“Eventos extraordinários” agravam prejuízos da TAP no 1º trimestre para mais de 108M€
Greves e deslocação da Páscoa para o 2º trimestre do ano, foram as razões apontadas pela TAP para o agravamento de 18,1 milhões de euros dos prejuízos registados nos primeiros 3 meses do ano, face ao período homólogo do ano passado, somando agora perdas de 108,2 milhões de euros.
A TAP divulgou na sexta-feira, 23 de março os seus resultados relativos ao 1º trimestre do ano, deles ressaltando o aumento dos prejuízos face ao mesmo período do ano passado.
“A performance do primeiro trimestre de 2025 foi significativamente impactada pela greve dos pilotos da PGA, que se prolongou durante 20 dias. Adicionalmente, a comparabilidade dos resultados operacionais foi ainda afetada pela deslocação da Páscoa para o segundo trimestre em 2025, ao contrário de 2024, quando ocorreu no primeiro trimestre. Estima-se que, juntos, tenham tido um impacto financeiro nos resultados operacionais entre 30 e 40 milhões”, justifica a TAP.
A companhia registou um resultado operacional (EBIT – resultado antes de juros e impostos) negativo em 131,6 milhões de euros até março, face a 74,3 milhões de euros negativos do período homólogo do ano passado. O EBIT recorrente foi negativo em 119,2 milhões (60,3 milhões de euros negativos nos primeiros três meses de 2024).
Já o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) passou de 43 milhões de euros para 9,5 milhões negativos, enquanto o EBITDA recorrente foi positivo em 2,9 milhões de euros, em relação aos 57 milhões de euros no primeiro trimestre do ano passado.
As receitas operacionais diminuíram 4,5%, para 823,4 milhões de euros, refletindo “os impactos dos eventos extraordinários”, nomeadamente a “redução das receitas do segmento de passagens, devido a uma estabilização da capacidade (-0,4%) e do aumento da concorrência nos principais mercados, pressionando a receita unitária”, justifica a companhia, que viu também cair as passagens aéreas para 734,1 milhões de euros (menos 40,6 milhões ou menos 5,2%).
Já os custos operacionais subiram 2% para 955 milhões de euros, refletindo “principalmente o aumento dos custos com pessoal (+19,0 milhões de euros ou +8,9%) no seguimento de aumentos salariais e de remunerações acordadas nos acordos coletivos de trabalho, e dos custos operacionais de tráfego (8,8 milhões de euros ou +4,7%), impactados por aumentos contratuais de preço”, sendo parcialmente compensados pela redução dos custos com combustível (menos 19,5 milhões ou -7,7%).
Também o número de passageiros transportados registou uma ligeira quebra de 0,6% em termos homólogos, para 3,5 milhões de passageiros, o mesmo tendo acontecido com o número de voos, que diminuiu 0,5% para 27.000.
Luís Rodrigues: “Uma TAP mais resiliente e preparada para o futuro”
Citado na informação divulgada esta sexta-feira, o CEO da TAP, Luís Rodrigues explicou que “2025 começou com um trimestre desafiante, marcado pela greve dos pilotos da Portugália e pela deslocação da Páscoa. A par disso, o aumento da concorrência nos principais mercados e as disrupções operacionais, como eventos meteorológicos adversos, greves e constrangimentos nos aeroportos e no espaço aéreo europeu, impactaram de forma significativa a performance financeira e operacional do trimestre. Ainda assim, gostaria de destacar o desempenho positivo da TAP no mercado norte-americano”.
“Embora os desafios se mantenham, nomeadamente a pressão concorrencial, as disrupções operacionais e a incerteza macroeconómica, os progressos alcançados nos últimos anos sustentam uma TAP mais resiliente e preparada para o futuro. Estamos focados na consolidação da sustentabilidade financeira e da eficiência operacional, preparando a companhia para a nova fase que se seguirá ao Plano de Reestruturação, com o compromisso de transformar a TAP numa empresa sustentadamente rentável e atrativa, sempre com o apoio dos nossos stakeholders e das nossas pessoas, que são essenciais para o nosso sucesso”, concluiu Luís Rodrigues.


