Exótico Online quer crescer 12% em 2026 e Miguel Ferreira CEO do operador explica que o Brasil já representa 70% da faturação
O lançamento de uma operação charter para o Brasil durante o verão deste ano, o que não acontecia há cerca de uma década, foi o ponto de partida para a conversa com Miguel Ferreira, CEO do operador turístico Exótico Online, que nos adiantou que as vendas para este produto estão a “andar bem”, tal como as vendas globais para este destino.
O que é que a Exótico tem planeado para este ano?
Quando fizemos o budget em setembro do ano passado, e quando começámos a preparar o ano seguinte, o objetivo era dar continuidade ao trabalho de 2025, que já foi um belíssimo ano, um ano em que só tivemos operações de risco no réveillon para o Brasil, até porque não temos o hábito de ter operações de risco durante o verão.
Pela conjuntura atual, ou seja, por aquilo que está a acontecer pelo mundo fora, depois da BTL, já fora dos timings de venda nos períodos das promoções, e devido à grande procura que existia para o Brasil, tomámos a decisão, com o outro parceiro, de lançar a operação charter de verão para Maceió, capital do estado de Alagoas. Esta operação, vou dizer que foi uma surpresa, mas não estava programada no nosso budget inicial.
Estamos assim a dar continuidade e a corresponder ao que os nossos clientes esperam de nós porque, como especialistas no Brasil desde há décadas, temos vindo sempre a agregar produto à nossa oferta, lançando algumas novidades.
Esta aposta no charter para Maceió é realizada em parceria com a Solférias, com quem fazemos os charters de fim de ano para o Brasil. A companhia aérea é a euroAtlantic os voos serão realizados num Boeing 767-300 com 309 lugares, e vai ter oito rotações, sendo a primeira partida a 26 de julho, e o último regresso a 13 de setembro.
A operação só foi colocada à venda após a BTL?
Sim, saiu logo após a BTL, e posso dizer que após a saída dos press releases para a imprensa e da newsletter para as agências de viagens, uma hora depois do produto ser colocado à venda, começaram a entrar reservas, o que para nos foi incrível.
A que preço está a Exótico a comercializar os pacotes charter para o Brasil e como é que estão as vendas neste momento?
Estão a andar bem, no período das férias da Páscoa esteve mais calmo, mas na primeira semana, as vendas foram surpreendentes. Para um pacote de uma semana, estamos a falar num preço que, em média, ronda os 1.300 euros para alojamento numa boa unidade de 4 estrelas, com pequeno almoço, até 1.650 euros, para um resort de 5 estrelas em regime de all inclusive. Está num valor que considero justo, tendo em conta o produto oferecido e o destino.
“Ainda não falei com ninguém da TAP sobre isso, mas a questão é esta, penso que termos este charter é benéfico para todos porque o destino que está a ser operado é Maceió, para onde a TAP não voa diretamente, dado que faz uma escala em Natal”
Até aqui, tirando os charters de fim de ano, e disso falaremos mais à frente, a Exótico sempre vendeu o Brasil ao longo de todo o ano com a TAP, basicamente. Como é que a TAP olhou para este charter?
Ainda não falei com ninguém da TAP sobre isso, mas a questão é esta, penso que termos este charter é benéfico para todos porque o destino que está a ser operado é Maceió, para onde a TAP não voa diretamente, dado que faz uma escala em Natal. Por outro lado, é operada com aviões de menor dimensão, os Airbus A 321 LR, e a própria capacidade da oferta de lugares para o destino, versus a procura que existiu de repente, já não era suficiente.
Essa falta de capacidade aérea, e o aumento da procura pelo destino, também contou para a decisão de entrarmos no risco, dado que há mais de 10 anos que não existiam operações charter para o Brasil no período do verão.
Como é que estão as vendas para o Brasil nos voos regulares da TAP e quais os destinos mais procurados?
As vendas estão muito boas, o primeiro quadrimestre tem sido fantástico, e as vendas para o período da Páscoa, arrisco-me a dizer que devem ter sido das melhores dos últimos 15 anos, não direi a melhor mas está nas top 3, garantidamente. Quanto a destinos mais procurados o número um foi a Bahia, depois Alagoas, e o terceiro Natal.
Com a venda que a Exótico faz de pacotes em voos regulares, e agora com os charters de verão e de fim de anos para o Brasil, a vossa faturação para este destino já ultrapassam os 50%, da vossa faturação?
Em 2025, 70% da nossa faturação já foi Brasil, o que revela o crescimento não só do número volume de clientes que viajaram connosco, mas acima de tudo, ao nível da qualidade do produto comprado.
Face à instabilidade que se está a viver no mundo, vocês saem por cima porque há um desvio da procura para destinos mais tranquilos, mais seguros, mais longe das guerras, dado assentarem muito a vossa oferta no Brasil?
Diria que vendendo-se mais ou vendendo-se menos, nós continuaríamos sempre com o destino, mas sim, é o nosso DNA, somos especialistas no destino. Claro que agora podemos dizer o seguinte, como já lá estamos, temos a programação e foi só pôr a máquina a acelerar um bocadinho mais, com mais produto, com mais disponibilidade. Era uma questão de stock, se calhar há dois ou três anos havia stock e não era todo preenchido, agora invertem-se os papéis.
Este êxito no Brasil para a Exótico é um regresso à “infância”?
Não para a Exótico, mas para o Miguel é, sem dúvida alguma. O Brasil foi o destino onde chegámos a atingir mais de meio milhão de turistas portugueses por ano há 15 anos. Hoje em dia, se calhar é muito fácil qualquer pessoa programar o Brasil, difícil é nos tempos que não se vende continuar a programá-lo e a vendê-lo.
“Para um mercado como o português, se há uma queda na procura, isso significa que o preço médio final não está de acordo com a bolsa dos portugueses, nem face a outros destinos que existem no mercado, o que também tem peso na escolha do cliente”
Como é que está a vossa oferta para a Madeira e como é que está a procura?
A procura baixou consideravelmente porque, em termos de preço médio, a Madeira está muito cara para os portugueses. Para um mercado como o português, se há uma queda na procura, isso significa que o preço médio final não está de acordo com a bolsa dos portugueses, nem face a outros destinos que existem no mercado, o que também tem peso na escolha do cliente.
A Exótico continua a vender bem as ilhas espanholas?
As Ilhas espanholas nós programamos dentro do universo das companhias aéreas, nomeadamente da TAP que aumentou rotas e reforçou rotações para lá. Nós temos lá escritórios próprios da MTS, fazemos o nosso próprio incoming, então dinamizamos muito os destinos, onde também temos presentes.
Na vossa programação para este ano só falta mesmo lançar no mercado os pacotes charter para o réveillon no Brasil?
Há dois voos que já foram falados, já foram anunciados durante a BTL, por responsáveis de governo do nordeste, que foram Alagoas e Salvador, e esses voos estão garantidos, na verdade, são um clássico dos últimos anos, com dois voos à partida de Lisboa, e dois do Porto. Estamos a falar em quatro voos, dois para um destino e dois para o outro, podendo vir a haver ainda alguns reajustes, por exemplo, um dos voos que faça um double touch.
No ano passado conseguimos lançar a programação no início de maio, vamos tentar que este ano consigamos lançar também por essa altura, porque já há muita procura. Inclusive, nós já lançámos programas com a companhia aérea Azul, à partida do Porto para Recife, e esta semana deveremos lançar também os programas em voos regulares da TAP porque há muita procura, com reservas efetivas já mesmo para o réveillon.
“O que orçamentámos para este ano foi um crescimento de 12%, mas neste momento, se olharmos para os números do primeiro trimestre que é o que está fechado, em faturação temos um crescimento ligeiramente acima disso”
Não falando nas guerras, quais são os grandes constrangimentos que sentem este ano?
Não somos um operador com muitos destinos de risco, mas uma das coisas que a mim me faz confusão, e agora falo até na ótica de consumidor, é que hoje em dia já não sabemos quando é que começa uma campanha e quando é que ela termina. O verão começa a vender-se na Black Friday e desde novembro até agora, semana após semana as campanhas sucedem-se. A questão que coloco é se estas campanhas surtem efeito no consumidor final porque o cliente já fica a pensar que se saiu uma promoção a semana passada, esta semana vai sair outra e se calhar e para a semana outra, e o preço pode ainda ser mais baixo.
Qual foi a meta de crescimento que têm orçamentado para este ano?
O que orçamentámos para este ano foi um crescimento de 12%, mas neste momento, se olharmos para os números do primeiro trimestre que é o que está fechado, em faturação temos um crescimento ligeiramente acima disso, e com o charter vamos ter que se fazer um forecast, seguramente.
Portanto, 2026 vai ser mais um bom ano para a Exótico?
Os últimos três anos têm sido bons e adivinha-se que este seja também um bom ano. Corrijo: está a começar como um bom ano, porque nós não sabemos como é que ele vai terminar.
Infelizmente o nosso setor depende de vários fatores que não controlamos. Se depender de nós, para a Exótico vai ser um grande ano, agora vamos ver o que é que vai acontecer economicamente e com tudo o resto que se passa à volta do mundo, porque o nosso setor é o primeiro a sofrer.
No entanto, nós temos um aspeto que nos beneficia, o Brasil nunca foi um destino de preço, então aqueles destinos que vivem mais à base do preço podem ter um bocadinho de estrangulamento, mas o Brasil sempre foi um destino mais de qualidade, portanto não deverá ser afetado por esse estrangulamento.


