigam cativar ou influenciar os clientes para que venham até esta região de Marrocos?
Eu acho que quem me rodeia dentro da agência tem uma ideia de um Marrocos com pouca segurança, que era aliás a ideia que eu tinha, mas que não corresponde minimamente à realidade como pude constatar, assim como consegui desmistificar outra ideia, a de que é um país com graves problemas sanitários. Nada disto corresponde ao que tive a possibilidade de ver, e serão sem dúvida duas mensagens que irei passar, para além das diversas experiências que nos esperam nesta região marroquina, sejam elas mais tranquilas ou com mais adrenalina.
Ainda perante o que foi possível ver e vivenciar nesta viagem, pensa que esta região de Marrocos, que vai da cordilheira do Alto Atlas até às dunas do Saara, a sul, tem potencial para se posicionar no topo da lista dos destinos turísticos obrigatórios dentro do próprio destino que é Marrocos?
Penso que sim. Aliás, se olharmos para Merzouga é visível que a oferta hoteleira está a aumentar, assim como em outros lugares onde essa aposta está a acontecer, sem esquecer que aqui, para além das areias do deserto, há igualmente neve que pode ser outro atrativo para outras épocas do ano, podendo mesmo cativar os amantes dos desportos de inverno, com picos que ultrapassam os 4,000 metros de altitude, ou realizar a prática de muitas outras atividades como trekking, escalada, btt, passeios a cavalo…, havendo ainda muito por explorar e oferecer. E é notório que existe um esforço nesse sentido, não só por parte do Turismo de Marrocos, mas igualmente por parte dos agentes turísticos regionais e locais, com quem nos reunimos durante estes dias em interessantes e produtivos workshops, para reforçar a diversidade e qualidade da oferta.


