ETC: Apesar da desaceleração da economia global, a perspetiva para o turismo na Europa continua promissora
O último relatório trimestral da ETC, indica que o turismo europeu demonstra resiliência, apesar da desaceleração da economia, dos custos mais elevados e das mudanças nas tendências de viagem, prevendo-se um aumento de 6,8% nas chegadas internacionais à Europa em 2026.
De acordo com o estudo da European Travel Commission (ETC), divulgado na quinta-feira, 13 de novembro, os viajantes continuam a priorizar as férias nos seus gastos e utilizam cada vez mais a tecnologia para encontrar uma melhor relação qualidade-preço e períodos de viagem mais confortáveis. O relatório prevê um aumento de 6,8% nas chegadas internacionais à Europa em 2026, impulsionado pela recuperação contínua dos mercados de longa distância, especialmente na região Ásia-Pacífico.
O relatório do terceiro trimestre de 2025 da Comissão Europeia de Viagens destaca a forte procura de verão e um aumento esperado de 9,9% nos gastos dos viajantes em toda a Europa este ano. De acordo com o estudo, espera-se que na Europa as despesas com viagens representem 3,1% do total dos gastos dos consumidores, superando tanto a quota do ano passado como a média de 2010-2019
De acordo com o relatório, as chegadas internacionais à Europa no verão, aumentaram 3% em relação ao ano anterior, enquanto as chegadas com pernoita aumentaram 2,7%. Após esta forte época alta de verão, a maioria dos destinos europeus apresentaram um desempenho sólido, indica o documento, referindo que, dos 34 países que reportaram dados, 30 registaram aumentos nas chegadas e/ou estadias noturnas em comparação com o ano passado.
Estes incluíram destinos do Mediterrâneo Meridional, como Malta (+12%), Chipre (+10%), Espanha (+4%) e Portugal (+2%), onde as viagens de sol e praia foram, mais uma vez, o principal factor de desempenho. O interesse pelo Norte da Europa manteve-se elevado, com a Noruega (+14%) e a Islândia (+3%) a atrair visitantes em busca de natureza e temperaturas mais amenas. A Finlândia (+14%), a Letónia (+7%) e a Estónia (+4%) também registaram ganhos notáveis, enquanto a Polónia (+13%) e a Hungria (+9%) continuaram a beneficiar da sua forte competitividade de preços. Em contraste, a Alemanha (-2%), após o torneio de futebol do Europeu do ano passado, e a Turquia (-1%), devido ao aumento dos custos, apresentaram ligeiras descidas. “Em conjunto, estes resultados destacam a resiliência e a diversidade regional do panorama turístico europeu”, frisa o estudo.
Evolução dos hábitos de consumo e o papel da tecnologia
Os resultados do relatório indicam que, devido aos eventos meteorológicos, alguns viajantes estão a repensar as suas datas de viagem: 28% dos oito principais mercados emissores planeiam mudar as suas viagens para outros meses nos próximos dois anos, principalmente para evitar aglomerações, poupar dinheiro e escapar ao calor extremo.
Ao mesmo tempo, os viajantes utilizam cada vez mais ferramentas digitais para fazer escolhas mais inteligentes, sendo que a adoção da inteligência artificial (IA) no planeamento de viagens quase duplicou, passando de 10% no ano passado para 18% em 2025, impulsionada pela Geração Z e pelos Millennials. Com as agências de viagens online (OTAs) a integrarem assistentes com IA, espera-se que a influência destas ferramentas se expanda ainda mais.
Valor e acessibilidade moldam as escolhas dos viajantes
O custo-benefício continua a ser um fator primordial para a procura de viagens na Europa, o que intensificou a concorrência entre destinos. Os países da Europa Central e Oriental, como a Polónia, a Hungria e a Eslovénia, foram os que mais beneficiaram desta tendência, atraindo visitantes motivados tanto pela qualidade como pelos preços acessíveis.
As viagens dos mercados de longa distância para a Europa continuam a fortalecer-se, com as chegadas de turistas do Japão à Europa a aumentar 24% e as da China a registarem um aumento de 21% face ao ano passado, em ambos os casos por via das melhores acessibilidades. Já as viagens dos Estados Unidos aumentaram 5% em relação ao ano anterior, somando-se a um ganho acumulado de 35% acima dos níveis pré-pandemia.
Relativamente ao mercado dos EUA, o relatório lembra que “de acordo com o mais recente inquérito de risco global da Oxford Economics, as potenciais perturbações decorrentes da política comercial dos EUA são vistas como o principal risco negativo para as viagens internacionais nos próximos anos”.


