Fernando Delindro abriu o Mercado das Viagens Gondomar há nove anos e acredita que a agência “ainda tem muito espaço de crescimento”
Gerente de loja no Mercado das Viagens Gondomar, Fernando Delindro afirmou ao Turisver que o crescimento da agência tem que ser feito pelo desenvolvimento dos segmentos corporate e das grandes viagens. Numa conversa em que se falou da trajetória da agência e dos produtos mais vendidos, focou-se também a concorrência que, segundo o nosso entrevistado, se ultrapassa pela qualidade do serviço prestado.
Fernando, a sua agência em Gondomar está mais vocacionada para os pacotes turísticos, ou para o trabalho com empresas?
O nosso core business é claramente o lazer, é claramente o verão. Numa primeira fase da época de vendas são os produtos em voo charter e é isso que o nosso cliente procura. Quando os charters começam a ter menos disponibilidades e os preços começam a subir um bocadinho, aí temos a necessidade de dar outras opções ao cliente, nomeadamente com os voos regulares, e em que o voo regular à partida do Porto significa muitas vezes as companhias low cost, apesar de não ser aquilo que gostávamos de dar aos clientes. Gostávamos de trabalhar mais com as companhias regulares tradicionais, mas a quantidade de voos diretos que temos do Porto são quase exclusivamente em low cost.
Vocês, segundo me apercebi, são uma agência que vende muito. Como é que chegam números tão altos de vendas, apesar da concorrência que enfrentam?
Concorrência existe é muita e cada vez mais é do país todo, não são só as agências de Gondomar que são a nossa concorrência porque, com a internet, todas as agências do país acabam por ser nossas concorrentes. Como é que atraímos os clientes? É sempre pelo serviço, o nosso objetivo é dar sempre o melhor serviço ao cliente para que ele volte a nós porque saiu satisfeito com o nosso serviço antes, durante, e após a viagem, esse é o nosso foco. Eu digo sempre para os clientes, que não quero vender-lhes uma viagem para este ano, eu quero que vá nesta viagem, que volte e que depois me traga mais clientes porque o passa a palavra é fundamental, é o melhor marketing que podemos ter.
E dentro dos pacotes turísticos para o verão, o que é que atualmente se está a vender mais?
Temos muita procura de destinos de proximidade, e por proximidade entendemos a Costa de Almeria, a Costa Dourada, as Ilhas Espanholas, Saidia, Djerba e a Tunísia Continental, e depois Cabo Verde, que é um destino que tem vindo a ganhar preponderância no mercado. Depois, quando falamos de longo curso, são aqueles destinos que já estão consolidados no mercado como as Caraíbas.
Este ano tenho alguma expectativa relativamente a Sharm El Sheikh, acredito que agora que o destino está a ser retomado com o charter vai ser um destino que virá para ficar, à semelhança dos outros destinos que o Egito nos apresenta neste momento em voos charters como Hurghada e a Costa Norte / El Alamein. Sharm El Sheikh tem a oferta de mergulho, mas tem também a proximidade a Petra, que desperta muita curiosidade no turista português. Acho que a excursão a Petra, que é possível fazer a partir de Sharm El Sheikh pode ser uma boa opção e um ‘plus’ no pacote turístico
“(…) estivemos na primeira edição da FLY, e foi uma agradável surpresa. Parti para a FLY sem uma expectativa muito grande até porque nós passávamos na rua e a divulgação que víamos da feira não era muito forte, era um bocadinho à moda antiga, com lonas em rotundas, e achávamos que essa não era a melhor forma de anunciar a feira. A verdade é que a feira funcionou muito bem, teve bastante afluência ao longo de todo o período da feira e mesmo após a feira conseguimos fechar vendas”
Se compararmos o período de vendas desde a Black Friday até agora, está a vender-se mais do que no período homólogo anterior?
Felizmente temos notado um crescimento dos volumes de faturação. A Black Friday correu muito bem, Blue Monday foi também um período muito bom. A Blue Monday é cada vez mais um período forte de vendas porque os operadores investem em campanhas nessa época, prolongando-as entes e depois dessa segunda-feira, e nota-se cada vez mais que as pessoas procuram antecipar a compra das férias.
Estamos agora confiantes que fevereiro seja outro mês bom até porque no final do mês temos a BTL e é provável que as campanhas comecem até um pouco antes. Depois, em março, vamos ter outros momentos de venda.
O ano passado estiveram presentes na FLY, no Porto?
Sim, estivemos na primeira edição da FLY, e foi uma agradável surpresa. Parti para a FLY sem uma expectativa muito grande até porque nós passávamos na rua e a divulgação que víamos da feira não era muito forte, era um bocadinho à moda antiga, com lonas em rotundas, e achávamos que essa não era a melhor forma de anunciar a feira. A verdade é que a feira funcionou muito bem, teve bastante afluência ao longo de todo o período da feira e mesmo após a feira conseguimos fechar vendas. Foi mesmo uma agradável surpresa, tanto que este ano iremos estar novamente presentes na FLY, porque achámos que foi um momento que funcionou muito bem.
Vocês estão no Mercado das Viagens há muito tempo?
Nós abrimos a loja em março de 2017, portanto fazemos este ano 9 anos. Já passamos por uma pandemia, pela guerra no Médio Oriente a continuamos a passar pela guerra na Ucrânia, pelo que estamos aqui para ficar e a querermos ser mais fortes todos os anos.
E ainda tem espaço para crescer ou já pensa em algum novo projeto?
A agência ainda tem muito espaço de crescimento. Há algumas linhas de produtos que gostávamos de ter, nomeadamente o corporate. Estamos a trabalhar já com algumas empresas, com entidades públicas, mas queremos sempre atrair mais empresas, mais entidades. Depois, temos a questão das grandes viagens e dos noivos que é um produto em que não temos tanta procura, por não estarem ancorados em voos charter, e porque os clientes de lua de mel ou das grande viagens gostam um bocadinho mais da atenção.
Estamos a tentar reforçar a equipa e a introduzir melhorias no modo de funcionamento para atendermos melhor esses clientes que precisam de mais atenção. Estamos a criar condições para podermos reunir com eles com tranquilidade, para podermos dar os orçamentos das propostas com tranquilidade, fazer o follow-up que eles pretendem, esclarecer as dúvidas, no sentido de reforçarmos a nossa presença no segmento das luas de mel e das grandes viagens. O nosso crescimento terá que ser feito por estas duas vias: o corporate, por um lado, e as grandes viagens, por outro.



