Estudo ETC: inflação pode levar turistas a alterar hábitos de consumo
Escassez de pessoal, inflação, crise energética, tudo o turismo europeu enfrentou em 2022. Os turistas não foram muito afetados, a Europa continua a atraí-los, embora desejem uma cada vez mais uma boa relação qualidade/preço e as preocupações com o futuro podem alterar hábitos, levando a viagens mais curtas ou em época baixa.
A European Travel Commission publicou em Dezembro a segunda parte do estudo de mercado “Exploring Consumer Travel Attitudes and Expectations to Drive Tourism Recovery”, baseado em informações sobre o comportamento e as experiências dos consumidores durante o verão de 2022 e suas expectativas futuras. Realizado no pós-verão, esta segunda parte do estudo baseou-se em entrevistas com consumidores de mercados europeus (França, Alemanha, Itália, Holanda e Reino Unido) e mercados de longa distância (Austrália e Estados Unidos), bem como entrevistas com especialistas do setor de viagens.
Pretendia-se saber como os turistas avaliavam as suas experiências de férias numa Europa que, apesar da recuperação turística, especialmente na época de verão, teve que enfrentar inúmeros desafios como a escassez de pessoal, aumento do custo de vida e uma crise de energia causada pela guerra Rússia-Ucrânia.
De acordo com os resultados do estudo, a escassez de pessoal não teve um grande impacto na satisfação dos turistas durante as férias de verão. De todos os entrevistados, 94% afirmaram-se satisfeitos ou muito satisfeitos com suas férias na Europa no verão de 2022. Embora 54% dos entrevistados tenham sido afetados pela escassez de mão de obra, apenas alguns deles manifestaram que a sua confiança nos provedores de viagens tivesse sido afetada, enquanto a maioria expressou compreensão dos problemas enfrentados no setor de turismo pós-Covid.
Facto é que a perceção da Europa como destino turístico é positiva. Os resultados do estudo revelam que a grande maioria dos inquiridos (91%) tem uma perceção positiva da Europa enquanto destino turístico, com os viajantes a apreciarem a diversidade cultural da região, as atrações turísticas e a proximidade geográfica dos destinos.
Guerra na Ucrânia afasta turistas dos países vizinhos
Ainda assim, os entrevistados expressam preocupações relacionadas à guerra na Ucrânia, com quase dois em cada cinco a mencionarem que vão evitar visitar os países mais próximos da zona de conflito. No entanto, apenas 7% afirmam que vão abster-se de viajar para a Europa Oriental em geral.
Outra das conclusões do estudo aponta que os turistas não se esqueceram completamente do Covid. Sendo verdade que a maioria dos viajantes internacionais não se preocupou co o facto de poder apanhar o vírus durante as férias de verão, não é menos verdade que o Covid ainda é mencionado preocupação para 22% dos entrevistados durante a fase de planeamento de viagens. Além disso, os entrevistados preferem que alguns hábitos adquiridos durante a pandemia permaneçam no futuro, como a higiene reforçada e o distanciamento social. As ofertas que fornecem proteção ao consumidor por meio de cancelamentos de última hora, reembolsos ou flexibilidade para alterações também são relevantes para os viajantes.
Conjuntura económica pode trazer alterações de comportamento dos turistas
O que também é certo é que os turistas estão mais exigentes com o que lhes é oferecido pelo valor que pagam e exigem cada vez mais uma boa relação qualidade/ preço.
De acordo com o estudo, cerca de três em cada quatro entrevistados esperam que a inflação tenha impacto sobre as suas viagens futuras. Assim, é expectável que os consumidores façam uma pesquisa completa antes de reservarem as suas próximas férias, que reduzam a duração da viagem, optem por viajar durante a época baixa e definam cuidadosamente as suas viagens de acordo com o seu orçamento disponível. Além disso, espera-se que, uma vez no destino, os viajantes tendam também a reduzir os seus gastos, por exemplo, não comendo fora.
Já os especialistas inquiridos, enfatizam que as mudanças climáticas devem ser encaradas como um desafio fundamental para o setor de turismo. O problema não pode ser resolvido a muito curto prazo mas pode ser minorado de várias formas, como a melhoria da conectividade dos transportes terrestres e dos programas de compensação de emissões de carbono. Uma abertura a iniciativas mais ecológicas foi também notória nas respostas dos entrevistados, sugerindo um desejo dos consumidores por opções de viagem mais ecológicas.
Com base nestas conclusões, o relatório apresenta um conjunto de recomendações para os destinos europeus, permitindo-lhes planear e tomar decisões estratégicas para potenciar as experiências turísticas e assegurar respostas adequadas às mudanças na procura turística.
O estudo completo pode ser lido aqui.


